Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Triste mundo perdido



Hoje um sentimento muito ruim fez parte de quase todo o meu dia. Não era nada pessoal, como algum sonho de consumo, ou alguma compra de final de ano. Hoje, pensei muito e concluí que grande parte do povo brasileiro gosta de ser fútil. Não apenas isso, batemos no peito com orgulho por sermos assim.

Tudo começou quando soube que minha prima havia visto, no cinema, um filme sobre Ayrton Senna, e que havia voltado muito emocionada. Buscando informações para assistir o filme também, o sentimento de "vazio nacional" tomou conta de mim.
Explico o por quê.
Busquei na internet as salas de cinema que exibiam o filme, e, para minha surpresa, na capital de São Paulo, encontrei apenas 1 horário em apenas 1 sala de cinema (aqui começou minha indignação).
O documentário "Senna", dirigido pelo inglês Asif Kapadia, foi lançado 16 anos após a morte do maior piloto brasileiro. E segundo a matéria que encontrei, o fez com maestria.

Ayrton Senna foi o maior ídolo de uma geração que acordava mais cedo aos domingos para ver o show de um grande piloto. Todos o admiravam. Não só sua genialidade nas pistas, como também seu lado solidário. Qualquer pessoa conseguia notar algo muito especial em Senna, uma luz, uma inspiração.
Até hoje, quando vejo a gravação dos últimos momentos de Senna, antes da sua última corrida em 01/05/1994, consigo perceber o sofrimento daquele homem que sabia que ia morrer naquele lugar, e que não poderia evitar. Não, ele não foi um mártir. Foi um grande piloto que passou por aqui, para servir de exemplo para todos nós. Um grande homem.
Quantos brasileiros até hoje vibram quando vêm suas vitórias e se emocionam quando lembrar de maio de 94??? Fui ao seu velório, assim como milhares de fãs que passaram horas para conseguir estar por poucos segundos próximos a ele. Ao seu corpo.

Sabe o que acho triste?

Saber que milhares de pessoas pensam e sentem o mesmo que eu, e que em 16 anos nenhum brasileiro teve a capacidade de prestar uma homenagem a ele. Pior que isso. Enquanto ele estava vivo alguém fez?

Mais triste, (para não dizer vergonhoso) é saber que o povo brasileiro, produz e "consome" livros e filmes de traficantes e prostitutas que ficaram famosos por suas habilidades. Mas que em nenhum momento pensa/quer mostrar grandes personalidades deste país.
Talvez, esse seja um problema da América Latina, mas como brasileira, só posso falar do meu país. Aqui somos patriotas a cada anos motivados pela Copa do Mundo, nada mas.
Eu tenho vergonha do que acontece no meu país. Esportistas e personalidades influentes se envolvem em escândalos, até mesmo em crimes, e ainda assim servem de "exemplo" para as crianças.
Ainda bem que vivi a década de 80 e que pude ver tantas vitórias de Senna!

Hoje, o mundo está perdido, e o Brasil está à caminho da merda total. É isso o que acontece quando não se investe em educação. Não valorizamos nem nossos heróis!
EDUCAÇÃO! É o que salvaria este país.

Mas também nos orgulhamos por não sabermos votar.
O governo não tem culpa não. Nós eleitores, somos os responsáveis por acabar dia após dia com esta nação. Porque não temos interesse e vontade para mudar alguma coisa.
Queremos continuar sendo passivos e sem educação?

Sim. Hoje eu fiquei triste porque, assim como tantos outros brasileiros, também não fiz nada por Ayrton Senna.
E fico pensando em quantos outros gênios e heróis existem neste país e nem nos importamos.
Até quando?