"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo. A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo." - Pablo Neruda
quarta-feira, 22 de junho de 2016
A alma de toda a gente tem cercanias. A minha, não tem. É um descampado. Não tem telhado, não tem paredes. Muitas vezes, nem chão.
E sinto no peito as encostas de tudo o que sangra e corrói.
Também toda a beleza me visita sem licença e a poesia de tudo me acontece. Mas a beleza, não raro, ela fere.
As garras de um beija-flor podem ser mortais a uma alma sem pele.
Então, por isso, às vezes me exaspero e grito para que o meu peito, em desabrigo, não seja tão violado.
Mas quando me sai o protesto, as minhas palavras também me sangram e morro mais um tanto por dentro.
Já não quero a palavra que afugenta a dor. Quero o silêncio que cicatriza a ferida e que me prepara para a dor mais forte: a própria Vida.
Três meses e quatro dias depois, Matheus foi encontrar o filho no mundo dos gatos. Já faz uma semana e ainda ouço seus miados, hoje foram várias vezes.
Eu só consigo pensar que foi um milagre aquele bebê de 10 dias sobreviver. Só consigo lembrar das mamadeiras que preparava pra aquele gato bolinha, tão pequeno e sozinho no mundo.
Ju, Jujuco, Gildo, Zolhos, ou simplesmente Matheus...
Ando sem palavras, mas isso não torna minha saudade menor.
Nesta última semana lembrei de várias coisas que gostaria que soubesse, achei muitas fotos e quero que veja as que separei. Lembra da historia que te contei sobre como eu te "encomendei" com sua mãe? Tá bom, eu conto outra vez.
No final de 1999, percebi que a Wendy estava esperando filhotinhos, não havia dado tempo para castrar o seu pai e o fato é que teríamos novos moradores. Comecei a imaginar quantos filhotes e como seriam. Nessa mesma época, eu vi um programa sobre o ditador chinês Mao Tsé Tung e esse nome ficou martelando em minha cabeça sem parar, dias e mais dias só repetindo Mao Tsé Tung, Mao Tsé Tung... decidi que, se um dos filhotes fosse macho, esse seria o seu nome.
Sua avó materna era uma gatinha siamesa e seu avô, o Boogie Dow, era cinza com listras, o maior gato de rua que eu vi na vida, com a cabeça enorme e olhos amarelos, achei uma foto para te mostrar:
Pensando nos seus parentes, comecei a desejar um gato cinza, macho, para chamar de Mao Tsé Tung e uma gatinha igual a sua mãe para ser uma Wendynha, falei isso pra ela e fiquei mentalizando a carinha dos bebês gato que estavam por vir.
- Wendy, eu quero um gato cinza, o Mao Tsé Tung e uma Wendynha, se for mais que dois filhotes quero um siamês também.
Mas foquei mais nos dois primeiros, e no dia 01 de janeiro de 2000, sua mãe decidiu ter os bebês na minha cama. A primeira parte do seu corpo que vi nascer foi o rabo cinza, igual a um rabo de rato e fiquei torcendo para que aquele rabinho fosse de um macho, e foi feita a minha vontade: nascia o meu Mao Tsé Tung! Meu ratinho cinza <3 p="">
Horas depois cheguei ao quarto e vi sua irmã, toda pretinha, pensei que era bem estranho nascer um gato preto de uma gata rajada que havia cruzado com um siamês, com mãe siamesa e pai cinza. Só quando a peguei no colo e vi sua barriga amarela toda listradinha, foi que percebi que era a Wendynha que eu queria e fiquei muito feliz por finalmente estar diante das minhas encomendas felinas.
Olha só que lindos bebês:
Vocês sempre foram tão lindos! Yasmin sempre bem assustada e você sempre esfomeado e bonzinho. Matheus e Wendy foram bons pais! Sabia que você mamou até os 4 meses? Um safado! Era enorme e ainda queria leite, um bebezão mesmo, até sua mãe se cansar e acabar com sua preguiça de comer ração...rsrs esses gatinhos....
Pra variar, vocês cresceram super rápido e logo estavam correndo pela casa, brincando e fazendo charminhos pra gente.
