Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo." - Pablo Neruda

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Feliz Dia dos Mortos!



Esta é uma semana especial. Seja pela festa de Halloween, pelo feriado ou início do penúltimo mês de 2012. Para mim e para um país da América do Norte, a semana é especial pela celebração do dia de Finados.
Festejar a vida que as pessoas queridas que passaram por nossa vida tiveram e não suas mortes. Com certeza, é o dia que mais representa a cultura mexicana e seus encantos. Alguns passam a noite ou o dia todo no cemitério, lavando as lápides, decorando, cantando, outros reúnem a família para um almoço ou jantar especial com o típico Pan de Muerto*.
É um dia dedicado à lembrança.
Aqui, mantenho viva a magia que conheci no México criando meu próprio altar, com direito a bandeirinhas, caveirinhas, cempazutchil (que aqui tem outro nome, mas é a mesma flor laranja de mil pétalas), velas, fotos e oferendas.  Além de homenagear meus avós, a Duqueza, minha primeira gata, este ano, incluí alguém muito especial em minha vida que transcendeu há quase três meses e foi a responsável por esse meu amor ao México: Chavela Vargas. Graças a sua maneira única de cantar, me apaixonei pelo país em que ela decidiu viver e tive o privilégio de conhecer a alma mexicana.
Sim, é a época do ano em que mais sinto falta de lá. Uma saudade monstruosa se faz presente e aproveito para visualizar lugares em que estive, sorrisos que vi, vozes que ouvi e perfumes que insistem em aparecer misteriosamente trazidos por uma leve brisa.
Espero que um dia todos possam sentir o dia de finados desta maneira, com alegria de relembrar os dias que passaram com pessoas especiais.

¡Ojala que si!
Feliz Dia dos Mortos!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Dia dos animaizinhos :)


Ação contra o abandono de animais domésticos em parques 

Hoje, 4 de outubro, às 16h30, a Secretaria do Meio Ambiente (SMA) de São Paulo realizará, no Parque Estadual Alberto Loefgren (Horto Florestal), o lançamento de placas e banners sobre o abandono de animais domésticos, que deverão ser instaladas nos principais acessos dos parques da capital.
O abandono de pets em parques de São Paulo é uma terrível realidade. Atinge a maior parte dos parques públicos da capital e a campanha busca, por meio da conscientização e da informação, resolver grande parte do problema. O evento contará com a presença do secretário Bruno Covas, responsável pela pasta.
A comunicação trará informações sobre a situação de risco em que a pessoa coloca a vida do animal ao abandoná-lo nesses locais, além das consequências ao meio ambiente e o fato de essa atitude ser criminosa, prevista na Lei Federal de Crimes Ambientais 9.605/98.
“Muitos acreditam que o parque, a natureza, é o melhor lugar para um animal viver, mas se esquecem de que eles estão acostumados, há gerações, a receber os cuidados do homem”, explica Fábio Pregucci, que faz parte do grupo de voluntários Os Cães do Parque, que há quase três anos atua de forma continuada em um dos parques estaduais de São Paulo.
Abandonar cães e gatos nesses locais diminui ainda mais as chances de eles sobreviverem, já que ficam expostos a vários perigos naturais, como picadas de insetos venenosos, doenças da região (a erliquiose, por exemplo, transmitida por carrapatos) e mordidas de animais silvestres. Além disso, eles passam fome e sede, já que não estão aptos a viver por conta própria (não sabem caçar e têm dificuldades em encontrar abrigo e água limpa).
Apesar de não ser uma ONG estabelecida, o grupo Os Cães do Parque já resgatou mais de 150 animais e é responsável por realizar o controle populacional nessas áreas, promovendo castrações e encaminhamento desses animais para adoção. Aliás, a ação da secretaria atende à solicitação desses voluntários, em conjunto com ONGs e associações de proteção a animais, como a Associação Natureza em Forma, a ONG Cão Sem Dono, Celebridade Vira Lata e Distrito Animal.
Desenvolvido pelo setor de comunicação da Secretaria do Meio Ambiente, em parceria com as entidades protetoras, o material institucional será instalado, a princípio, em dois dos principais parques da capital: o Horto Florestal e o Villa-Lobos. A ideia é contemplar outras áreas da cidade de São Paulo e do interior nos próximos meses.

Lembrando que hoje é dia de São Francisco e consequentemente, dia dos animais e seus protetores.
:)

(o texto acima foi retirado do site www.estadao.com.br de 03/10/2012)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sempre estará em Tepoztlán


Ontem, no 49 dia de sua transcendência, seus amigos fizeram o que Chavela Vargas pediu: que suas cinzas fossem espalhadas no monte Chalchi, bem em frente a Casa de Cristal. Em meio a pétalas brancas, incenso e alegria ela voltou a voar. :)

Fico feliz por saber desta linda despedida, ou melhor dizendo, desse regresso a Tepoztlán.

