Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo." - Pablo Neruda

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Para que serve uma mulher sem marido?


É bem possível que toda a sociedade esteja absolutamente certa a respeito das mulheres. Não é machismo não, é a pura verdade.
Olha só que confuso:

  • mulher precisa trabalhar, ser independente, ter seu dinheiro (que nunca dá pra comprar a casa que se quer, ou ser independente financeiramente de verdade);
  • regra número 1: nunca dar no primeiro encontro para não parecer fácil;
  • mas também não pode dar pra muita gente, senão fica muito "rodada";
  • tá sem namorado? Pera que vou te arrumar um amigo do primo do vizinho da minha colega do colégio;
  • Mulher precisa ter namorado;
  • se namora, precisa casar, caso contrário não namoraria;
  • casou? Ah muito bom! Agora é hora de fabricar filhos! CASO 1 Não quer ter filhos??? Então por que casou? Toda mulher precisa de filhos, você pode não querer agora, mas vai mudar de ideia. CASO 2 E aí já engravidou? Quando vai me dar um netinho?(pergunta mais impertinente). Porém, para isso também há uma regra básica: um é pouco, dois é perfeito, se for um "casalzinho" é a glória. Mas se engravidar do terceiro...aí já está na hora de parar;
  • marido traiu? A esquece isso, pensa nos seus filhos, ou quer voltar pra casa da sua mãe?(olha a praga rogada!);
  • tem trinta e não casou? Vamos analisar as possibilidades: ou é lésbica, ou louca, ou insuportável que ninguém aguenta, ou tem algum problema seríssimo;
  • não aguentou as chifradas do marido e se divorciou? Aí sim filha, está fodida pro resto da vida.
O que faz uma mulher sem marido???
Pra esmagadora maioria, uma mulher sem macho não é nada. A mulher sem macho é triste, sofre por não ter um pau pra chamar de seu, por não ter um cobertor de "orelha" (fala sério, cobrir a orelha por quê se há tanta coisa pra cobrir e descobrir?).

Tanto abominei esse tipo de pensamento e agora começo a acreditar em cada um. Antes de me xingar de machista e mal amada, olhe em volta. Observe suas amigas solteiras, suas colegas de trabalho, até mesmo aquele menina ali almoçando sozinha naquele restaurante tão legal.
Não deu uma peninha? Então, é disso que estou falando. Que essa ideia está enraizada no inconsciente coletivo do qual fazemos parte e não se pode lutar contra isso.

 Nada mais a declarar #ehfodasermulher


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Agora

Pior quando chega a noite, as mesmas ruas de antes, diferentes porque estão sem nós
Mais frias, com mais calçadas, menos folhas, mais espaço
Tudo congelado como antes dos nossos passos, que iam e vinham diversas vezes
Só os passos solitários agora, indo sempre ao mesmo local
Os olhos chegam a buscar o que já não é
Em vão.

sábado, 22 de junho de 2013

Sapatos vazios


Ecoam risadas perdidas
na grande penumbra ansiosa
Saudade por toda parte,
pisoteada pelos sapatos verdes
Só a mudez do presente vazio.
Risada larga já não vejo
Nem os olhos brilhantes estão aqui.
Estão de certa forma, mas não me miram
Desejo que não acaba
Resposta que não vem
Revendo com outros olhos, só vejo o nada
Reflexo de quem partiu.

sábado, 15 de junho de 2013

Talvez (Pablo Neruda)

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,

E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

terça-feira, 28 de maio de 2013

Vida Wendy

Wendy Clementina de Jesus
28/08/1998 - 28/05/2013


Me lembro daquele início de outubro de 1998 quando a peguei na gaiolinha do pet shop, pequenininha, mais preta do que amarela. Bonitinha aquela gatinha de nariz vermelho. Chegamos em casa e dei ração e ao me aproximar ela se mostrava bem nervosa me "ameaçando" com sua gigantesca pata de 2 cm. Personalidade marcante desde bebezinha. Gostava de bizarrices, como dormir no bidê e usar a pia, aliás, viveu muito tempo nos banheiros durante sua juventude. Foi doidinha, briguenta, teve dois filhotes no primeiro dia de 2000, fugiu por três meses de casa até voltar misteriosamente da mesma maneira que saiu. Corria pelos corredores de madrugada, e com coices abria a porta do quarto.Entrou no cio mensalmente mesmo sendo castrada por longos anos, época em que era magrinha,mas quando atingiu a melhor idade felina ficou gorda e um pouco flácida, mais ou menos no mesmo período em que começou a apresentar problemas de saúde. Ficou mais calma, mas nunca perdeu a vontade de explorar novos horizontes e topos de guarda roupas. Escolheu a cama da Tânia por anos e se mudou pra minha há alguns meses. Nos últimos 3 anos passou por várias visitas, exames e controles do veterinário. Mas a cirurgia com biópsia, que seria a única certeza da presença do linfoma, não foi feita por ser invasiva e arriscada devido a sua idade.
Cuidamos com muito amor e carinho da nossa velhota, que começou a perder a qualidade de vida no último sábado. Muito fraca, desidratada, começou a se cansar muito, não tendo mais forças nas finas pernas.
 Hoje perdemos nossa bebê Wendy.
 Esteve conosco por 14 anos e exatos 9 meses e continuará em nossas vidas para sempre.
Obrigada bebê Wendy pela companhia, pela diversão e amor, por todos os olhares dos esprimidos olhinhos amarelos, pelo apreço ao som estridente da gaita e assobios, pelos iogurtes de morango divididos e por nos escolher como donas.
Sempre amarei muito a minha Vida Wendy =^.^=.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A morte não santifica ninguém



   Diversos seres em um. Estados de vida que se alternam diversas vezes ao dia. Assim somos nós.
   Lutamos por nossos ideais, ou pelo que achamos correto e assim seguimos a vida fazendo o que acreditamos. Ora felizes, ora irritados. Estados que nos dominam tantas vezes, só melhoramos se nos conscientizamos de que tudo que nos ocorre têm um porquê, tudo pode ser uma grande oportunidade para transformarmos um comportamento ruim que insistimos em ter. Assim crescemos.
   Todos deixam uma lição, e muitas pessoas se destacam entre os amigos, que são os irmãos que não tiveram e acabam forjando sua grande obra entre eles. A morte não santifica ninguém, mas oferece aprendizado a quem fica. É isso que precisamos entender.
   Alguém que não nos inspira pode ter sido muito importante para alguém, ou para um grupo imenso de pessoas. Todos têm uma missão por aqui, porém, nem sempre o convívio familiar é o local onde executaremos essa missão.
   A religião une pessoas que temos que conhecer, e se a crença de um não é igual à do outro, essa também é uma oportunidade para aprendermos a lição mais importante da vida: respeito à vida.
   Lembremos-nos disso na próxima vez que começarmos a pensar que o que o outro fez em vida foi falso, hipócrita ou errado.
   Ninguém é totalmente errado a ponto de não deixar nenhuma lição de vida.
   Todos nós temos a capacidade de inspirar grupos, por menores que sejam. Sempre podemos levar a felicidade a alguém que já não têm esperança e fazê-la multiplicar. Esse é um dos estados de vida que todos temos: o Estado de Buda.
   Desperte a alegria e felicidade absoluta perdida em seu coração e recomece a cada dia.
   Refletir sobre o que fazemos, pensamos e falamos determinará o legado que deixaremos.
   Você também não acerta o tempo todo, não cobre isso do outro, menos ainda se a pessoa em questão já morreu.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

O tempo e o nada



Certo dia, João percebeu que tinha o que tantos desejavam. Nada em excesso, mas o suficiente para viver dignamente e feliz. Oportunidades surgiam. Umas ele aproveitava, outras deixava passar. Não tinha a ver com aquela tal zona de conforto, isso é pra quem não quer arriscar, ele não tinha era vontade de fazer outra coisa. Estava tudo bem e isso bastava. As pessoas ao redor o invejavam por sua sorte, era assim que diziam: pessoa de sorte esse "Jão", tem tudo, tudo chega fácil pra ele. Ele fazia o que tinha vontade, lutava pelo que queria e era isso, nada demais, nenhum segredo, era o básico do básico. Sabia que tinha preguiça muitas vezes, sabia que poderia ser melhor, mas não sofria por passar por essas fases.