Lembro dos miadinhos finos e do bafinho de leite de vocês. O nariz bem pequeno, as orelhas grandes... difícil resistir a uma barriguinha de leite.
Vocês cresceram bem rápido não é mesmo? Só no primeiro ano dormiram juntos, depois nunca entendi o por quê de vocês se separarem, cada um em um quarto ou bem distantes, coisas de gatos...
Nesta última semana fiquei pensando nessas coisas, na vida que você teve desde antes de nascer. Na encomenda especial que fiz à Wendy e ao universo, e na alegria de ver que o Mao que eu imaginei nasceu para me alegrar, para ser meu companheirinho até o último dia.
Vou te contar alguns segredos...
Às vezes olho pra escada na esperança de te ver dormindo e ela vazia me retribui o olhar.
Seu potinho de água está no mesmo lugar, já que não tive coragem de tirá-lo e a porta continua aberta.
Agora, o segredo maior pode ser um pouco decepcionante. Esta semana eu descobri que o Danoninho que sempre dividíamos não tem gosto de nada. Não mais. É estranho o que aconteceu com eles, será que mudaram o sabor ou sou eu que não sinto mais o gosto de morango? Bom, não importa, o que valeu mesmo foram os potes compartilhados, seu nariz sujo de creme rosa e o bafinho de iogurte.
Tantos potinhos que comemos desde sempre não é mesmo?
Mao, espero que você esteja bem onde quer que esteja. Que o mundo dos gatos tenha te recebido muito bem e que tenha reencontrado sua mãe.
Eu, daqui, só sinto saudade...
Lembra daquilo que te falei pra nunca esquecer? Então, nunca se esqueça!
Dias como hoje só servem para mostrar que por mais que saibamos que este dia chegará nunca estaremos preparados.
Mesmo após 15 meses de tratamento, de exames, litros e litros de soro, medicações e miados de uma fome que nunca passava.
Dias como hoje colocam um ponto final no sofrimento físico, mas acabam trazendo o sofrimento do coração de quem fica.
A vida é assim e isso não torna o processo mais fácil.
Dias como hoje não deveriam existir.
Já são 6 anos e descubro que tenho que realizar o que não consegui até hoje.
Em 2010, escrevi 4 livros: 3 infantis e um muito particular, que havia começado no ano anterior, nasceu na intenção de ser apenas uma carta, minha à Chavela Vargas, quando tive a certeza que a encontraria pessoalmente. Seria só uma carta explicando como conheci sua música, o por quê de eu estar lá e como ela havia transformado minha vida. Não consegui escrever uma simples carta e sim 22 páginas contando de onde eu vinha e o que queria. Foram 22 páginas de pura expectativa em um relato detalhado de como fui encantada por sua voz.
Claro que foi muita ousadia querer entregar aquelas páginas (que mais tarde se tornaram o primeiro capítulo de um livro que eu só terminaria quando finalmente tivesse o que contar do nosso encontro) devidamente impressas e com capa ilustrada em suas mãos, mas eu não desejei menos que isso.
Estar em novembro de 2009 em Tepoztlán, no 3° Encuentro Cultural foi uma das melhores coisas que aconteceram. Foi tudo tão bonito que acabei voltando com o livro pronto, e foi esse livro que tentei publicar no México e aqui no Brasil, infelizmente, ninguém se interessou. Eu o disponibilizei em uma página da internet para autores independentes sem tiragem mínima, se uma compra é feita, ele imprimem apenas uma cópia, sem custo para o autor. Achei que seria uma oportunidade para divulgar meu trabalho, mas poucos amigos se interessaram.
Esse livro se chama "Siga o seu coração: busque Chavela Vargas!" é tão especial para mim que acabei criando a versão infantil, ilustrada por mim da maneira que eu desejei que ficasse, é uma linda história e é, sem dúvida, o meu preferido.
Historias como essa não se encontra na sessão de livros infantis. Ainda não. Já perdi a conta de quantas recusas tive de editoras que nem sequer leram a história que pode ser o novo "Pequeno Príncipe" do século XXI. Grandes empresas também perdem grandes oportunidades...
Criei outras duas historias infantis, e publiquei uma delas "Catarina e as baratinhas"com uma colega de estudo, o que me deixou imensamente feliz.