domingo, 23 de setembro de 2012

O primeiro 49 dia



O budismo acredita que tudo no universo, tudo o que ocorre nele, é parte de um imenso tecido vivo de interconexões. A energia vibrante que chamamos VIDA e que flui por todo o universo não tem princípio nem fim. A vida é um processo contínuo e dinâmico de mudanças. A morte é só o início de uma outra vida. A dor da partida dos seres queridos é um dos sofrimentos inevitáveis da vida.
A impermanência da vida é um acontecimento do qual não podemos escapar. Uma coisa é saber a teoria, mas cada momento de nossa vida pode ser o último, e é muito mais difícil viver e agir baseados nesta crença.
Muitos de nós tendem a imaginar que sempre haverá outra oportunidades de nos encontrarmos e de falarmos com nossos amigos e parentes, de maneira que não importa se ficou algo a ser dito.
Do ponto de vista budista, os vínculos que unem as pessoas não são apenas desta existência. Como os que já se foram vivem dentro de nós de alguma maneira, nossa felicidade é compartilhada de forma natural com eles.
O mais importante para nós que estamos vivos agora, é viver com esperança e nos esforçarmos para sermos felizes, buscando nossa própria iluminação através do nosso esforço individual ( a chamada Revolução Humana).
É uma verdade que não podemos evitar: experimentar a tristeza de uma separação.
Hoje é primeiro dos 49 dias da transcendência de minha Lindíssima Chavela Vargas. Com isso, como cremos os budistas, ela está pronta para renascer. Sim, é difícil compreender, principalmente quando a sentimos tão perto de tudo. Sua energia está em todos os lados, hoje e sempre. Essa é a magia da vida.
Chavelita linda sempre te amarei.
:)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é


"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário,perdemos a alegria e o sentido 
das outras etapas que precisamos viver. 
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos.O que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. 
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã...Todos estarão encerrando capítulos, 
virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. 
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. 
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. 
As coisas passam e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. 
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. 
Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas. Portanto, às vezes ganhamos e às vezes perdemos. 
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. 
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando e nada mais. 
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, 
promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". 
Antes de começar um capítulo novo é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. 
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa... Nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. 
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. 
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba.
Mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. 
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. 

Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é."

Paulo Coelho

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Tá procurando emprego? Fuja da Catho!!!


Vamos aos fatos:
Em abril de 2012, reativei meu cadastro no site www.catho.com.br em busca de um emprego. Para isso, optei por um plano trimestral que me custou R$57,90 ao mês. Ok. Não consegui um emprego via Catho, mas sim em um jornal e logo cancelei minha assinatura na Catho.
Estou trabalhando e reorganizando minhas contas após o longo período de desemprego.
Qual não foi minha surpresa hoje ao abrir a fatura do meu cartão de crédito, onde aparece uma nova cobrança da Catho, já a segunda parcela de 3 (não percebi o débito na fatura anterior).

Hoje, 29/08/2012 20:05 entrei em contato no 4134 3518, falei com a atendente Carla, porque acabo de ver a fatura do meu cartão, onde consta o 2º débito de 3 que eu tinha certeza de haver cancelado há três meses, quando comecei a trabalhar. Fui informada que só cheguei até a "segunda janela de cancelamento" (não estaria o site complicando um cancelamento?) e que minha assinatura está ativa. Não concordo, até porque eu não pagaria quase R$60,00 por mês para sequer me logar na Catho. Não há opção de estorno e nem de cancelamento via telefone (o que comprova a intenção de dificultar para o cliente que deseja o cancelamento). Me sinto roubada e indignada pelo descaso desse site e pela falta de interesse em ajudar um cliente que não concorda com a cobrança indevida. "Já passei a informação e não haverá estorno algum, só posso auxiliar a senhora a fazer o cancelamento. Não fazemos o cancelamento via telefone" - Atendente Carla.
Absurdo e descaso mais um cliente que caiu no conto do vigário Catho. Lamentável.
Tá procurando emprego? Cuidado para não arrumar um roubando dinheiro de pessoas em páginas da internet!
Nunca pensei que um ladrão de rua pudesse ter mais moral que uma "grande empresa".



   

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Agosto...


Nem sei o que dizer neste dia tão longo.
Meus amigos mexicanos estão me preparando para a noticia que eu não gostaria de receber.
Chavela está preparada para "transcender" e não aceita nenhuma técnica invasiva de tratamento.
Vai chegando a hora em que o mundo dirá adeus à sua lenda mexicana.
A pessoa mais especial e forte que conheci.
Viva Chavela Vargas!

domingo, 22 de julho de 2012

O fanatismo religioso disfarçado de bom exemplo


Estive pensando em diversos temas para a coluna de hoje, mas o que não sai do meu pensamento é um tema um pouco polêmico. Tentei falar sobre outras coisas, mas não dá para deixar passar.

Hoje eu preciso falar sobre o fanatismo religioso.

Fanatismo: estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política. É extremamente frequente em paranóides, cuja apaixonada adesão a uma causa pode avizinhar-se do delírio.
Em Psicologia, os fanáticos são descritos como indivíduos dotados das seguintes características:
1. Agressividade;
2. Preconceitos vários;
3. Estreiteza mental;
4. Extrema credulidade quanto ao próprio sistema, com incredulidade total quanto a sistemas contrários;
5. Ódio;
6. Sistema subjetivo de valores;
7. Intenso individualismo;
8. Demora excessivamente prolongada em determinada situação/circunstância.


