Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Que o faça



"Se você quer me atingir, que o faça. Se quer me difamar, que o faça também. Mesmo que eu vá preso por causa de minhas convicções, irei com toda a honra, mas ainda assim cumprirei minha missão!"
   Esta frase faz parte do poema Nona Onda, de Daisaku Ikeda, inspirado no quadro de mesmo nome do pintor Aivazovsky. Um pequeno barco no meio do oceano. Águas agitadas colocando em risco todos os que a desafiam. Assim é a vida: uma sucessão de riscos que somos obrigados a superar em meio a agitação dos dias. Mesmo que  a luz do sol sugira algum conforto, a força do imprevisto surge desafiando os corajosos e os conformados. A força é igual para todos, a única diferença é o que pensamos sobre tais acontecimentos. Reação da mente para mudar a realidade que vemos agora. Persistência. O contato com a filosofia budista ajuda muito e acaba criando uma consciência antes ignorada pelos castigos  oriundos das más ações. Causa e efeito. Saber que alguém precisa de ajuda e tentar ajudar. De uma maneira, de outra e assim continuar. Aceitando ou não a ajuda, ainda assim cumprirei minha missão. Ou dever. Ou opção. Visão. Vontade. Teimosia. Seja lá o nome que se queira dar.

Thais Petranski


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Falar de cores



Senta aqui perto
Vamos falar de cores
Fecha esse livro e vem conversar
Abra um sorriso imenso
Levante os óculos e nem veja mais nada
Tarde de sol não é pra trabalhar
Nem pra estudar
Vem cá e vamos falar de bobeiras
De música, de comida ou do planeta que ela veio
E você de que planeta é?
Leia este livro daqui a pouquinho
Vamos falar do tempo
Do ontem e inventar histórias
Abra os olhos, com ou sem lente
E conte uma bobagem qualquer
E fique rouca de tanto rir
Não liga não é só brincadeira
Em alguns minutos voltarei pra minha casquinha
E é divertido lembrar do riso.
Senta aqui perto e vem falar de cores.

Thais Petranski

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Ser de luz, assim é Chavela Vargas. Esteja onde estiver.

Publicada em 08/08/2012



Hoje,  oito de agosto de 2012, é a primeira quarta feira sem a presença física de Chavela Vargas. Oficialmente, este é o primeiro texto que escrevo desde o último domingo.
O que posso dizer é que ela é um exemplo de força e determinação. Fez tudo o que sempre quis até o fim de sua vida. Quem é que depois de 90 anos ainda tem ânimo para gravar 2 cds, subir ao palco e ainda encarar uma viagem do México à Espanha?
Chavela Vargas entrou em minha vida em uma noite de sábado, quando fui golpeada por sua incrível voz. Após os momentos iniciais ao impacto, minha visão mudou e passei a ver caminhos que antes não existiam.
Interessei-me por tudo o que rodeava aquela tal cantora cujo documentário era dedicado. México, mariachis, a comemoração do dia dos mortos, Frida Kahlo e tantas outras coisas que hoje fazem parte de mim. Na verdade, encontrei o que faltava.
Tive algumas oportunidades de estar ao seu lado, em sua casa em Tepoztlán. A primeira vez, a esperei sair de sua vida simples, sem posses e solitária para que estivesse em seu jardim. Nesse dia, senti o campo de energia que emanava daquela senhora, tão forte que não consegui  aproximar-me mais. Não é exagero meu, todos os que puderam estar perto dela confirmam isso.
Para ela decidi escrever uma carta, que virou um livro chamado: Siga o seu coração: busque Chavela Vargas! e a presenteei com minha inspiração, um ciclo de perfeita harmonia.
Meu maior presente, foi vê-la lendo minhas palavras.
Nunca havia pensando em escrever um livro e para ela escrevi logo dois! Sim, há a versão ilustrada do livro em questão.
Me declarei a ela diversas vezes e levarei seu nome aonde quer que eu esteja. E isso ela já sabia.
Como ela mesma disse, ela não morreu, transcendeu e foi o que aconteceu.
Domingo senti sua partida, confirmada poucas horas depois e percebo que sempre existirá essa forte ligação. Mesmo não estando fisicamente presente, aqui ela está. Aqui, no México, na Espanha e em todos os lugares onde houver um coração que precise de conforto, a última Xamana continuará curando os males de amor. Lindas homenagens foram feitas e daqui de longe observei tudo muito emocionada. Ela merece todo o reconhecimento do universo! Sim, ela está em um nível acima dos humanos comuns, como eu e você.
Chavela Vargas: uma mulher absurdamente forte, decidida, simples e iluminada que eu tive a imensa honra em conhecer.
Viva sempre Chavela Vargas!
Te amo!

Thais Petranski


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Porque lá deixei minha alma estacionada

Publicada em julho de 2012


Deus lhe empresta a vida, mas ainda tem vários planos. “Já tenho vontade de descansar eternamente, a única coisa que me resta é voltar a Madrid, porque lá deixei minha alma estacionada. Tenho que voltar a buscá-la e com certeza voltarei. Não sei quando exatamente, mas tenho que reencontrar-me com meus velhos amigos!.
Há alguns dias, Chavela Vargas voltou da Espanha, realizou outro sonho, o de estar com seus amigos na terra que tanto ama.
Ontem, soube que ela voltou a ser hospitalizada. Não está bem e os médicos dizem que “a senhora Vargas está demonstrando a todo momento a força e a capacidade de lutar que a caracteriza”. Segue lúcida.
Hoje foi um longo dia para mim, meus pensamentos todos estão com ela agora, rezei por sua felicidade e me sinto estranha.
Creio que ela esteja falando com a morte agora, cantando para ela e é só sua a decisão de ficar conosco ou ir.
Tudo podemos esperar de Chavela, só aguardamos sua decisão final.
Te amo muitíssimo.
Viva Chavela Vargas! Queira o que queira.

Thais Petranski


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Coberta lilás



Sobre a mesa, copos caídos, toalha manchada.
Coberta de pano lilás sobre a cama.
Pano amassado, pés descalços descançam
Sobre a mesa, depois dos copos e do pano manchado
Cobertos de tecido sobre a cama fria
Bordada pele clara liberta do salto
Sentindo o chão frio em relevo
Depois a mesa, a cama e o copo vazio.

Thais Petranski