João percebeu que o que tinha estava perfeito. E era essa perfeição básica que o fazia ter certeza de que não tinha nada que não pudesse ser substituído.


domingo, 21 de abril de 2013

Vida interessante



 "Pessoas com vidas interessantes não têm fricote. Elas trocam de cidade. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor, compram passagens só de ida.
   Para os rotuladores de plantão, um bando de inconseqüentes. Ou artistas, o que dá no mesmo. Ter uma vida interessante não é prerrogativa de uma classe. É acessível a médicos, donas de casa, operadores de telemarketing, professoras, fiscais da Receita, ascensoristas. "

   Este, é um trecho do livro Doidas  e Santas de Martha Medeiros, que andou circulando pelas redes sociais recentemente. É ótimo porque é simples e diz tudo. Nos faz pensar em como não escrevemos isso antes se era exatamente o que queríamos falar? A simplicidade da escrita cutuca quem lê, a ponto de fazer questionar o quão interessante pode ser uma vida e o que se pode fazer para transformá-la.
   Minha nova queridinha. Busco mais inspiração em suas palavras justamente nesta fase "mente branca", preguiçosa e sem inspiração. Vida interessante é faser a vida de alguém interessante, mesmo que com um único parágrafo.


terça-feira, 16 de abril de 2013

Efeito Dumbledore



Estes dias, percebi a necessidade que temos em fantasiar. Talvez, seja uma lacuna que deva ser preenchida constantemente, que nos faz suportar a mesmice dos dias.
   Atos heroicos ou surreais, tudo é possível, até as ações mais mortíferas são facilmente superadas.
   E só me dei conta disso recentemente, quando finalmente comecei a  assistir a saga do bruxinho Potter. O curioso da história, para mim, é a criatividade da autora J.K.Rowling, que mesmo passando por um momento compliciado da vida decidiu colocar no papel toda as genialidade, aquela que não se apaga nem mesmo quando passamos por grandes dificuldades, e deu início a uma nova era da literatura infantil. Ganhou diversos prêmios, foi aclamado pela crítica e público e se tornou a primeira escritora milionária iniciante no mundo, não sem antes ter sua obra recusada por inúmeras editoras.
   Esse é um grande exemplo de que passar por dificuldades é tão natural quanto manter a criança interior presente por toda a vida, e é justamente essa alma criativa e sonhadora que nos faz seguir em frente, buscando superar os desafios e resolver as situações que nos fazem mal. Adulto de verdade é assim, eternamente conectado ao mundo do tudo é possível, onde transforma sua vida pouco a pouco e encanta lentamente todos que os rodeiam.


terça-feira, 9 de abril de 2013

Presa na garganta



Acordei mais cedo que de costume devido à febre e a dor de garganta. À medida que os minutos passavam, os calafrios surgiam em intervalos cada vez menores e após muito refletir, decidi que o melhor a fazer era ir ao hospital tomar uma injeção. Francamente, trocar um dia de trabalho por uma benzetacil, era uma péssima escolha, porém, necessária.
   Com muito custo, saí da cama, avisei que não teria condições de trabalhar e fui ao pronto socorro. O diagnóstico foi rápido e preciso: infecção nas amígdalas. Oh! Nem imaginava! Ainda, tive a opção de escolher entre antibióticos orais ou aquela temida injeção. Fiquei com a segunda opção, tamanha a desgraça física em que me encontrava, mesmo sabendo que ganharia uma nova dor por mais alguns dias. Tortura concluída, voltei mancando para casa.
   Corpo quebrado, bunda doendo e sono chegando, agora sim, poderia repousar o resto do dia!
   Mal cheguei em casa e o telefone começou a tocar, pensei em não atender  já que precisava falar pouco, mas tinha certeza que era coisa rápida.
   -Alô? Oi vó, tudo bem? Quê? Mas o que aconteceu? Para de chorar e me conta. Ah, meu deus... eu tô doente vó, mas venha aqui em casa ficar com a gente até se acalmar, te buscamos naquele ponto de ônibus antes da Ricardo Jafet.
   E lá fui eu arrastando a perna,  atravessando a ponte de madeira podre da avenida para encontrar minha avó aos prantos.
   - O relógio do seu avô! Que burra que fui! (e chorava). Pensei que eles precisavam de ajuda para resgatar o prêmio do bilhete da loteria. O que é que eu fui fazer? Dei o relógio de ouro do seu avô... (e chorava mais um pouco).
   Finalmente entendi o que havia acontecido. Comecei a lembrar da correntinha  que esteve presa na calça do meu falecido avô desde que me conheço por gente. A corrente que seguia bolso adentro terminando num lindo relógio de ouro que era retirado poucas vezes ao dia. Era a herança que ele havia deixado. O objeto que mais representava o Sr. Castro, estava,naquele momento, nas mãos de um desconhecido, sabe-se lá onde.
   Minha avó era a culpa encarnada, não se perdoava por ter caído no golpe do bilhete premiado, jamais se perdoaria por tal deslize.
   A notícia correu e o telefone de casa se tornou a linha das lamentações. Eu e minha irmã, já havíamos escutado a tal história umas onze vez e nos solidarizamos em cada uma delas.  E assim, meus planos de repousar o resto do dia foram por água a baixo.
   Tv ligada e lanchinho para distrair a Dona Adria, eu sentada de lado porque minha perna inteira doía, os gatos assustados, minha irmã perdida no caos da sala e uma irritação começou a surgir em meu peito. O choro foi ficando mais baixo e passamos a ouvir uma outra voz vinda da rua, a trilha sonora começou a mudar.
   - Olha aí, olha aí freguesia, são as deliciosas pamonhas! Pamonhas fresquinhas pamonhas caseiras é o puro creme do milho verde. Temos pamonhas doce, pamonhas de sal, “souvete” e bolo de milho. Venha provar minha senhora, é uma delícia!
   Era só o que faltava, o carro da pamonha estacionado na pracinha, espalhando pelo bairro o tal texto obsessivo compulsivo. Não era possível que além de toda aquela “falação” em casa a voz daquela gralha da pamonha aumentasse pouco a pouco.
   Eu não merecia aquilo! Estava doente! Que falta de respeito!
   ... temos pamonhas doce, pamonhas de sal, “souvete” e bolo de milho. QUE DIABOS É UMA PAMONHA DE SAL???  É salgada sua idiota! Essa vaca não sabe falar a palavra SOR-VE-TE???
   Meu sangue fervia, mas logo o carro seguiria seu rumo e irritaria outras pessoas, ao menos era o que pensava.
   À medida que o som se aproximava, minha avó aumentava o volume do choro, eu o da televisão e o telefone continuava a tocar, alguns minutos enlouquecedores até o som ficar ensurdecedor. O carro da pamonha parou na minha porta!
   -Olha aí, olha aí freguesia, são as deliciosas pamonhas!
   Aquilo era demais para mim!!!  Esqueci toda a dor e o repouso das cordas vocais e saltei em direção ao portão.
   - Sua filha da puta! Enfia essas pamonhas no cú!!!!
   - O que? A senhora quer pamonha???
   Ao ouvir aquela pergunta estúpida, me agarrei ao portão trancado esperando que o cadeado estourasse com a minha fúria. Naquele momento, eu parecia um gorila enlouquecido numa jaula.
   Aos berros, acabei ameaçando a motorista do carro da pamonha,  por sorte, o portão não abriu, e logo o sedan vinho começou a se movimentar para buscar uma nova freguesia.
   E lá continuei, pensando que aquele ataque de fúria conseguiu ser pior que a dor de garganta e a benzetacil  e que jamais deveria ter saído da cama aquele dia.


sábado, 6 de abril de 2013

Arte obrigatória: suja a cidade que eu reciclo



Exato dia entre o Cavalete Parade e o primeiro turno das eleições para prefeito e vereador e ainda não escolhi o destino do meu voto. Pra falar a verdade, é nojento ser obrigada a votar diante de opções tão estúpidas, mas pior que isso, é saber que esta cidade será governada por um palhaços que se candidataram. Gostaria de votar só para vereador, naquele que vê também que os animais merecem respeito. Nada do top model descabelado do bairro que determinou que seus cavaletes devem me assustar a cada manhã em que viro a esquina de casa, muito menos no jornaleiro que nos atormenta gritando no dia das crianças por horas a fio e que durante o resto da ano cobra uma mísera impressão p&B R$2,00. Exatamente, dois reais por uma folha impressa. Com pequenos exemplos tão próximos, a escolha fica mais complicada.
   E que invenção é essa de espalhar cavaletes com cara de vagabundo pelas ruas? Não basta o monte de papel jogado na calçada, no jardim de casa, no meio da rua? Papel não incomodava o bastante, precisava ter mais lixo na rua. E ainda por cima "emoldurado" com tábua de estrado.
   Fico feliz por ter participado no último sábado do Cavalete Parade, onde cada pessoa retirou das ruas um cavalete de político, pintou e o expôs na Avenida Paulista. Obras lindas, intrigantes e simples que deixaram um recadinho para os porcalhões de plantão: suja a cidade que eu reciclo.
   A arte sim, deveria ser OBRIGATÓRIA. O voto não.