Como sou observadora por natureza, esse é um tema que estudo há tempos e hoje posso falar sobre a conclusão que cheguei sobre o tema.
Fanáticos estão em todas as partes e são classificados em duas categorias: os fervorosos e os dissimulados. Os fervorosos são facilmente identificados e são conhecidos popularmente como “chatos” que querem converter todos os que cruzam seu caminho, muitas vezes aos gritos.
Já os dissimulados são muito amigáveis, falam muito bem e chegam a passar a vida sem que muitos percebam seu fanatismo disfarçado entre suas palavras de incentivo. Os observadores notam claramente que esta categoria criada em TODAS as religiões se prolifera entre grupos cada vez maiores de pessoas que são enganadas com a falsa boa intenção em ser um exemplo de prática aos demais. Porém, todas as suas falas são para vencer a corrida da “Conversão Imediata”, onde outra vez pessoas que passam por dificuldades são usadas e transformadas em mais um número para as instituições religiosas.
Sempre afirmo: não existe a religião perfeita. Temos que analisar com qual delas nos identificamos melhor. E não adianta gritar, convidar, falar, falar e agir de maneira contrária ao que se prega. É muito fácil usar a fraqueza das pessoas e transformá-las em mais um contribuinte de sua instituição financeira, difícil mesmo é colocar em prática os ensinamentos de seus líderes religiosos. Endeusar coisas e pessoas é tão humano como criticar antes de conhecer.
O prazer de um fanático é impor sua opinião usando a religião como fachada e fazem isso sem remorso!
As outras religiões são falhas, acreditam nisso ou naquilo, mas “nós somos a verdade”, é isso que todos eles afirmam!
Pessoas sem tratamento psicológico adequado muitas vezes se tornam líderes de grupos, de seitas e afins, mas nunca se tornam os líderes da coisa mais importante de suas vidas: suas próprias vidas.
Lembre-se: eles estão em toda parte e não se envergonham em colocar todos seus “inimigos”contra a parede (em público).

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Vamos experiênciar?


Que tal fazer aquela tão sonhada viagem nas próximas férias? Mas e se a condição para fazê-la fosse não conhecer nada novo?  Pensemos então nas seguintes recomendações:
-leve a comida que está acostumado a comer diariamente;
-não tire fotos;
- não escute música local;
- e o mais importante: NÃO ABRA OS OLHOS!

Valeria a pena o passeio? Esperar no aeroporto, viajar de avião, e passar ótimos 15 dias só imaginando como o lugar é realmente. Valeria o investimento?
 Sua resposta é “não”?
 Mas então por que você deixou de experimentar a sobremesa que acabaram de te oferecer? É a preferida de muitos e você nem sequer a olhou! Isso significa que sua opinião nem poderá ser compartilhada!

Este foi só um exemplo um pouco radical, mas que representa algo que fazemos diariamente: não experênciamos.

Tá, a palavra é nova, mas de acordo com o Petranski´s Dicioary significa viver a experiência, estar aberto ao novo e reavaliar a vida através de novos conhecimentos. Complexo? Que nada! Super simples! Mas por quê ignoramos diariamente as novas possibilidades? Pode ser apenas um caminho diferente para seguir ao trabalho, onde deixamos de conhecer uma cor nova, uma construção magnífica, uma pessoa simpática, encontrar um bichinho abandonado, ou tudo que poderia mudar nossa vida à curtíssimo prazo (exemplo, pintar uma única parede com a cor da casa do vizinho). Negligenciamos nossos sentidos diversas vezes ao dia.  Passamos pelos mesmos lugares tantas vezes que deixamos de perceber as mudanças. Se piora percebemos, mas as melhorias, não as vemos. Isso é grave!
Tudo se altera diariamente, até as opiniões! A vida é feita de pequenas mudanças que podem interferir na vida de pessoas próximas. Renove seus olhos com novas visões e reveja de um outro ângulo aquela casa amarela da rua de trás. Renove seu estômago e paladar com outros sabores (já provou Milk shake de iogurte com jabuticaba e amarena? É a sobremesa dos deuses!).

Uma viagem proporciona esse tratamento de choque de maneira profunda, mas já que a disponibilidade para férias é um pouco inferior ao tamanho dos nossos sonhos, que tal experiênciar pequenas viagens aos mundos dos cinco sentidos diariamente?
Hum... é uma boa proposta! Me contem suas novas velhas descobertas!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Do estado de inferno ao estado de Buda, em apenas um miado




É muito difícil nascer como um ser humano. Milhões de vezes mais difícil, é aceitar que um ser humano não é mais importante que nenhum outro tipo de vida.
Cães, gatos, pássaros, porco, boi, peixe, ave são tão importantes quanto um ser humano.
Isso não tem a ver com religião, muito pelo contrário, muitas religiões ainda usam a "supremacia humana" para justificar suas refeições e atitudes.
Se dizer seguidor de determinada religião não faz ninguém melhor. Ainda mais quando nossos exemplos não condizem com o que pregamos.
Ser humano é uma espécie que justifica seus atos em nome de tantos disparates, tradições, costumes e manias estúpidas.
Hiperativos, mal educados, estúpidos, agressivos, violentos e ainda somos humanos, ainda possuímos o estado de buda. E usamos até mesmo o buda, o iluminado, para subir um degrau na cadeia alimentar.
Mais difícil que tudo isso, é o exemplo de um homem chamado James. Ex viciado em heroína, morador de rua, que teve sua vida salva por um gato. Logo um gato, animal que tantos seres "superiores" detestam por sua ignorãncia crônica.
Voltando ao James, ele encontrou o gato ainda filhote, todo machucado e decidiu cuidar dele. Bob, o gato, salvou a vida de James também, que largou as drogas e tem um parceiro fiel, um amigo de verdade que o acompanha.
James publicou um livro com sua história e entre uma canção e outra que canta nas ruas de Londres, autografa sua obra ao lado de seu parceiro.
James gasta cerca de R$400,00 ao mês com ração de primeira para Bob, e esse valor equivale a apenas 1/5 do que James gastava com heroína.
Vale a pena ver o vídeo dos dois. É um belo exemplo de como renascer com a ajuda de um animal.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Muito além dos sentidos