Escrevi poesias, desenhei, criei, pintei, estudei, estudei, estudei, fiz um monte de coisa e tentei criar oportunidades para ter o meu trabalho reconhecido, mas não consegui. Tenho um monte de história engavetada, exemplares dos livros independentes impressos (na verdade é um livro com versões em português e em espanhol), que eu mesma comprei para revender por aí, mas ninguém se interessou.
Um dos meus maiores medos é morrer de desgosto. Morrer com todas as minhas grandes ideias desconhecidas, sem divulgação, sem leitores, sem publicação. Sei que não são ideias natimortas, mas eu já não sei mais o que fazer com elas. As minhas ideias não pagam minhas contas, não me levam a lugar algum. Por mais que eu deseje do fundo do meu coração e procure divulgar, eu não consigo sair da estaca zero. Tenho medo de morrer de desgosto e minha família decidir de alguma maneira publicar as minhas histórias e elas se tornarem um sucesso. Depois de morta não fará diferença para mim. Esse é o meu medo. Morrer sem ter tido oportunidades reais. Me conformar não é uma opção.
Estou à espera de um milagre, porque o que estava ao meu alcance, fiz.
Início de ano é sempre bom fazer um balanço do ano anterior para focar melhor nos planos e conquistas do ano novo. Fazer uma arrumação nos armários é uma boa para tirar o que não se usa, o que já não é útil e que pode servir para outras pessoas. Hoje mesmo, separei dezenas de roupas e objetos e fiz um cadastro em um aplicativo de trocas/vendas. De um tempo pra cá, diminuí muito o consumo em geral, não apenas pela falta de grana, mas, principalmente, por perceber que o consumo excessivo é banal demais pra mim e não faz mais sentido. Não preciso abarrotar meus armários para me sentir bem, mesmo que eles continuem um pouco longe do que eu entenda por "apenas o básico". Sei que estou no caminho certo há um bom tempo e me sinto muito bem fazendo esses "rapas".
Um exemplo prático dessa minha teoria: tenho duas toalhas e três trocas de lençol, não preciso mais do que isso. Tenho dois pijamas bem quentes e três para o verão e dois para meia estação. Parece pouco, mas não é, já que são 7 peças. Camisolas não tenho porque não gosto...coisa minha...
Todo o resto de vestimentas acho que tenho de mais e é esse número que tento diminuir sempre. Quando entra uma peça nova, precisa sair 2, pelo menos! Nesta última semana entraram 3 peças novas e estão saindo 25. É esse meu objetivo, ter cada ver menos coisas.
Atualmente, prefiro ganhar coisas que acabem de presente. Coisas que acabam, a meu ver, são produtos de higiene: xampu, condicionador, sabonete, creme, óleo de banho, etc; acabam e ainda têm embalagens recicláveis!
Ter menos roupas significa mais espaço livre, mais ar circulando, mais liberdade. Sempre penso que no caso de um incêndio ou algo parecido, não seriam as roupas que eu salvaria, então há elementos mais importante do que elas, no caso, animais e plantas (humanos acabam se salvando de alguma maneira, outros tipos de vida não).
Descartei sentimentos ruins também, pessoas interesseiras e mentirosas, pessoas nocivas e falsas, e é justamente aqui que eu queria chegar.