terça-feira, 26 de março de 2013

Sementes



Ali o vento passa, levando a poeira do luto,
Passa e arrasta pequenas sementes que poderiam se fixar na terra úmida
Já não sabemos do futuro, nem do agora, mas as raízes não crescerão, a menos que sejam cuidadosamente cultivadas.
Longe da ventania, a cidade segue sua rotina agitada
E afasta qualquer possibilidade de laço
Multidão vazia, peito aberto.
Só o vento dança entre nós
Empurrando os dias e levando as noites
Pra longe daqui.

domingo, 17 de março de 2013

Palavras mudas



Presas na garganta, ou perdidas no espaço, as palavras mudas se tornam presentes quando mais precisamos ouvi-las. Difícil entender a força que as impede de soar e ressoar. Incompreensível podemos dizer. O que pode ser mais grave que o silêncio absoluto? A inércia absoluta? A mentira criada ou a verdade não dita?
   Nada. Nada é pior que o silêncio.
   Mesmo quando as mais variadas oportunidades são dadas, a palavra insiste em calar-se. Imóvel, paralisa o tempo, as esperanças e todo o encanto de se poder discutir qualquer assunto. Imaturas e covardes palavras não ditas, que apagam momentos e dias de verão, que matam as flores e sufocam os pensamentos.
   Palavras medrosas e covardes que permanecem no vácuo cinzento, presas  às correntes da miséria egoísta das verdades não ditas.
   Comunicação covarde.



sexta-feira, 8 de março de 2013

12 de setembro, uma data importante para o Budismo Nitiren e para mim



Em 1271, a perseguição de Tatsunokuti  culminaria com a decapitação do buda original Nitiren Daishonin, após ser incriminado falsamente.
   Quando seu algoz estava preparado para o golpe fatal, surgiram no céu luzes tão grandes como a lua cheia e rápidas como flechas que partiram a espada que decapitaria Nitiren Daishonin.

   Centenas de anos depois, num mesmo 12 de setembro, mais precisamente em 2011, recebi meu Gohonzon. Já faz um ano que sou budista oficialmente e neste período pude comprovar diversas formas de encarar um mesmo problema. É um desafio ser a única pessoa responsável por minha vitória ou derrota, porém, também é tranquilizador saber que nada e ninguém pode interferir na minha revolução humana, se assim eu desejar.
   Revolução humana é mudar e agir de maneira diferente, nem que seja  um pouquinho por vez. Transformar-se pouco a pouco e atingir um nível de consciência antes nem imaginado.
   Como budista, aprendi a fazer a minha parte e comecei a entender que ninguém muda se não quer. Nem doença, nem alegria são capazer de transformar a vida de alguém se essa pessoa não estiver aberta ao novo. E estamos mudando todos os dias. A partir do momento em que percebemos as pequenas mudanças, notamos que tudo sempre esteve em nossas próprias mãos. Que a lei mística e o Nam Myoho Rengue Kyo estejam cada dia mais presentes nesta caminhada.
Obrigada a todas as pessoas que começaram a fazer parte da minha vida neste último ano e por serem exemplo a tantas pessoas que assim como eu, buscam fazer a diferença no mundo.

   Budismo, gestão do conhecimento, teoria U, tudo tão parecido e essencial em minha vida.


segunda-feira, 4 de março de 2013

A vida pode ser mais bela depois de duas doses de tequila


Publicada em 05/09/2012

Dia mais complicado e louco foi o que hoje, tudo junto acontecendo no mesmo instante. Mas ainda é dia 05.
Um mês que “trancendió a Chavela Vargas”. Um mês.
Dia louco, mês estranho, 2012 marcante e eu aqui esperando respostas.
Fazendo mais perguntas, selecionando tudo cada vez mais. Gosto de frases cortadas e palavras cheias. Verdadeiras. Palavras ditas e feitas. E de pessoas que honrem o que dizem.
No meio da confusão deste dia, até que consegui reverter (um pouco) a pressão falando de tequila com o Creck Picadinho e no auge da minha sabedoria aconselhei com um desabafo: “Todos os problemas são resolvidos com duas doses de tequila”. Ele até que concordou! Naquele momento, determinei o que faria quando chegasse em casa.
Acabando tarde e precisando transcender (de alguma maneira que um mortal comum consiga realizar). Sexo? Drogas? Rock n`roll (ou rancheira)??? Não! TEQUILA!!!
Aqui estou, escrevendo com duas doses de tequila na cabeça que desceram leves, leves, mesmo com o amargo do limão. Tudo fica tão lindo e engraçado quando se tem uma garrafa cheia em casa. O segredo da beleza é o nº 2. Só duas doses. Três já iniciam outros problemas. E agora este dia 5 parece tão alegre e calmo, que posso ouvir qualquer tipo de resposta sem me abater.
E por falar em respostas, alguém tem alguma pergunta?
(ai, cocei os olhos com os dedos de limão e sal). Joooder. Viva México cabrones!

Thais Petranski


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Que o faça



"Se você quer me atingir, que o faça. Se quer me difamar, que o faça também. Mesmo que eu vá preso por causa de minhas convicções, irei com toda a honra, mas ainda assim cumprirei minha missão!"
   Esta frase faz parte do poema Nona Onda, de Daisaku Ikeda, inspirado no quadro de mesmo nome do pintor Aivazovsky. Um pequeno barco no meio do oceano. Águas agitadas colocando em risco todos os que a desafiam. Assim é a vida: uma sucessão de riscos que somos obrigados a superar em meio a agitação dos dias. Mesmo que  a luz do sol sugira algum conforto, a força do imprevisto surge desafiando os corajosos e os conformados. A força é igual para todos, a única diferença é o que pensamos sobre tais acontecimentos. Reação da mente para mudar a realidade que vemos agora. Persistência. O contato com a filosofia budista ajuda muito e acaba criando uma consciência antes ignorada pelos castigos  oriundos das más ações. Causa e efeito. Saber que alguém precisa de ajuda e tentar ajudar. De uma maneira, de outra e assim continuar. Aceitando ou não a ajuda, ainda assim cumprirei minha missão. Ou dever. Ou opção. Visão. Vontade. Teimosia. Seja lá o nome que se queira dar.

Thais Petranski


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Falar de cores



Senta aqui perto
Vamos falar de cores
Fecha esse livro e vem conversar
Abra um sorriso imenso
Levante os óculos e nem veja mais nada
Tarde de sol não é pra trabalhar
Nem pra estudar
Vem cá e vamos falar de bobeiras
De música, de comida ou do planeta que ela veio
E você de que planeta é?
Leia este livro daqui a pouquinho
Vamos falar do tempo
Do ontem e inventar histórias
Abra os olhos, com ou sem lente
E conte uma bobagem qualquer
E fique rouca de tanto rir
Não liga não é só brincadeira
Em alguns minutos voltarei pra minha casquinha
E é divertido lembrar do riso.
Senta aqui perto e vem falar de cores.

Thais Petranski

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Ser de luz, assim é Chavela Vargas. Esteja onde estiver.