Eram ligados pela visão de palavras escritas diariamente, sobre os mais diversos assuntos, num tempo onde tudo parecia ser possível. Onde idéias se transformavam em atitudes claras e a ligação de ambos aumentava. Tempos depois suas texturas foram descobertas ao mesmo tempo em que as vozes se conheciam e os aromas se reconheciam.
Já eram visão, audição, olfato e tato. Mais audição que visão.
O tempo passava rapidamente e logo descobriram o paladar. Foi então que tudo mudou. A voz se podia sentir, as palavras se transformaram em imagens nítidas de sorrisos expressivos, muitas vezes perfumados.
Muito além dos sentidos a realidade acontece permitindo que a lembrança se projete num futuro incerto e distante, consumida pouco a pouco pela falta de planos reais.
Assim é a vida de quem se deixa levar, sem conduzir passos ou pensamentos, que passam a vagar na distância entre dois mundos.
Ação é a palavra que reaviva todos os sentidos, que faz acontecer o que se quer e isso sim é o sentido da vida: agir. Projetos e sonhos não devem ser arquivados esperando a atitude das traças que a tudo devoram. Roupas, palavras, lembranças e o tempo.

terça-feira, 10 de julho de 2012

O preço que pagamos pelos valores que perdemos


Ultimamente tudo parece ter uma vida bem mais curta que há alguns anos, com exceção da vida humana, todos os bens, serviços, e valores morrem cedo.
Há trinta anos, uma máquina de lavar era pra vida toda, as de hoje são trocadas a cada cinco anos, isso com muita sorte. O mesmo passa, com as TVs (cada vez maiores e mais finas, mas que podem deixar uma família inteira na mão, sem aviso). Carros e apartamentos também. Nada dura como antigamente. Na casa dos avós, tudo durava a vida toda, e se quebrasse havia uma maneira de consertar. Mas aí, surgiu a tecnologia e o capitalismo desenfreado, que fazem as pessoas renovarem guarda-roupas a cada seis meses, com a mesma rapidez com que trocam de aparelho celular. Essa rotatividade se alastra por diversos ambientes da casa e é cada vez mais comum com pessoas.
Pessoas também têm prazo de validade. Ou melhor dizendo (e pior entendendo) se cada pessoa não utiliza um tempo estimado pela sociedade para fazer coisas como o primeiro beijo, a primeira namorada, a faculdade, casar, ter filhos e tantas outras que podem passar com uma pessoa ela é considerada defasada. Ora cedo, ora tarde demais para isso e aquilo.
Com essa rapidez, o valor humano perde espaço, assim como o respeito entre seus semelhantes. Nem citarei os de diferentes espécies (entenda como tipos de vida diversos) porque poucos se interessariam.
No último domingo vi a senhora mais velha da rua ir embora. A senhora de 95 anos, com boa saúde para tanta idade, teve que se mudar devido à impossibilidade de ficar sozinha. Teve que deixar para trás sua pequena casa bem cuidada, suas plantas e seus pertences que hoje estão na calçada esperando alguém que os leve. Setenta anos vivendo no mesmo lugar, com as mesmas coisas tiveram que ser deixadas para trás pela necessidade. Será? Não cabe a mim julgar a atitude alheia, porém, tudo que teve um valor inestimável àquela senhora acabou. Esse foi só um caso de tantos outros que conheço. Onde estão os valores humanos, o respeito e até mesmo a moral de cada ser? Agora pareço estar julgando... mas me coloco no lugar dela. Recomeçar a vida é difícil em qualquer circunstância, e aos 95 anos? Não vejo recomeço, só o fim.
Construir um mundo de paz e respeito não deveria ser démodé. Talvez esse olhar “vintage” sobre a vida retorne em alguns anos. Assim como tantas outras que voltaram, ou ficarão para sempre na memória.
Hoje, a pomba com fome não apareceu e as flores da casa da senhora não foram varridas. Não estão no montinho de folhas onde ficaram as últimas décadas. Estão espalhadas pela rua onde buscam a sua cuidadosa cuidadora.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Protetores protegidos


"Certo dia, depois de uma ressaca, milhares de estrelas-do-mar foram lançadas a uma praia deserta e iam secando e morrendo ao sol. Um garotinho ia caminhando, apanhando as estrelas uma a uma e as lançava de volta ao mar. Um velho pescador que assistia a cena disse ao garoto: - Menino, não percebe que o que você faz é inútil? São milhares de estrelas! Não faz diferença jogar uma de volta ao mar. O garoto se abaixou, pegou mais uma estrela e disse: - Pra essa aqui faz toda a diferença do mundo. E lançou-a de volta ao mar."

Um simples gesto faz toda a diferença. Seja uma estrela do mar, um cão, um gato, ou qualquer outro ser vivo, todos precisam de proteção e cuidados. Resgatar um ser do abandono total é dar-lhe uma nova oportunidade para viver melhor, para recomeçar a vida que não teve. Geralmente muito machucados, somem aos olhos apressados que não querem parar para ajudar. Poucos assumem tal responsabilidade. Protetores de animais estão em todas as partes tentando amenizar a dor e recuperar uma vida que se esvai muitas vezes jogada na rua, como se não fosse coisa alguma. Sofrem, choram, fazem o impossível para que possam ser a diferença em uma vida. Ou várias.
Tantas vezes parecem amar mais os animais do que a própria humanidade. Amam sim e isso não é segredo, nem vergonha. Muito pelo contrário: se orgulham disso! Possuem corações infinitos, onde guardam seus filhos de tantas espécies e cores. Não há distinção. Convivem com diferentes costumes e personalidades, idiomas variados e até reconhecem a linguagem dos olhos dos seres que não emitem som algum. Cada qual se expressando à sua maneira e todos são compreendidos. Mesmo as atitudes agressivas são vistas com olhos compreensivos e coração aberto para perdoar.
Tantas vezes pensamos que os resgatamos, quando são eles que nos resgatam de nossa própria solidão. Um animal não entra na vida de um humano sem motivo, aliás, eles escolhem seus donos e onde querem viver. Gostam de ensinar a simplicidade da vida e como pode ser divertido correr atrás de uma bola ou um pequeno papel. Precisam de carinho, companhia e cuidados, mas nos retribuem em dobro.
A vida de um humano nunca será tão boa enquanto não conhecer o amor de um “bichinho de estimação” e mesmo sabendo que estarão conosco por uma ou duas décadas, jamais seremos capazes de esquecer o pouco tempo em que estivemos com eles: a época em que um pequeno ser conseguia arrancar um sorriso nos dias mais tristes.