Neste balanço de ano novo me deparei com minha vida profissional, que atualmente é o artesanato. Crio peças e vendo com uma certa dificuldade, o retorno não é como eu gostaria. Preciso de mais retorno financeiro e não sei como fazer esse número crescer. Ainda pensando em profissão, fiz uma análise dos meus empregos com carteira assinada e todos têm algo em comum: eu tinha um cargo x , desempenhava muito mais do que era esperado para a função e mesmo após mostrar minha capacidade, meu salário era absurdamente menor do que os puxa-saco dos chefes. Pessoas amigas dos caciques já entravam ganhando 5 vezes o meu salário. Meu dissídio era de 100,00 e o deles era mais de 1000,00. Era cobrada, desafiada, desrespeitada porque não sei lamber o saco de chefe, e vejo que isso só fez mal a mim. Vi coisas horrorosas: acusações, assédio moral, mentiras, enganação, falsidade, manipulação, teatro, e os atores sempre se davam bem, prejudicando o próximo, mas sempre se davam bem. Ganhavam muito, conseguiam comprar e ajudar familiares e continuam com suas vidas confortáveis. Eu continuei com meus princípios mas sem recursos para ser uma pessoa independente financeiramente. E eu acho muito triste ler uma vez ou outra sobre "meritocracia", já que só presenciei o mérito de quem soube enganar os outros muito bem. Há pessoas que lutam, que se dedicam, que tentam, de tomam porrada, que querem sumir muitas vezes, que querem desistir e essa tal meritocracia não chega. Nunca achei que a vida fosse justa não, mas daí a beneficiar tanto pessoas inescrupulosas já é demais. É uma observação que fiz nestes dias e não fiquei feliz. Constatei isso apenas olhando pra trás para poder dar uma base pro meu futuro. Viver da maneira como vivi até agora não me deu nada além de sonhos frustados, livros engavetados, diploma mofado e inúmeras tentativas de realizar algo realmente bom para mim. Tentei tudo o que achei amar verdadeiramente e só tive decepções. Pra quê tanta criatividade se ela não pode pagar minhas contas e sonhos? Minha criatividade e desejo de realizar só me trouxeram decepções, porque ninguém realiza nada sozinho. Para se publicar um livro é preciso de alguém te dando um SIM. Para ter um aumento é preciso que alguém diga: - Sim, vamos rever seu salário!; para que se tenha um emprego bom, é preciso que alguém diga um SIM, para passar em um concurso e ser convocado, é preciso estudar muito e que alguém decida que apenas 7 vagas não serão suficientes (sou inteligente, mas não tanto para estar entre os 7 melhores. Isso não é pessimismo, é apenas a realidade); para vender muito artesanato é preciso dizer sim para anúncios e esperar várias SIM EU QUERO ENCOMENDAR....
A conclusão que chego é que preciso de mais SIM em minha vida. Seja para aceitar ou dar uma oportunidade para o meu sucesso profissional. Estarei atenta às oportunidades que criarei e as que simplesmente aparecerão.
Que este ano seja muito produtivo e realmente transformador para a minha vida. E que se eu tiver que aprender a ser sonsa e puxa saco, que eu aprenda de uma vez por todas, porque do jeito que estou já não posso ficar.
E aconteceu novamente, um cachorro sem coleira veio atrás do meu. Outra vez.
Quando algo acontece tantas vezes é um sinal, e infelizmente, terei que privar o meu cachorro de seus passeios. Se algum acidente ocorrer com esses cães que andam sem guias com seus donos, eu não quero estar presente. Já avisei diversos donos que "confiam nos seus cães" que é perigoso para o cachorro deles, já que se eles decidirem brigar é quase impossível separar um cão sem coleira, mas todos debocharam. Então paciência.
O caso de hoje foi especialmente marcante pelo machismo CLARO envolvido.
Estava passeando com o meu cachorro quando um pincher marrom saiu de dentro de uma loja e foi atrás dele. Puxei a coleira do meu pra cima o mais rápido que pude e assustei o pincher, pisando forte no chão e falando pra ele ir embora e falei que não era possível que aquele cachorro estivesse sem coleira outra vez. O dono, um camarada bem conhecido no bairro justamente por andar sempre com esse cachorro solto pelas ruas, se levantou da cadeira e me mandou tomar no cú. Simples assim:
- Vai tomar no cú, sua louca e vai embora com esse cachorro.
Voltei e falei:
- Vai tomar no cú você, seu irresponsável.
Nisso ele veio pra cima de mim apontando o dedo na minha cara e falando um monte de merda, que eu era louca, que ele confiava no cachorro dele, etc etc. Do mesmo jeito que ele veio pra cima apontando eu fui pra cima e também apontei o dedo na cara dele, porque esbravejar com uma mulher magrela é muito fácil. Eu não tenho medo de homem, nem de apanhar de homem, mas caso isso aconteça um dia eu não ficarei quieta. Não sou de me calar com absurdos, quem me conhece sabe muito bem.
O cara ficou surpreso por eu "peitá-lo" de igual pra igual e o que fez? Pegou o telefone e ligou pra polícia, dizendo que tinha uma louca gritando com ele.