Publicada em 08/08/2012



Hoje,  oito de agosto de 2012, é a primeira quarta feira sem a presença física de Chavela Vargas. Oficialmente, este é o primeiro texto que escrevo desde o último domingo.
O que posso dizer é que ela é um exemplo de força e determinação. Fez tudo o que sempre quis até o fim de sua vida. Quem é que depois de 90 anos ainda tem ânimo para gravar 2 cds, subir ao palco e ainda encarar uma viagem do México à Espanha?
Chavela Vargas entrou em minha vida em uma noite de sábado, quando fui golpeada por sua incrível voz. Após os momentos iniciais ao impacto, minha visão mudou e passei a ver caminhos que antes não existiam.
Interessei-me por tudo o que rodeava aquela tal cantora cujo documentário era dedicado. México, mariachis, a comemoração do dia dos mortos, Frida Kahlo e tantas outras coisas que hoje fazem parte de mim. Na verdade, encontrei o que faltava.
Tive algumas oportunidades de estar ao seu lado, em sua casa em Tepoztlán. A primeira vez, a esperei sair de sua vida simples, sem posses e solitária para que estivesse em seu jardim. Nesse dia, senti o campo de energia que emanava daquela senhora, tão forte que não consegui  aproximar-me mais. Não é exagero meu, todos os que puderam estar perto dela confirmam isso.
Para ela decidi escrever uma carta, que virou um livro chamado: Siga o seu coração: busque Chavela Vargas! e a presenteei com minha inspiração, um ciclo de perfeita harmonia.
Meu maior presente, foi vê-la lendo minhas palavras.
Nunca havia pensando em escrever um livro e para ela escrevi logo dois! Sim, há a versão ilustrada do livro em questão.
Me declarei a ela diversas vezes e levarei seu nome aonde quer que eu esteja. E isso ela já sabia.
Como ela mesma disse, ela não morreu, transcendeu e foi o que aconteceu.
Domingo senti sua partida, confirmada poucas horas depois e percebo que sempre existirá essa forte ligação. Mesmo não estando fisicamente presente, aqui ela está. Aqui, no México, na Espanha e em todos os lugares onde houver um coração que precise de conforto, a última Xamana continuará curando os males de amor. Lindas homenagens foram feitas e daqui de longe observei tudo muito emocionada. Ela merece todo o reconhecimento do universo! Sim, ela está em um nível acima dos humanos comuns, como eu e você.
Chavela Vargas: uma mulher absurdamente forte, decidida, simples e iluminada que eu tive a imensa honra em conhecer.
Viva sempre Chavela Vargas!
Te amo!

Thais Petranski


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Porque lá deixei minha alma estacionada

Publicada em julho de 2012


Deus lhe empresta a vida, mas ainda tem vários planos. “Já tenho vontade de descansar eternamente, a única coisa que me resta é voltar a Madrid, porque lá deixei minha alma estacionada. Tenho que voltar a buscá-la e com certeza voltarei. Não sei quando exatamente, mas tenho que reencontrar-me com meus velhos amigos!.
Há alguns dias, Chavela Vargas voltou da Espanha, realizou outro sonho, o de estar com seus amigos na terra que tanto ama.
Ontem, soube que ela voltou a ser hospitalizada. Não está bem e os médicos dizem que “a senhora Vargas está demonstrando a todo momento a força e a capacidade de lutar que a caracteriza”. Segue lúcida.
Hoje foi um longo dia para mim, meus pensamentos todos estão com ela agora, rezei por sua felicidade e me sinto estranha.
Creio que ela esteja falando com a morte agora, cantando para ela e é só sua a decisão de ficar conosco ou ir.
Tudo podemos esperar de Chavela, só aguardamos sua decisão final.
Te amo muitíssimo.
Viva Chavela Vargas! Queira o que queira.

Thais Petranski


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Coberta lilás



Sobre a mesa, copos caídos, toalha manchada.
Coberta de pano lilás sobre a cama.
Pano amassado, pés descalços descançam
Sobre a mesa, depois dos copos e do pano manchado
Cobertos de tecido sobre a cama fria
Bordada pele clara liberta do salto
Sentindo o chão frio em relevo
Depois a mesa, a cama e o copo vazio.

Thais Petranski

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Reviva México. Viva México!



País lindo, governo podre
podridão no poder, extorquindo e comprando votos por 500 pesos
Peso do crime, disfarçado de político honesto e jovem
Jovem marginal com passado dúvidoso e presente ilegal.
Ilegal é a paz do povo, que não pode sorrir com tanto crime organizado pelo governo
Governos corrupto que escandaliza diariamente roubando tudo o que vê.
Vejo a ditadura de Gadafi na figura jovem de Pieña Nieto comprador de votos
Votos manipulados grosseiramente, recontados pela ignorância pobre
Pobre México, gigante adormecido, ou águia agonizante?

Futuro incerto, gerações condenadas à escravidão eterna
eternizando a fraqueza das pessoas de bem
bem como, exterminando  a grandiosidade cultural
Cultura para quê, se o que rege o mundo é o dinheiro?
Dinheiro não compra paz, nem futuro, nem saúde.
Saúde mexicanos!
Brindem a força conjunta, façam algo diferente para que isso acabe
Acabem com o desânimo do comodismo, recontem os votos e estejam nas ruas
O México é do povo, e não do povo que toma o poder.
Viva México!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mim



Parti do Brasil, cria vazia com título de imperatriz
Escolhida no maldito potencial felino
Ora vadia atriz, ora negativa filha.

Poderia partir sorrindo, permitindo a vida sim
Vi na língua sentido e no ouvido equilíbrio redigido
Cretina lista discursiva da teoria perdida da brisa.

Poderia partir do Brasil feliz e gentil
Pra um país sem rinite ou gosto de anis
No íntimo de um primaveril domingo de Frida.

Poderia e parti do Brasil descobrindo a vida
Quis o sim à míngua na sílaba perdida
E vi o exercício festivo de Thais.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Agora



É impressionante como tudo acontece no tempo certo, e esse tempo raramente é o nosso tempo. Não o que queremos, mas quando estamos preparados. E é justamente isso, essa espera para colher os frutos que nos faz avançar cada vez mais.
Seguir sempre em frente e ter consciência de que a recompensa virá. Recompensa não, resultado.
Todos merecem o melhor. Difícil é ter foco e paciência para esperar, mas é justamente assim que aprendemos o que é realmente a vida. Pode parecer papo de vó, mas é a pura verdade.
O importante é plantar bons frutos e nunca esquecer de que a época certa para começar é agora.
Mudar a estratégia hoje para receber os benefícios amanhã.
Assim que é.
:)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Sol


Desejei tuas respostas infinitamente
Dia após dia elas se minimizaram até sumirem de vez
Tentei ouvir teu silêncio, mas, nada me dizia.

Nada para mim. Nenhum plano, nenhum querer
Só a distância elevada ao cubo.

Sem tempo, sem amor
Sem atenção, sem sementes vivas.

Saudade do sol da primavera,
Da voz pausada
Do seu riso ligeiramente torto

Tudo são só palavras agora, mudas e invisíveis
Que só queriam voltar à vida para dizer
Que sua mudez ainda é o que deixei
Naquela manhã fria de novembro.

Thais Petranski

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Terra



Museu no quarto das cores perdidas
Entre rostos congelados e sorridentes
Quadros pendurados, pintados, empoeirados.

Cores encontradas no fundo da lembrança
Derramadas entre o pano e o concreto
Pedaço de rocha colorido se mantém:
Enumerado, imóvel e vermelho.

Cópias quase perfeitas da terra distante
Que se espalhou pelo corpo árido
Semente rara que quer voar.

E voando acaba perdida na casa amarela ou azul
Longe daqui, de lá. Em lugar nenhum.
Acaba presa na terra de sempre
Desejando a liberdade de trocar de cor.

Thais Petranski

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Água



Primeiro poema do curso. O primeiro de vários. Espero que gostem, mesmo estando um pouco discursivo e racional. :)

Ela traz a vida em seu deslizar
Mantendo a natureza sempre ao seu redor
Presente em tudo e todos
Do início ao fim.

 Em excesso ou poluída, mata.
O mesmo ocorre quando escassa
Tempestade, maré alta, avalanche,
Vapor, deserto, sede.

Belas são suas formas enquanto praias
Intrigantes quando estalactites
Encantadora quando cai em flocos
E ameaçadoras enquanto “icebergs”

Onipresente, é a deusa da vida.
Água que tudo leva, lava e traz.

Aqui na terra da garoa
Falta-me seu estado “água de frutas”
A doce maneira mexicana de refrescas a vida
Com muito gelo e pedaços de frutas
Essa água sim tem cheiro, cor e forma de vida feliz.

Delícia do verão



Depois de um mês de chuva, garoa, céu nublado e afins, eis que surge o tempo do verdadeiro verão! Céu azulzinho, calor infernal, suor escorrendo o dia todo, uma nojeira, mas...é verão!

Dias escaldantes sem coragem de colocar o pé na rua. Roupa social? É uniforme de guerra, mas são só mais 2 meses desta linda estação. Aproveite as lindas noites sem vento para abrir bem as janelas em busca de uma mísera brisa que seja para sentir a alegria de respirar. Cheiro de dama da noite entorpecendo todos que cruzam o jardim, nutrindo a alma de vida perfumada.  Tome vários banhos ao dia e vá dormir pensando na praia do fim de semana, na piscina com a galera e quando estiver pegando no sono...zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeemmmmmmmmmmmmm.

A alegria vira fúria quando toda a delícia do calor nos presenteia com pernilongos. Ahhh, os pernilongos. Sempre fazendo barulho nos nossos ouvidos para que não fiquem sós numa noite tão agradável. É bobagem acender a luz, uma vez que são invisíveis. Ao contrário dos vaga-lumes que se fazem bem visíveis quando voam, os pernilongos têm o poder secreto da invisibilidade. Quando vamos em sua direção ele some misteriosamente, para aparecer somente quando nosso sono chegar. Adoro insetos, os bonitinhos como joaninhas, os feios como o bicho graveto e as mosquinhas de banheiro, mas não me venha com pernilongos! Eles são demais para mim! Vivem aos meus pés, deixando suas imensas picadas vermelhas tatuadas. Não picam braços, nem costas, nem nada além de meus pés. Ainda não entendi essa preferência, mas não faz diferença. Detesto pernilongos. Não sei que tanta fome têm esses mini vampiros que sempre querem mais sangue. O pior é que acabamos com um e aparece uns dez no lugar. Talvez seja a família inteira com sede de vingança, porque estes sim, picam com ódio, fazem mais barulho e mais estrago. Os sprays ajudam mas ficar 24 horas respirando SBP é inviável. Contra eles só mesmo um predador natural. Sapo gosta de mosca, será que come pernilongo também? Farei uma criação de sapinhos e se eles derem conta desses meus inimigos... eu disse criação de sapos? Aqueles bichinhos gosmentos que fazem barulho durante a noite??? Pensando bem, melhor fazer um estoque de repelente mesmo.

Texto de Thais Petranski e ilustração de Maurício Rett

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O amor é outra coisa...(para chorar de rir)


"- O amor não é estar disposto a esperar por alguém, mesmo sem saber ao certo quanto tempo vai demorar. Isso é fila do SUS. Amor é outra coisa.
- O amor não é ferida que dói e não se sente. O nome disso é insensibilidade congênita. Amor é outra coisa.
- O amor não é fogo que arde sem se ver. O nome disso é combustão de metanol. O amor é outra coisa.
- O amor não te liberta quando já não há mais outra saída. O nome disso é Gilmar Mendes. O amor é outra coisa.
- O amor não faz você ouvir a voz do coração. O nome disso é ecocardiograma. O amor é outra coisa.
- O amor não te deixa amarrado a uma pessoa. O nome disso é macumba. O amor é outra coisa.
- O amor não deixa suas pernas bambas, nem sua mão úmida e fria. O nome disso é uísque "on-the-rocks". O amor é outra coisa.
- O amor não libera a criança que existe dentro de você. O nome disso é cesariana. O amor é outra coisa.
- O amor não te leva a lugares inesperados. O nome disso é sequestro relâmpago. O amor é outra coisa.
- O amor não abre a cabeça das pessoas. O nome disso é traumatismo craniano. O amor é outra coisa.
- O amor não faz seu mundo girar sem parar. O nome disso é labirintite. O amor é outra coisa.
- O amor não faz você se sentir sempre acompanhado. O nome disso é encosto. O amor é outra coisa.
- O amor não te leva por caminhos tortuosos e te assusta de vez em quando. O nome disso é trem fantasma. O amor é outra coisa.
- O amor não é algo que faz o seu coração continuar batendo. O nome disso é marca-passo. O amor é outra coisa.
- O amor não te faz arder em chamas. O nome disso é combustão instantânea. Amor é outra coisa.
- O amor não te deixa molinho e manhoso. O nome disso é Rivotril. O amor é outra coisa.
- O amor não te deixa temporariamente cego. O nome disso é spray de pimenta. O amor é outra coisa.
- O amor não te deixa sem chão, o nome disse é cratera. O amor é outra coisa.
- O amor não te deixa quente e te leva pra cama. O nome disso é dengue. O amor é outra coisa.
- O amor não retribui suas declarações. O nome disso é restituição de imposto de renda. O amor é outra coisa.
- O amor não leva teu café da manhã na cama e ainda dá na boquinha. O nome disso é enfermeira. O amor é outra coisa.
- O amor não te faz olhar pro céu e ver tudo colorido. O nome disso é queima de fogos de artifício. O amor é outra coisa.
- O amor não te faz ficar simpático e amoroso de repente. O nome disso é Natal. O amor é outra coisa.
- O amor não te liberta. O nome disso é Alvará de Soltura. Amor é outra coisa.
- O amor não te deixa à mercê da vontade alheia. O nome disso é Boa Noite Cinderela. O amor é outra coisa.
- O amor não te faz ver o mundo cor-de-rosa. O nome disso é baitolice. O amor é outra coisa.
- O amor não é aquela coisa brega, mas que te remexe todo. O nome disso é Banda Calypso. O amor é outra coisa.
- O amor não te dá a chance de mudar o que está diante de você. O nome disso é controle remoto. O amor é outra coisa.
- O amor não tira suas defesas. O nome disso é HIV. O amor é outra coisa.
- O amor não te pega desprevenido e te impulsiona para frente. O nome disso é topada. O amor é outra coisa.
- O amor não faz o coração bater mais rápido. O nome disso é arritmia. O amor é outra coisa.
- O amor não faz você dar suspiros. O nome disso é dia de Cosme e Damião. O amor é outra coisa.
- O amor não te faz ver tudo com outros olhos. O nome disso é transplante. O amor é outra coisa.
- O amor não faz brotar uma nova pessoa dentro de você. O nome disso é gravidez. O amor é outra coisa.
- O amor não te deixa completamente feliz. O nome disso é Prozac. Amor é outra coisa.
- O amor não te deixa saltitante. O nome disso é Pogobol. O amor é outra coisa.
- O amor não te faz acreditar em falsas promessas. O nome disso é campanha eleitoral. O amor é outra coisa.
- O amor não te faz esquecer de tudo. O nome disso é amnésia. Amor é outra coisa.
- O amor não te faz perder a articulação das palavras de repente. O nome disso é AVC. O amor é outra coisa.
- O amor nao te faz sentir borboletas no estomago, o nome disso é fome. O amor é outra coisa.
- O amor não te deixa completamente imóvel. O nome disso é trânsito de São Paulo. O amor é outra coisa."

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Poema com som de azul



Sou o azul da cidade, você fumaça do pesar
Sou azul a deslizar, você ausência extrema
Sou azul da sala, você nascível laço
Somos seres azuis?

Você, ser hexagonal, sou solidão sonora
Você, santo César. Sou sacrifício azteca
Você, semente do ser. Sou a caça da savana
Somos um sonho azul impossível?

Sou azul de você
Você azul do ser exilado
Sou azul da casa azul
Você o azul da cidade
Sou o azul do zócalo
Você azul da nossa existência
Sou azul da saudade
Somos seres azuis.

Thais Petranski

domingo, 23 de dezembro de 2012

A grande fábrica de mentiras do Natal



Ainda lembro-me dos Natais de minha infância, onde a magia realmente existia nas cartinhas escritas ao papai Noel e nos presentes que surgiam ao lado das nossas camas na manhã do sai 25 de dezembro. Cheiro de boneca nova, da Laranjinha que não foi encontrada, da cascata do Pônei e do berçário do baby Pônei. Lembro claramente da manhã que encontrei uma caixa vermelha que continha o que eu queria: a ambulância do Dr. Saratudo. Essa lembrança voltou exatamente na semana em que vendi a ambulância que guardei por mais de 25 anos. Não havia mais espaço para a caixa vermelha em meu armário, nem utilidade para mim, só recordações de um tempo em que o espírito natalino existia, muito provavelmente, nutrido pelo consumismo, mas era bem divertido.

Num dos Natais seguintes, tive que ser muito forte e determinada quando deixei minha chupeta rosa transparente na árvore de Natal para o Papai Noel levá-la. Cheguei a combinar com meu pai que se eu a deixasse lá, ele pararia de fumar. Deixei o meu tão adorado vício naquela noite, mas meu pai ainda fuma cerca de três maços por dia. Não foi um bom acordo, é verdade.

Pouco tempo depois daquele Natal, descobri que tudo era uma grande mentira usada para chantagear as crianças, as “obrigando” a serem boazinhas em troca de presentes vindos do Pólo Norte. Foi uma decepção tão grande que hoje tenho pena das crianças que continuam sendo enganadas. É muito triste um adulto inteligente mentir descaradamente, mais ainda quando há crianças envolvidas.

A magia que existiu foi uma mentira contada coletivamente, que até hoje usa a inocência infantil para mover o mundo capitalista induzindo pessoas ao consumo desenfreado. Meu primeiro vício não prejudicou ninguém, nem entortou meus dentes. O abandonei com quase 7 anos e tenho tanta saudade daquele cheiro de borracha nova e da sensação que me proporcionava. Aquilo sim foi verdade. Uma verdade que acabou em um Natal infeliz.