sábado, 2 de junho de 2012

Muito além dos sentidos

Eram ligados pela visão de palavras escritas diariamente, sobre os mais diversos assuntos, num tempo onde tudo parecia ser possível. Onde idéias se transformavam em atitudes claras e a ligação de ambos aumentava. Tempos depois, suas texturas foram descobertas ao mesmo tempo em que as vozes se conheciam e os aromas se reconheciam. Já eram visão, audição, olfato e tato. Mais audição que visão. O tempo passava rapidamente e logo descobriram o paladar. Foi então que tudo mudou. A voz se podia sentir, as palavras se transformaram em imagens nítidas de sorrisos expressivos, muitas vezes perfumados. Muito além dos sentidos a realidade acontece permitindo que a lembrança se projete num futuro incerto e distante, consumida pouco a pouco pela falta de planos reais. Assim é a vida de quem se deixa levar, sem conduzir passos ou pensamentos, que passam a vagar na distância entre dois mundos. Ação é a palavra que reaviva todos os sentidos, que faz acontecer o que se quer e isso sim é o sentido da vida: agir. Projetos e sonhos não devem ser arquivados esperando a atitude das traças que a tudo devoram. Roupas, palavras, lembranças e o tempo.

sábado, 12 de maio de 2012

Mentes e de mentes


O que passa nas profundezas da cabeça de um ser humano é difícil desvendar, porém, as sombras desses pensamentos podem cruzar seu caminho. Uma ou mais vezes. Para cada desvio de "conduta" cerebral existe uma doença e um possível tratamento. Depressivos, bipolares, esquizofrênicos, psicopatas e tantas outras categorias de enfermidades mentais estão ao seu lado agora mesmo. Podem ter estado atrás de você na fila do mercado ontem mesmo, ou há poucos minutos em uma conversa telefônica. São encontrados mais facilmente bem a sua frente, do outro lado da tela do seu computador. Esse é o esconderijo perfeito para pessoas sem tratamento adequado e sem noção da realidade, que se escondem na rede para roubar, ameaçar e tentar enlouquecer seus novos contatos, o que pode gerar transtornos emocionais e até financeiros para tais elementos, ingênuos ou não.
Da mesma maneira que são feitos os check-ups anuais, a visita ao psiquiatra deveria ser obrigatória a todos também. Desde a infância, cada ser deveria ter acompanhamento psiquiátrico sim, isso diagnosticaria problemas graves que não são conhecidos antes do doente fazer algo grave. O medo do psiquiatra não se justifica, uma vez que ninguém sabe ao certo o é ser "normal". O fato é que toda e qualquer pessoa pode sofrer de um ou mais diversos problemas mentais, durante um período ou por toda vida. A causa nem sempre é genética. Acidentes e sofrimentos muito grandes podem fazer a mente se perder para sempre. Por isso, todos estão sujeitos a tais enfermidades.
Antes de chamar alguém de louco, ou maníaco, faça o seguinte teste: anote em um papel seus pensamentos repetitivos, assim como suas reações mais comuns. Anote também as frases que mais utiliza e o que mais te irrita no comportamento dos que estão ao seu redor. Quando terminar, pense em alguém que você não tolera e imagine essa pessoa com todas as características e falas que estão no papel que utilizou. Se achar que a tal pessoa é louca, então descobriu uma de suas missões aqui na terra, que é cuidar muito bem de si mesmo, do seu corpo e principalmente de sua mente.
Não sou médica, mas esse é um teste simples para que cada um possa se conscientizar ao menos um pouquinho. Loucos todos somos, porém, em grau e periculosidade diferentes. Se você tiver a sorte de identificar alguns sinais em si mesmo, não tenha medo, procure ajuda médica. Caso alguém próximo mostre alguns sinais, tente conversar, claro que não é fácil, porque nunca queremos admitir uma falha; e se alguém que não conheça tentar se aproximar demonstrando algum transtorno, use a sua mente e saia de perto. Não tente “consertar” o outro antes de fazê-lo por si.
E nunca se esqueça: nosso bem mais precioso é a mente.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Senna vive


