Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

terça-feira, 26 de março de 2013

Sementes



Ali o vento passa, levando a poeira do luto,
Passa e arrasta pequenas sementes que poderiam se fixar na terra úmida
Já não sabemos do futuro, nem do agora, mas as raízes não crescerão, a menos que sejam cuidadosamente cultivadas.
Longe da ventania, a cidade segue sua rotina agitada
E afasta qualquer possibilidade de laço
Multidão vazia, peito aberto.
Só o vento dança entre nós
Empurrando os dias e levando as noites
Pra longe daqui.

domingo, 17 de março de 2013

Palavras mudas



Presas na garganta, ou perdidas no espaço, as palavras mudas se tornam presentes quando mais precisamos ouvi-las. Difícil entender a força que as impede de soar e ressoar. Incompreensível podemos dizer. O que pode ser mais grave que o silêncio absoluto? A inércia absoluta? A mentira criada ou a verdade não dita?
   Nada. Nada é pior que o silêncio.
   Mesmo quando as mais variadas oportunidades são dadas, a palavra insiste em calar-se. Imóvel, paralisa o tempo, as esperanças e todo o encanto de se poder discutir qualquer assunto. Imaturas e covardes palavras não ditas, que apagam momentos e dias de verão, que matam as flores e sufocam os pensamentos.
   Palavras medrosas e covardes que permanecem no vácuo cinzento, presas  às correntes da miséria egoísta das verdades não ditas.
   Comunicação covarde.



sexta-feira, 8 de março de 2013

12 de setembro, uma data importante para o Budismo Nitiren e para mim



Em 1271, a perseguição de Tatsunokuti  culminaria com a decapitação do buda original Nitiren Daishonin, após ser incriminado falsamente.
   Quando seu algoz estava preparado para o golpe fatal, surgiram no céu luzes tão grandes como a lua cheia e rápidas como flechas que partiram a espada que decapitaria Nitiren Daishonin.

   Centenas de anos depois, num mesmo 12 de setembro, mais precisamente em 2011, recebi meu Gohonzon. Já faz um ano que sou budista oficialmente e neste período pude comprovar diversas formas de encarar um mesmo problema. É um desafio ser a única pessoa responsável por minha vitória ou derrota, porém, também é tranquilizador saber que nada e ninguém pode interferir na minha revolução humana, se assim eu desejar.
   Revolução humana é mudar e agir de maneira diferente, nem que seja  um pouquinho por vez. Transformar-se pouco a pouco e atingir um nível de consciência antes nem imaginado.
   Como budista, aprendi a fazer a minha parte e comecei a entender que ninguém muda se não quer. Nem doença, nem alegria são capazer de transformar a vida de alguém se essa pessoa não estiver aberta ao novo. E estamos mudando todos os dias. A partir do momento em que percebemos as pequenas mudanças, notamos que tudo sempre esteve em nossas próprias mãos. Que a lei mística e o Nam Myoho Rengue Kyo estejam cada dia mais presentes nesta caminhada.
Obrigada a todas as pessoas que começaram a fazer parte da minha vida neste último ano e por serem exemplo a tantas pessoas que assim como eu, buscam fazer a diferença no mundo.

   Budismo, gestão do conhecimento, teoria U, tudo tão parecido e essencial em minha vida.


segunda-feira, 4 de março de 2013

A vida pode ser mais bela depois de duas doses de tequila


Publicada em 05/09/2012

Dia mais complicado e louco foi o que hoje, tudo junto acontecendo no mesmo instante. Mas ainda é dia 05.
Um mês que “trancendió a Chavela Vargas”. Um mês.
Dia louco, mês estranho, 2012 marcante e eu aqui esperando respostas.
Fazendo mais perguntas, selecionando tudo cada vez mais. Gosto de frases cortadas e palavras cheias. Verdadeiras. Palavras ditas e feitas. E de pessoas que honrem o que dizem.
No meio da confusão deste dia, até que consegui reverter (um pouco) a pressão falando de tequila com o Creck Picadinho e no auge da minha sabedoria aconselhei com um desabafo: “Todos os problemas são resolvidos com duas doses de tequila”. Ele até que concordou! Naquele momento, determinei o que faria quando chegasse em casa.
Acabando tarde e precisando transcender (de alguma maneira que um mortal comum consiga realizar). Sexo? Drogas? Rock n`roll (ou rancheira)??? Não! TEQUILA!!!
Aqui estou, escrevendo com duas doses de tequila na cabeça que desceram leves, leves, mesmo com o amargo do limão. Tudo fica tão lindo e engraçado quando se tem uma garrafa cheia em casa. O segredo da beleza é o nº 2. Só duas doses. Três já iniciam outros problemas. E agora este dia 5 parece tão alegre e calmo, que posso ouvir qualquer tipo de resposta sem me abater.
E por falar em respostas, alguém tem alguma pergunta?
(ai, cocei os olhos com os dedos de limão e sal). Joooder. Viva México cabrones!

Thais Petranski