Saudade da minha chupeta :(.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Quem planta estrelismo colhe flash

Quando o assunto são ações voluntárias, é necessário que as ações sejam sustentadas pela consciência social e nunca pela satisfação do ego, segundo a análise psicanalítica da Dra. Rachele Ferrari, psicanalista, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP.
A psicanalista esclarece: "Parece que há que se ter uma especial atenção aos trabalhos dos voluntários que se propõe a uma ação cuidadora, diretamente com outro ser humano, isto porque as motivações inconscientes podem tanto indicar um genuíno interesse em CONTRIBUIR COM O OUTRO, como podem apontar para o uso do outro, para atender às suas próprias questões psíquicas mal ou insuficientemente resolvidas (uma forte carência, uma imperiosa necessidade de reconhecimento social, um afã de salvar o mundo a qualquer custo, certezas absolutas sobre o melhor modo de vida para o outro, etc). Neste último caso, está claro que a ação voluntária, teoricamente tão benevolente, não teria praticamente nada de útil para que a recebe." (Revista Terceira Civilização - outubro 2012 - nº530)

O texto acima caiu como uma luva aos meus olhos, que nos últimos meses  estão presenciando atos grotescos em nome da pobreza alheia. Pessoas que se dizem cheias de amigos ricos e famosos, que participam de um circo entre outros que se acham melhores que o resto da humanidade, por terem ou almejarem dinheiro.
Eventos "beneficentes" com custos altíssimos, onde os maiores beneficiados são os estômagos dos "famosos" que colhem os flashs que plantaram com seu estrelismo, e não com a real vontade de ajudar o próximo.
Altruísmo é uma palavra sem significado para os "bem relacionados"?
O ato solidário não está na quantidade de brinquedos doados no Natal, está  no coração puro que doa algo que se daria para o próprio filho, não é esmola.
Adianta cobrar convite de voluntários quando se é amigo do marido de uma das pessoas mais ricas do mundo? Pobreza de espírito, mediocridade, hipocrisia, futilidade, estado de fome, onde a eterna vontade de querer se sobressair mata toda a benevolência escondida no peito.
Deveria ser crime usar o nome de crianças carentes ( "menos privilegiadas" para alguns) para tentar ganhar fama. Tanto falam na vontade de Deus, mas se esquecem que são o instrumento Daquele que tanto falam.
A lei de causa e efeito é para todos. Quem planta egoismo vai colher o que mesmo?
 O mais irônico é que eu, assim como toda minha família, ajudamos, adotamos e apadrinhamos todos os anos animais abandonados. Cachorros e gatos atropelados, sem patas, mal tratados que não têm amigos famosos para lotar um evento em prol de um pouco de qualidade de vida a eles.
Fazer o bem, é fazer sem querer retorno. Muito menos retorno financeiro.



domingo, 16 de dezembro de 2012

Talento ou utopia?



Ando analisando muito as causas que crio e o que recebo como efeito dessas ações. Muito já ouvi sobre os resultados atuais serem os efeitos de ações passadas e se algo não está bem hoje devo modificar minhas ações.
Descobrir o que fazemos de errado é uma tarefa árdua! Mas, tentar seguir por novos caminhos é uma possibilidade interessante. O problema é quando tudo parece estar congelado, exceto as contas a pagar.
Querer que meus livros sejam comprados, lidos e recomendados, às vezes parece tarefa impossível, assim como encontrar um “emprego feliz e bem remunerado”. Formada, pós graduada, inteligente, criativa e desempregada, essa é a realidade de tantas pessoas que assim como eu se sentem bem inúteis na sociedade, mesmo após se esforçarem bastante.
É bom saber que somos capazes de muito mais e é péssimo não termos nossos talentos bem utilizados.
Tem dia que sinto raiva, que me sinto cansada, muito empolgada, cadastrando mil curriculums, mas, tudo caminha lentamente.
Às vezes penso que deveria trabalhar com algo que simplesmente pague minhas contas, assim como tantos trabalhadores o fazem, mas quero um emprego feliz.
Ou seriam essas palavras totalmente opostas?
Haja imaginação para agir de maneiras diferentes todos os dias, buscando algo tão necessário, modificando ações para obter um ótimo resultado.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Indiferença crônica, uma doença degenerativa


O assunto de hoje, dentre os tantos que foram cogitados, não agradará a todos, isso é bem verdade, mas aqui estará. A palavra que se destaca hoje é “indiferença”.

indiferença
s. f.
1. Qualidade daquele ou daquilo que é indiferente.
2. Falta de cuidado, de zelo.
3. Apatia.
4. Desprezo.
5. Negligência.
6. Estado de uma pessoa a quem tão pouco importa uma coisa como o contrário dela.
7. Frieza; insensibilidade.

Uma palavrinha que sempre evitamos, mas que diariamente “praticamos”. Somos indiferentes com problema do outro, com mendigo na rua, com os vizinhos e até mesmo com as pessoas que vivem conosco. A indiferença não é mérito apenas dos afortunados pela vida, é uma realidade de todos os seres humanos.

Os motivos de sermos indiferentes são os mais variados, desde uma discussão, uma raiva passageira, até uma puxada de tapete (isso para não dizer traição, que pode parecer muito forte para os olhos que lerão estas linhas). Mas como evitar ser indiferente e como conviver com a indiferença? Eu não tenho a resposta, mas gostaria muito de saber. O pior é quando a indiferença surge de uma cegueira. A cegueira por opção, que já falei por aqui, que ocorre quando uma ou mais pessoas preferem negligenciar uma das partes de uma discussão, por exemplo, afirmando que o outro estava em seu direito mesmo cometendo uma injustiça. Semana passada, colocaram fogo em um carro alegórico porque uma torcida estava revoltada e agiu “sem pensar” (como se alguém que sai com um coquetel molotov estivesse cheio de boas intenções). Assim como esse caso citado, a indiferença atinge principalmente quem foi prejudicado. Alguém quer saber o que passará com quem teve o prejuízo e que acabou agredido? Poucos.

Indiferença é prima do preconceito, machuca da mesma maneira, só que é muda. Ao contrário dos que calam por sabedoria e que são chamados de covardes, os que falam e se defendem de calúnias e difamações também sofrem por sua agressividade ao se defenderem. Sós. Estão sempre sozinhos. A indiferença faz isso. Presenteia os “covardes” ou os que não toleram injustiça com apatia. E sozinhos, chegam a conclusão de que existem Judas em cada metro quadrado do mundo. A única coisa que pode fazer a diferença para quem sofreu com a indiferença, é ter a certeza de que seus valores, atos e palavras possam mostrar um objetivo maior, e que deixem claro toda ação errada gera uma reação errada. Mesmo que quase ninguém se importe que quem cometeu o erro mais grave tenha sido o beneficiado da história.



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Em nome de...



Todo dia uma surpresa atinge nossas cabeças (olhos e ouvidos também). Geralmente são notícias impensadas, inimagináveis, mas, uma vez aqui, deveríamos estar preparados para tudo. Deveríamos.
A surpresa dos últimos dias é sobre falar.
É curiosíssimo pessoas que falam em nome de alguém, sem que esse alguém saiba. Colocam palavras e exclamações em suas bocas. Fazem convites, respondem pelo outro e sustentam essas mentiras com o aval de outros comparsas. Sim, porque quem assina embaixo do que malandro fala é safado também. Lembra daquela frase que vovó já dizia: Diga-me com quem andas que te direi quem és? Pois então, nada mais verdadeiro. E não tem essa de julgar sem saber. Falar ao mundo em nome de outro e enganar pessoas não é um ato de amor. Um dos mais baixos níveis da estupidez humana.
Há pessoas que gostam de enganar, outras que querem ser enganadas. Há um pouco de tudo nesse mundo mesmo.
 Há também os que falam o que pensam e são quase linchados. Você já parou para pensar no fato de que simplesmente existem coisas a se dizer que não soam bem mesmo sendo ditas por uma princesa? Falar de maneira bonita algo que defina seu nojo não existe.  Como adoro exemplos, lá vai um:
“Aquele senhor cuspiu uma coisa verde” é o mesmo que “o cara escarrou o pulmão!”. É a mesma cena que virá na mente de quem ouve! Ou então: “aquele ser humano tirou a vida daquela pessoa e a desmembrou” é o mesmo que “o cara matou e estraçalhou a mulher”. O que vem à mente é o mesmo, independentemente de como se fale.
Claro, existem grosserias desnecessárias e gírias incompreensíveis. Mas todos têm seu dia de sinceridade à flor da pele.
Mais importante que falar é assumir o que se disse. E justamente nesse momento, surgem profissionais que são taxados de podridão pelos mais inescrupulosos: os advogados.
Diga o que disser, tenha sempre em mente que um advogado pode mostrar publicamente sua mentira tosca. Quer mentir? Ok! Você é livre para isso, mas não se esqueça de que toda causa tem seu efeito. Tão certo quanto dois e dois são quatro.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012



Tudo bem, eu gosto de insetos. Não todos. Não gosto de pernilongos e são esses os maiores freqüentadores de casa.