Domingo tranquilo, oficina de biscuit no Sesc. A chuva começa bem na hora de ir pra casa, então decidimos nos abrigar em uma das salas de atividades. Exposição de foto à direita, à frente um homem acende a lareira gigante e o cheiro de madeira queimada surge bem suave. Conversas e descanso. Descubro que no próximo final de semana, quando teremos a Virada Cultural, haverá uma programação especial do México, com música, dança, artesanato, comida e afins. Nesse momento quase morro do coração, em uma mistura tóxica de saudade, alegria e felicidade: tudo junto assim. Roteiro ok, então caminhamos para o outro lado da enorme sala e descobrimos uma sala de leitura com diversas mesas, cadeiras, revistas e jornais à disposição.
Li jornal para crianças, gibi e peguei uma revista de moda famosérrima com centenas de páginas. Só anúncio, roupas, jóias, modelos em lindos mundos imaginários da criação publicitária. Um tédio total. Nem consegui chegar ao meio da revista. Volto pra estante, coloco de volta e parto em busca de algo mais produtivo e interessante.
Passei por revistas de turismo, atualidades, guias da cidade e vi uma cara conhecida que sempre desperta em mim fortes emoções: Ayrton Senna.
Não faz tanto tempo assim que escrevi sobre o documentário que um inglês fez sobre ele, mas ele pede muito mais que um único post.
Em dois dias, no feriado do dia do trabalho, o mundo completa 18 anos sem esse grande ídolo das pistas.
De 1994 até hoje. Dezoito anos.
Era uma época em que valia a pena acordar mais cedo aos domingos já que a diversão era garantida e a emoção também.
Me lembro exatamente onde estava naquele domingo, assim como grande parte das pessoas que estavam acostumadas a ouvir a tal musiquinha do Senna. Dezoito anos que fui ao velório de um dos maiores ídolos brasileiros, para mim o maior. Caraca, tô ficando velha, pensei. Mas o tempo passou tão rápido...
Abri a Revista Alfa e comecei a ler a apresentação da matéria "Senna vive". A idéia surgiu após um grupo de pessoas terem visto uma aquarela que retrata aquele domingo de 94, 1º de maio, onde Senna saia ileso do acidente. E se fosse verdade?
 A matéria foi criada através de inúmeras suposições, de amigos e jornalistas, de como seria a atual vida do nosso Ayrton Senna, que hoje teria 52 anos.
A matéria que todos adorariam ler, onde Senna fala de sua vida, suas conquistas, sua família, sua vontade em ver o sobrinho campeão e conta que aquele acidente na Tamburello poderia ter sido fatal, mas que foi graças a ele que diversas mudanças foram possíveis na F1, tornando a competição menos perigosa.
Emoção do início ao fim da leitura. Uma matéria que me encheu de alegria e tenho certeza que fará o mesmo com todos os que tenham a oportunidade de tê-la diante dos olhos.
É uma celebração à vida de Ayrton Senna. À vida que ele teve, e a que adoraríamos que ele continuasse tendo.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Carrinhos bate-bate


Ligados na rede elétrica, deslizando por aí até atingirem um obstáculo, ou outro carrinho.
Nem sempre obedecem aos comandos do condutor, como se escolha própria tivessem.
Batem, voltam, tornam a bater e seguem.
Tentam seguir em frente sempre deslizando, o que quase nunca é possível.
Mudando a rota, novos caminhos são encontrados, novas paredes também.
Seguem tentando desviar, são desafiados, provocados, obrigados a colidirem, mesmo que não queiram.
Poderiam ser desligados, mas assim a brincadeira acabaria sem novos rumos.
Diferença alguma se nem pudem sair do quadrado que os envolvem.
Dentro da caixa, ligados ao fio.
E seguem.

"Bia não sabia que monstro sorria"

Adorei ter feito parte do curso e deste lindo projeto chamado "Bia não sabia que monstro sorria"

Baixe gratuitamente!
Disponível no link http://quanta-conversa.blogspot.com.br/2012/02/download-do-livro-bia-nao-sabia-que.html?spref=fb

terça-feira, 17 de abril de 2012

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Páscoa é a morte e ressurreição de Jesus. Que tal celebrarmos a vida que ele teve???

Essa imagem (gostaria muito de saber o artista que a produziu para dar os devidos créditos e parabenizá-lo) é a primeira que vejo na vida de um Cristo sorridente e é justamente essa é a imagem que todos deveriam ter dele.
Cansei de ver imagens dele nesta época de Páscoa todo ensanguentado, agonizando e até mesmo morto. Isso é cultuar a tortura e morte.
E a vida que ele teve?
Jesus Cristo foi um homem muito especial, revolucionou as idéias de quem viveu com ele e é tão influente que até hoje inspira milhões e milhões de pessoas, mas nos lembrarmos dele sendo torturado e pregado numa cruz o tempo todo é uma maneira de chocar com sua morte ao invés de inspirar com a vida que ele teve e que foi tão especial. 
Acredito que ele tenha sido divertido muitas vezes, que riu, que chorou, que incomodou e fez o que todos os homens de sua época faziam e nem mesmo "isso" (ter vivido como homem normal) o torna menos especial para a humanidade. Vamos celebrar a VIDA que ele teve, não sua morte.
Qual o problema dele sorrir? E se ele foi casado e teve filhos, isso o torna mesmo especial e genial?
Um homem especial, que morreu aos 33 anos de uma maneira brutal.
Se tem uma coisa que aprendi com a cultura mexicana é celebrar a vida que uma pessoa teve e não seus momentos finais de agonia.
Jesus foi um ser humano e sempre será um cara fodástico, ou melhor, "O CARA". Celebremos sua vida!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

E não é que teve mais museu hoje???



Poéticas do Mangue – Lazar Segall e Di Cavalcanti
Museu Lazar Segall até 17 de junho de 2012

E há partidas para o Mangue
Com choros de cavaquinhos, pandeiro e reco-reco
És mulher
És mulher e nada mais. (Manuel Bandeira)


terça-feira, 3 de abril de 2012

De Chirico

E essa semana promete! Domigo fui à exposição da Marilyn, e hoje, com o Rafael, visitei o MASP!
Nossa intenção era ver apenas "Roma - A vida e os imperadores", que estará até 22/04/2012. Mas, logo na entrada, olhei a foto de uma outra exposição que me chamou atenção por suas cores vivas e desenho simples.