Ele ainda fez a pergunta que mais desprezo nesse mundo:
- Você sabe quem eu sou?
Disse que sim, que era uma babaca irresponsável que não protegia seu próprio cão e que eu fazia questão de esperar a polícia chegar.
E lá fiquei eu, embaixo de chuva, com o saco de cocô na mão, esperando por 15 ou 20 minutos a polícia, que não apareceu.
Ainda tentei explicar pra ele que era perigoso pro cachorro dele estar sem coleira, porque no caso de um cão 8 vezes maior atacá-lo, ele poderia ter alguma chance, mas não deu certo. Ele foi debochado, me chamou de louca de novo, perguntou com ironia se eu era protetora, e falou que nem me conhecia pra eu falar com ele e negou que tivesse gritado aos 4 ventos para eu tomar no cú. Mais essa, estou ouvindo vozes agora? Fala sério!
Estou cansada de "homens" que se acham importantes por terem dinheiro ou por conhecer políticos corruptos, cansada de acreditar nas coisas nas quais acredito, simplesmente pelo fato de eu só quebrar a minha cara com minhas crenças.
Por que eu voltei quando ele me xingou? Porque não tenho sangue de barata e acho um absurdo colocar um animal em risco por uma frescura de não colocar a coleira.
Se eu fosse homem ele enfiaria o dedo na minha cara? Certamente que não, porque homens desse tipo só são "machos" quando se estranham com mulheres.
Obs: em outras ocasiões tive que parar com o meu cachorro e pedir para que ele segurasse seu cão, ou esperei ele ir andando para evitar uma briga entre os animais.
Obs2: meu cachorro é calmo, mas uma vez um cachorro pequeno veio SOLTO e latindo em sua direção e ele, para se defender pegou o cachorro pelo pescoço. Mas esse caso está em outra postagem.
Segue um vídeo em homenagem a todos os machões de merda, amigos de políticos, aos que se acham muito ricos e aos que se acham superiores que as mulheres,
Se eu sei quem é você? Sei, um babaca arrogante e machista de merda.
Aponte o dedo pra um homem pra ver o que acontece e não para uma "louca" magrela.
Faço minha parte como cidadã desta imensa cidade de São Paulo, ao menos acredito fazer. Reciclo todo o meu lixo (plásticos, papéis, vidro, alumínio), tenho uma composteira para os resíduos orgânicos como cascas de frutas, folhas secas, sementes etc, tento ganhar meu dinheiro honestamente como artesã, pago meus impostos corretamente, resgato animais que cruzam meu caminho, até mesmo minhocas perdidas na calçada, estudo para conquistar algo melhor em meu futuro, procuro fazer tudo que gosto e acho correto sem prejudicar ninguém, tenho minha casa cercada para que meus gatos não fujam e não importunem ninguém, passeio com meus cães na guia. Pode parecer irrelevante passear com os cães na coleira, mas é essencial.
Estou notando que, ultimamente, diversas pessoas estão abrindo mão da coleira ao passear com seus animais. Caminham com a guia na mão, mas solta da coleira, seja a de pescoço ou peitoral, deixando que eles caminhem livremente pelas calçadas.
Essa atitude é muito irresponsável por deixar não apenas seu cão exposto, mas também os demais cães que estão passeando e até também as pessoas na rua.
Nos últimos dois dias discuti com dois cidadãos que passeavam sem conduzir o cão. O primeiro, um cara de uns cinquenta anos que, infelizmente, sempre encontro metros atrás do pequeno cão preto. Já havia falado que era perigoso ele andar com o cachorro solto e ele me ignorou, mas desta última vez o cachorro dele se aproximou demais do meu e quase se pegaram. Esperei o senhor passar e falei que ele era um imbecil por continuar a passear com o animal solto. Sim, um babaca e imbecil.
Hoje, um rapaz de uns vinte e poucos anos passeava bem atrás de seu cão caramelo e idoso. Segurei o meu próximo a mim e esperei o tranquilo rapaz chegar. Falei que poderia acontecer um acidente com um cão fora da guia, e ele achou graça, e disse que confiava no cão dele. Ainda tentei argumentar, dizendo que são "cães" e podem brigar e o meu estando na guia não tenho como segurar o dele. E pra minha surpresa ele disse:
- Solta seu cão e deixa eles brigarem então, é isso que você quer?