Gosto de formigas, borboletas, joaninhas, vaga-lumes, abelhas, besouros, libélulas, moscas douradas e uns tantos mais.

Barata? Não tenho medo (desde que ela não apareça voando), tenho sim um nojinho se ela estiver muito próxima a mim. Ai as baratas...

Tanto não tenho medo que logo o meu primeiro livro infantil publicado se chama “Catarina e as baratinhas”. Foi baseado em uma história real e tem ilustrações! Baratas, muitas delas. São simpáticas, usam roupinhas e mais lembram fadinhas das profundezas da terra. Pensando bem, nem tanto.

E por falar nelas, acabo de me lembrar de dois episódios ocorridos em um curto espaço de tempo. Certa vez, estava assistindo uma mini série muito graciosa na TV e todos em casa dormiam, era quase madrugada. Bem compenetrada nas canções senti meu cabelo incomodar meu pescoço, mexi a cabeça e passou. Quinze segundos depois o cabelo incomodou novamente, achei estranho porque não havia vento. E porque raios meu cabelo estava voando no meu ombro? Olhei de relance e lá estavam duas antenas imensas quase cutucando minha orelha, que saiam de um corpo marrom que se equilibrava em perninhas peludas. Uma barata gigante! Dei-lhe um safanão para então gritar com toda a força de meus pulmões:

- AI QUE NOJO!

Quando me dei conta que minha boca estava aberta, tratei de protegê-la com as mãos para que nenhum ser batesse as asas goela adentro e esperneei. Esperneei muito, gritando com a mão na boca. Até minha mãe surgir empunhando uma vassourona para me salvar.

Na primavera seguinte, me arrumava para ir a uma festa. Blusa frente única novinha, calça preta, salto, e cabelo esticado até a cintura pela chapinha que hoje se chama prancha. Linda, maquiada e perfumada. Fui dar a última conferida traseira e notei uma nova tatuagem na omoplata (escápula, asinha ou, seja lá como você conheça aquele ossinho das costas). Mas nunca fiz uma tatoo ali! E novamente aquelas antenas gigantescas suplicavam por atenção. Se eu tivesse gravado os segundos seguintes, estaria hoje com minha cara publicada no Guinnes Book e logo abaixo: Garota que tira a roupa toda em milésimos de segundo. Dessa vez minha salvadora apareceu com um rodo e com o cabo cutucava meus cabelos porque eu tinha certeza que a dita cuja estava lá. Foi a noite do “aiquenojo”, mesmo após água, sabão, bucha e álcool .

Mas comecei esse assunto porque ontem um desses insetos esteve no pote de ração da minha gata. Enquanto minha irmã corria desesperada, fui observar a baratinha e tive uma visão muito...hum, como poderia dizer... diferente? Sim, diferente. A barata pegou com aquelas duas mini patas, que não são patas, que tem ao lado de sua boca (sim! Barata tem boca!) o maior grão de ração e se escondeu para a ceia. Voltei depois de uma hora para espantá-la e pude observá-la destacando seu bronzeado nos azulejos amarelos, ou como diria meu pai “nos amarelolejos”. Vi suas pernas cabeludas e uma bundona que a fazia andar devagar. A deixei caminhar até sumir por uma fenda no chão. Hoje, pesquisando mais a anatomia das baratas na internet, descobri que aquilo não era uma bunda e sim ovos. É, teremos filhotinhos, mas eu não poderia matar uma barata que roubou calmamente a ração da minha gata mais caçadora. Não mesmo!


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Nesse momento


Primeiramente, quero ensinar uma palavra nova: Niji.
No início do capítulo Hoben, do Sutra de Lótus, eis que ela aparece. Significa “nesse momento”, e é desse momento que gostaria de falar.
Tive provas concretas de que nada acontece por acaso, e mais, de que todos entram em nossas vidas por um motivo. Ontem mesmo, durante a reunião, lições importantes foram abordadas. Tais como: não lamentarmos, não nos basearmos no passado, focarmos no agora (niji), podermos mudar o rumo da vida e sermos o exemplo.
Assuntos que temos consciência, mas que não colocamos em prática muitas vezes, porque é difícil mudarmos nossos hábitos. Difícil, porém, essencial.
Diversas vezes ao dia temos a oportunidade de nos desafiarmos, de mudarmos nossa reação para com o mundo e não reagir é muito válido (aprendi recentemente isso, só falta colocar em prática). Conhecemos pessoas novas o tempo todo. Algumas, só permanecem alguns minutos. Outras, segundos apenas, mas estão conosco, mesmo assim. Niji.
Nesse momento, percebo claramente o que significa encontrar pessoas com a mesma “frequência”, os interesses comuns formam grupos seletos de pessoas com a mesma vontade, é aí que tudo pode mudar. Ou melhor, tudo pode acontecer.
Se sozinhos, atraímos nossos semelhantes em frequência, o que poderemos fazer em grupo então?
Nesse momento, sei que a vida de uma pessoa pode ser refletida milhares de vezes, em milhões de rostos, em bilhões de atitudes, diariamente, e que é apenas nesse reflexo que temos que focar.
Quer refletir calma? Seja calmo verdadeiramente.
Quer refletir amor? Ame verdadeiramente.
Reflexos de pensamentos não existem, só de sentimentos verdadeiros.
Coincidentemente, hoje tivemos nossa primeira aula do curso de poesia e todas as pessoas que estavam lá poderiam ser qualquer outra que lá esteve presente. A jornalista que nunca escreveu, o professor que não queria dar aulas, a advogada que queria estar em grupo, a pianista que é professora agora, a perdida no mundo, o louco que fora citado e que foi capaz de aprender. Tantos reflexos de nós mesmos. Muitas possibilidades.
Estas foram algumas das minhas descobertas nestes últimos dias. E espero que todos que leiam este texto, possam refletir um pouquinho sobre o que querem ver refletido por aí.

Segue o início do capítulo Hoben do Sutra de Lótus  e sua tradução.

Niji sesson. Ju sanmai.
Anjo ni ki. Go Sharihotsu.
Sho-bu-ti-e. Jinjin muryo.
Go ti-e mon. Nangue nannyu.
Issai shomon. Hyaku-shi-butsu. Sho-fu-no-ti

Nesse momento, o Buda levantou-se serenamente de sua meditação
e dirigiu-se a Sharihotsu, dizendo: "A sabedoria dos budas é
infinitamente profunda e imensurável. O portal dessa sabedoria
é difícil de compreender e de transpor. Nenhum dos homens de
erudição ou de absorção é capaz de compreendê-la.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Matsuya - comendo um japonês