As esculturas e objetos romanos encheram nossos olhos. A riqueza de detalhes e grandiosidade das peças. Uma linda exposição que só ficou a desejar mais cuidado com as peças.
O museu estava lotado, escolas também levaram seus alunos e professoras para ter contato com a arte, só que a nosso ver, o contato era próximo demais, uma vez que os adolescente tocavam muitas peças em mármore. Faltou também pessoas trabalhando nas salas para impedir que as obras fossem bolinadas. Revoltante que não haja tanta atenção a esses detalhes importante que qualquer museu deve ter. Hoje, não vimos, mais do que dois seguranças entre dezenas de pessoas que visitavam Roma com os dedos.

Subimos e vimos as fotos da Coleção Pirelli, bem interessantes e decimos procurar a tal obra que tinhamos visto lá na entrada. Depois de vermos nossos quadros favoritos do acervo, entre eles, Rosa e Azul, de Renoir, Monet, Picasso e até o "xis amarelo" de Tomie Ohtake, nos deparamos com cores vivas e quase sempre quentes: Obras da Fondazione Giorgio e  Isa de Chirico.
Era aquilo que tínhamos que ver! De Chirico: o sentimento da arquitetura (até 20/05/2012).
Obras aparentemente simples, parecidas e com a alma do artista grego Giorgio de Chirico, considerado precursor do Surrealismo e que fez parte do movimento chamado "Pintura metafísica".
 Estou encantada até agora com a visão daqueles quadros que, para mim, têm algo de Frida Kahlo, com uma pitada de Remedios Varo. Os quadros são da última fase do pintor, o que poderia confirmar essa minha suspeita. Ou não.


Especulações à parte, De Chirico é algo que não se pode deixar de conhecer, principalmente para quem mora em São Paulo.

Traço inspirador, memórias contornadas e a possibilidade de compreendermos que um único assunto na vida de um artista é sinônimo de inesquecíveis obras.
Genial!
Ah, não poderia deixar de falar, no segundo andar do Masp, muito mais calmo, havia diversos seguranças. Um deles até nos orientou a não ultrapassarmos a linha cinza no chão nem mesmo com o dedo para apontar a obra. :)

domingo, 1 de abril de 2012

Quero ser Marilyn Monroe

Hoje foi o último dia da exposição de fotos "Quero ser Marilyn Monroe", na Cinemateca.
Não dava pra esperar mais e sozinha caminhei pelas ruas desde a Vila Mariana, tudo muito calmamente como um tarde de domingo pede para ser. Até passei pela praça onde semanas antes sonhei com cães voadores, mas isso é outro assunto.

Adorei o lugar e as fotos. As frases e mistérios também.
O curioso, é que nunca vi graça nenhuma em Marilyn. E de um tempo pra cá ela virou uma outra inspiração. Foi justamente quando a saudade dos meus ex longos cabelos até a cintura voltaram e decidi me acalmar convivendo com meus cabelos curtos de uma maneira bonita. Busquei inúmeras fotos de penteados e cortes, mas nada me agradava, quando de repente, eis que surge ela: a mulher mais sexy de todos os tempos, com seus cabelos curtos e ondulados, com o olhar pequeno e bem delineado. Aí sim entendi que para marcar presença ninguém precisa de cabelos longos e lisos. Abaixo à progressiva e chapinhas! Viva o ondulado!
Com certeza ela será o tema de mais posts por aqui, e aos poucos divulgo as fotos que tirei na Cinemateca.

Sim, quero ser Marilyn Monroe.
E quem não quer?

quarta-feira, 28 de março de 2012

Ser mãe de gatos é padecer nas clínicas veterinárias

Pra começo de conversa, gato não é traiçoeiro. Essa história de que gato não reconhece dono e não se apega é balela (essa palavra não é do meu tempo). Aqui em casa, somos mães de sete bons felinos com personalidades e manias bem diferentes. Divididos em duas famílias, pais e um casal de filhos que se odeiam, e mãe e um casal de filhos que se amam loucamente, vivem no térreo e no primeiro andar do sobrado para que não haja briga. Nestes últimos anos foram pouquíssimos os combates para o MMAs felino.
Mesmo na meia idade e comendo ração sênior, parecem estar no auge da disposição. Isso não inclui o obeso mórbido do Arthur, o mais novo de todos, que tem sete anos e sete quilos (isso na última pesagem). Preguiçoso, desleixado, troncho e metido a fortão só se exercita quando cisma com seus parentes, aí é corrida e mordida pra todo lado. É a brincadeira dele: encher o saco castrado de todos.
Nessas últimas semanas fomos ao veterinário diariamente cuidar do gato mais velho, o siamês falante. Muitos exames, injeções, soro e arranhões até a endoscopia ser feita. Úlceras, gastrite e pólipos deixaram nosso velhinho rabugento sem comer por mais de uma semana. Entre uma ida e outra, a irmã magrelinha do Arthur apareceu com um corte na pata e o meu gato cinza foi nocauteado pelo obeso. A briga foi tão feia que até a cachorra se meteu. Até unha fincada na cabeça do meu Garfield viciado em batata palha eu achei. Fiquei rouca de tanto gritar, com o rodo nas mãos tentando apartar a briga. Dias depois encontrei o cinza com cara de personagem do filme avatar, já que a distância entre os olhos havia aumentado devido a um imenso inchaço. Já deixamos bem claro que a cota com o veterinário acabou e que ninguém mais arrume briga! Óbvio que não os deixaremos doentes, mas é só pra eles se assustarem e não aparecerem com mais nenhum machucado. Enquanto isso, minhas mãos mumificadas, devido aos curativos diários depois de tantas mordidas e arranhões na hora dos remédios, tentam descansar e digitar um pouco, no silêncio da tarde, que é a hora do sono mais pesado dos meus filhos.  Assim é nossa vida de mãe: correndo pro veterinário, separando briga, trocando a comida até eles aceitarem comer de bom grato e vê-los dormindo tão saudáveis. Que hora mais especial essa, a do sono dos meus felinos!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Não avançar é o mesmo que retroceder