Falei que era um irresponsável, aos berros, é claro, mas o que fazer num caso desses? Como argumentar com a ignorância?
Já tive outras experiências ruins com donos de cães que deixam a porta aberta, ou que acham que o animal precisa ser livre. Uma vez uma vizinha deixou o portão aberto e o pequeno shitsu simplesmente pulou no meu cachorro, um vira lata alto, e como não poderia deixar de ser, meu cão grudou no pescoço dele e quase o matou. O pai da digníssima vizinha foi à minha porta me xingar de tudo que é nome e outros parentes dela fizeram um escândalo dizendo que eu deveria sair com meu cão na focinheira. Sim, o meu vira-lata com focinheira. Em momento algum eles se acharam responsáveis por deixarem o portão aberto. Foi um acidente, mas todos me culparam. Foi muito difícil digerir esse história, muito.
Uma outra vez, um senhor com um boxer idoso na coleira, e um labrador também idoso e solto veio atacar o meu cachorro, e também tive que "dar um toque" no senhor que também dizia confiar no seu cão.
Será que estou tão errada assim por querer evitar acidentes com os animais? Será que muitos donos realmente não se importam com o próximo e com o cão do próximo? Será que a educação humana está tao ruim assim que não se tem nem exemplos dentro de casa?
Como agir numa situação dessas? Como argumentar com a ignorância?
Me ajudem!
A exposição Frida Kahlo - conexões entre mulheres surrealistas no México teve início no domingo, no Instituto Tomie Ohtake e hoje decidi visitá-la, cheguei tão cedo que fui a primeira da fila, e quem pensa que fui para ver a obra de Frida está redondamente enganado. Fui para rever Remedio Varo, a minha pintora favorita.
Minha relação com o México teve início quando decidi buscar a biografia de Chavela Vargas. Como ela havia escolhido o país para viver, há muitos anos, acabei pesquisando muito sobre a cultura mexicana e acabei descobrindo a história de Frida Kahlo, entre tantas outras lindas descobertas.
Em 2009, meses depois de minha primeira estada na Cidade do México, no mesmo Instituto Tomie Ohtake, decidi ver o único quadro de Frida Kahlo presente na exposição "Latitudes: mestres latino-americanos", que era um quadro com colagens e um vestido verde pendurado num varal. Nesse dia, conheci o quadro mais lindo de todo o universo! De uma pintora que eu nunca havia escutado falar: Remedios Varo, Lembro claramente o que senti ao ver o quadro "Papilla estelar" Fiquei completamente encantada com a luz que ele emanava e com a imagem em si: uma pessoa alimentando a lua que estava presa em uma gaiola. O brilho, a suavidade da expressão dos personagens, a delicadeza e a simetria, cada pincelada era de um encanto tão harmônico, que nunca pude esquecer tanta beleza.
E como nada acontece por acaso, meses depois, de volta ao México, visitando o Museu de Arte Moderna para ver o famoso "Las dos Fridas", eis que me deparo com uma grande exposição de Remedios Varo. Muitos quadros, desenhos maravilhosos e delicados, história e gatos e....naquele dia ela se tornou minha pintora favorita. Todas as obras mexiam comigo, todas, sem exceção. Outra vez Frda me levou à Remedios Varo.
Desta vez, aqui no Brasil não poderia ser diferente: o ícone Frida Kahlo encabeçou a exposição com outras artistas mexicanas ou radicadas no México, e entre elas...
Remedios Varo e Leonora Carrington eram amigas e pintavam obras semelhantes, surreais e que se complementavam. Nesta exposição, seus quadros estão sempre juntos. A primeira obra de R.V. da exposição se chama "Mulher saindo do psicanalista", onde a personagem joga o espírito do pai em um bueiro, cheio de representações. Emocionante!
Adorei a oportunidade de ver os quadros de Frida que não conhecia e todas as outras lindas obras surrealistas dessas grandes artistas. Descobri que gosto mais dos desenhos de Frida do que de seus quadros.
#Somos todos #somos todas mexicanas # somos todos artistas #Viva México!
Mulher saindo do psicanalista
Detalhe para o rosto de madrepérola do flautista (acima)