 O pessoal do meu departamento é festeiro, adora uma comemoração, Aniversário, despedida, férias, tudo merece um almoço especial. Hoje não foi diferente, toda a administração decidiu almoçar no japonês mais próximo da empresa, onde costumamos ir, para celebrar o aniversário de um colega. Dez pessoas divididas em dois carros, sedentas por shoyo, seguiram ao Matsuya Aclimação. Linda a reforma que fizeram, a decoração, tudo diferente desde a última vez que estive lá. Ocupamos três mesas seguidas para deliciar a maravilhosa culinária oriental e o objeto mais parecido com um cardápio que foi disponibilizado, era um displayzinho transparente posto em pé no canto da mesa com fotos dos pratos, algum texto e no final o preço do rodízio:
   Almoço R$ 27,90 por pessoa de segunda a sexta!
   Rodízio é rodízio, então vambora comer galera.
   Quero shimeji, yakisoba! E eu quero um salmão grelhado e uma coca.
   Quero tudo que tiver direito! Disse o outro. Eu pedi um rodízio vegetariano e um suco de laranja.
   Sim, vegetarianos podem comer em qualquer tipo de lugar, uma vez que os restaurantes sabem das diferenças alimentares de seus clientes.  Enquanto todos almoçavam eu esperava o que era meu por direito: tudo que tivesse cogumelo, fruta e verdura! Apareceu um prato de shimeji, que segundo informações fazia parte da entrada. Opa é comigo mesma! Todos devoravam seus sushis, sashimis, tamakis e afins que chegavam lentamente, mas chegavam. Finalmente,  depois de um tempo considerável, eis que surge o tão aguardado prato vegetariano: 5 sushis de morango, 5 de kiwi e 5 de algo parecido com repolho, 1 kiwi cortado e 4 pedaços de abacaxi. Onde estava a fartura de antigamente? E aquela barca de comida? Aquilo era a visão da miséria!
   Tudo que chegou às mesas foi praticamente implorado por quem já conhecia a variedade de pratos que podem ser servidos, mas nenhuma opção foi dada pelos atendentes.  Intrigante essa política de atendimento. Já eram quase três da tarde quando pedimos a conta, e para minha surpresa o valor cobrado pela fartura não carnívora piscava em fonte 24 na comanda: R$ 38,90.
   Não era possível, R$ 11,00 a mais para comer  fruta? Ah, palhaçada. Fui falar com o gerente. Me dirigi ao caixa e esperei que ele cobrasse todos da pequena fila formada. A pressa dele era tanta que não teve tempo para olhar em meus olhos quando falei que em lugar algum estava o valor aterrador que eu via em minha conta. Esse é o preço que cobramos por quem pede qualquer coisa diferente do que costumamos servir, não posso fazer nada. Ok, quero falar com o gerente. Ele não se encontra. Que bom! Mas eu me recuso a pagar esse valor, estou com mais  nove pessoas e é ridícula essa quantia pelo mal atendimento que tive. Não quer pagar não paga.
   Dessa maneira,  meu questionamento foi abolido. Eu queria pagar o que todos pagariam, mas que por algum motivo surreal alguém decidiu que era pouco.
   O sangue com shoyo subiu, e saí de perto daquele exemplo de bom atendimento, para me sentar  no sofá de espera enquanto os demais passavam seus cartões. Olhares estranhos, um clima pesado e pouco depois soube que uma atendente ria com outros clientes questionando o que um vegetariano fazia naquele lugar, cheia de preconceito estúpido discriminando um cliente. Que porcaria de lugar era aquele? Não como animais, só isso, eu não vim de Júpiter cacete!!!



Em paz com o sabático



Esta semana li algo bem intrigante sobre o sabático.  Sabático vem de “shabat” que é o sábado, ou dia de descanso para os judeus. Esse termo é usado para definir períodos de afastamento de uma empresa. É um período para parar e refletir, pensar, descansar, curtir, olhar as coisas sob outra perspectiva e dimensão.  Avaliar o que sou e o que eu posso ser. Criar uma nova condição para o equilíbrio mental, físico e espiritual. Coragem para perceber o novo.
Eu descobri que isso existe há apenas quatro dias, justamente nos classificados de emprego da Folha de SP.
O texto começa da seguinte maneira:

“Se ainda não aconteceu com você, talvez seja apenas uma questão de tempo. Porque em algum momento da carreira o dilema se impõe à maioria: já é hora de tirar um período sabático?”.

Na sequencia, falam com a maior naturalidade que esse período deve ser usado para agregar conhecimento e para aumentar a empregabilidade, e esse tempo varia de um mês a alguns anos. A questão é planejar e fazer um bom pé de meia para sobreviver nesse meio tempo. Super simples assim.
Ainda há exemplos e dicas, tais como, negociar com o chefe se pode ser uma licença não remunerada ou avaliar se a demissão é viável. Sugestões: aprender um idioma durante o sabático, estudar, escrever um livro, aprender algo diferente, fazer um retiro espiritual. E finalizam com:
 “O MERCADO VÊ DE FORMA POSITIVA OS PROFISSIONAIS QUE TIRAM UM SABÁTICO PLANEJADO E COM FOCO. As empresas querem pessoas com iniciativa, que gostam de aventura e de assumir riscos. O MERCADO TAMBÉM, É RECEPTIVO A PROFISSIONAIS QUE LARGAM TUDO EM BUSCA DE AUTOCONHECIMENTO”.
Agora eu pergunto: Em que mundo isso acontece?
Vivemos numa época em que um funcionário que tira férias por 30 dias, no fundo não é importante pra empresa, porque se ele pode se ausentar por “tanto tempo” é bem substituível por alguém que “realmente vista a camisa de empresa”.
Como trazer o texto do tal sabático para a realidade?
Esse tema me chamou muito a atenção porque passei por isso. Tive pequenas licenças não remuneradas para evoluir e buscar realizações. Acabei abandonando tudo em busca desse autoconhecimento (que deveria conviver diariamente conosco).
 O meu saldo do sabático é:
- Pós graduação em Gestão Estratégica do Conhecimento e Inovação;
- Espanhol fluente;
- Três livros escritos, dois publicados;
- Algumas viagens;
- Cursos de desenho e ilustração;
- Vontade de estudar mais para mudar de área;
- Desemprego.

Claro que só porque para mim isso não funcionou, não significa que é uma furada. Acredito que seja essencial na carreira das pessoas, mas daí até o mercado valorizar isso, já é demais.
Mesmo na Era do Conhecimento, as empresas visam lucro, e precisam de funcionários dedicados. Como fingir que isso não é importante?
Acredito que é importantíssimo para uma empresa incentivar alguns pontos na carreira de seus funcionários, para que estes realmente vistam a camisa, mas, e se todos os funcionários de uma grande empresa decidissem tirar um sabático? Por ano, quantos funcionários se ausentariam de suas tarefas?
A realidade é que pobre se tira férias fica endividado e, se inventa um sabático é vagabundo. Quando tem emprego é pra pagar as contas e não pra um fundo de reserva. A vida não permite isso. Assim como estudar em período integral.
Sou apenas mais um exemplo de como a vida funciona fora do jornal. Tenho sonhos, assim como todos, mas daí a realizar tudo, existe um abismo chamado realidade.

(E não custa nada perguntar né? Se alguém conhecer alguma empresa que valorize e ponha em prática esse tal de sabático, me avisem, por favor. Vai que uma dessas empresas se interessem por uma pobre sabática por imposição, sonhadora e realizadora por opção.)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

De ti


Se mente rio
Se ri somente minto
Sinto o riso
Na mente
Presente
De ti
Mente só
Menta
Que arde sem ti
Te espero
Somente
Semente.

Thais Petranski

domingo, 2 de dezembro de 2012

Sem título, sem palavras, ops, algumas...


Dizem que não há nada original, que tudo já foi feito, pensado e dito, e às vezes tenho certeza disso. Poderia passar horas e horas falando sobre as mesmices da vida, o que até poderia entretê-los um pouco mais, mas o que quero dizer, adivinhem??? Já foi dito! E para não cair na tentação de reescrever com outras palavras, deixo aqui a frase original de um dos homens mais geniais que passou por esse mundo: Fernando Pessoa.

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”

Não é preciso dizer mais nada, não é mesmo?

Relógio biológico falsificado



Hora de dormir me dá fome.
Hora de acordar me dá sono.
Hora de comer tenho preguiça.
E depois da preguiça vem o sono.
Esse é o meu relógio biológico: um pouco desgovernado.
Talvez falsificado, isso sim, mas é com ele que convivo. Há noites em que o sono é certo lá pelas 23:00, mas viro pra lá e pra cá, penso nas contas, lembro de piadas e tenho crises de riso. Lá pelas 02:00 a piada perde a graça e já me cansei de tanto tentar dormir. E é justamente nessa hora em que apago.

Sonho que estou flutuando, ou que bato “os braços” para voar mais alto. Algumas vezes consigo nadar no ar! Muito relaxante!

De repente ouço as rodinhas passarem, então já sei: são seis horas, os garis estão passando. Começo então a filosofar. E questiono o por quê de rodinhas tão barulhentas. Mas eles estão trabalhando, não posso reclamar. Aí penso na hora que eles saíram de casa, no café que devem ter tomado na rua e no pão na chapa que comeram. Mas será que já comeram? Até que horas eles trabalham?

Volto a dormir, na esperança de descansar um pouquinho mais. Engano meu, porque alguns sonhos são tão complexos que me fazem acordar mais cansada. Esses dias, fui dormir com tanta fome (porque não tive coragem de ir até a cozinha tão tarde) que sonhei com um hamburger muito suculento. Mas eu estava tão ocupada no sonho que tive que guardá-lo na mochila. Quando finalmente sentei para comê-lo, veio a surpresa: ele não estava na mochila.

Nem no sonho saciei minha fome.

Mas tudo bem, adiantarei esse meu relógio paraguaio para não passar por tantas confusões. Nem acordada e muito menos “dormida”.