“Quando não há desafio, não se rompem limites e tendemos a permanecer na mesma condição. Para muitos, talvez, não haveria problema permanecer da mesma maneira — pode ser até que esteja bem assim.
Porém, não avançar é o mesmo que retroceder”. Daisaku Ikeda

Palavras, para todas as pessoas, mesmo que se sintam cansadas, inertes e inúteis. Diversas vezes o desafio externo não existe, então, é preciso se desafiar: você com você mesmo. É uma guerra ganha, isso é claro, se você não desistir. É possível que tenhamos medo de vencer a nós mesmos, por isso, tantas vezes paramos no meio do caminho. Covardia ou desânimo? A única saída é seguir em frente, mesmo que neste momento tudo pareça congelado. Esperar a poeira baixar para continuar, é ter paciência e a certeza de que será duplamente vencedor. Mas, nos acostumamos a mudar de idéia sempre, deixando um rastro de tarefas inacabadas, sonhos pela metade e planos rasgados, e nos contentamos imaginando como seria ter tido. Confuso, mas real. E o pior... comum. Se já cansou de tudo isso, pense em bons exemplos e pessoas inspiradoras. Ídolo, mestre, guru, chame como quiser, desde que consiga ver com outros olhos o que já nem percebia. Mudar a tática, ter fé e estudar a situação, para que avance sempre na vida. Evoluir não é tão simples como retroceder, mas é recompensador. 

quinta-feira, 15 de março de 2012

Nosso tempo, perda de tempo?

No futuro seremos conhecidos como a geração X, Y, Z, ou apenas como o povo do tempo da escuridão? No caso, a escuridão intencional dos olhos.  A cegueira de uma geração que possuía inúmeros recursos para evoluir, para desenvolver talentos, fazer grandes descobertas, mas que optou por banalizar até a facilidade que a tecnologia oferece.
A grande rede é usada para unir mentes perversas, psicopatas, pedófilas, preconceituosas. É mais fácil ter acesso a imagens criminosas do que denunciá-las. Conseguimos fazer denúncias para sites de comunicação, enquanto o das autoridades responsáveis pede para ligar pro disque denúncia. Não era uma denúncia anônima mesmo assim não consegui fazê-la. Campanhas contra a pedofilia nas redes sociais, na TV, e quando me deparei com um conteúdo criminoso desses, não consegui enviar para quem deveria caçar tais elementos que disponibilizam e replicam imagens desse tipo. Consegui alertar o Google e o UOL, nada mais.
É assim que seremos chamados: os cegos por opção, que preferem arrancar os próprios olhos a tentar melhorar o lugar onde vivem. Vivemos. No mundo do não envolvimento, onde tudo foi banalizado há tempos. Amor é babaquice, sexo é self-service e valores são só os monetários.
Até mesmo o humor do país, que é a bola da vez, faz piada estúpida com conteúdo criminoso ou tem gente que acha que ...”comer mãe e filho” é algo engraçado? Peraí, que lugar é esse?
Existe limite para tudo sim. E abominar certas frases e cenas não é censura, é ter o mínimo de discernimento. Longe de mim ser moralista, mas quem abre espaço para seres abomináveis, incita sim a violência.
Talvez eu faça parte de uma espécie rara, que ainda acredita no poder do bem, e que pretende ser lembrada por ter feito algo útil e proveitoso para a humanidade. Mesmo tendo vivido na época da cegueira opcional.

domingo, 11 de março de 2012

Papelaria

Alguns desejam não depender de ninguém para viver. Muito justo levar uma vida só sua. Trabalhar para satisfazer o ego e receber um salário que permita viver dignamente, sem haver a necessidade de somar mais uma renda. 
Ter uma horta para não precisar comprar temperos e verduras na feira, muito mais saudáveis sem aquela quantidade exorbitante de agrotóxicos! Tudo muito natural. À noitinha, publicam em todas as redes sociais o orgulho por serem tão auto-suficiente.
Pera lá! Não existe ainda ser humano que brote em árvore e já nasça (que conjugação de verbo!) pronto para desbravar o mundo. Para alguns, seria interessantíssima uma vida tão...tão dona de si mesma.
Em poucos momentos tive essa vontade. Viver numa árvore poderia ser divertido, se me esquecesse dos mosquitos, do desconforto dos galhos. Mas, se lá vivesse, como iria pintar, desenhar e escrever? Com gravetos! É uma opção. Com tinta natural de alguma fruta. Hum... mas esse era o meu jantar! Na prática a idéia não é nada interessante.
Nada como a realidade de hoje. Ter a liberdade de caminhar por uma rua projetada e construída por tantas pessoas, com minha roupa feita à mão por uma senhora, comprada na loja de sua família. Parando nos semáforos fabricados por mais tantas pessoas, tendo o cuidado de não me deixar atropelar por uma carro daquela fábrica imensa...
Pessoas e mais pessoas responsáveis por cada pequeno detalhe construído ao nosso redor.
Poder entre na papelaria e comprar papéis coloridos de diferentes espessuras, pastel seco e até uma caixa de aquarela só é possível através do trabalho de muitas pessoas, cada uma responsável por cada diferente produto. Comunidade e sociedade. O que somos e fazemos está sempre interligado e diretamente dependente do trabalho de outrem. Sozinhos não fazemos nada. Que bom!