Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

quinta-feira, 15 de março de 2012

Nosso tempo, perda de tempo?

No futuro seremos conhecidos como a geração X, Y, Z, ou apenas como o povo do tempo da escuridão? No caso, a escuridão intencional dos olhos.  A cegueira de uma geração que possuía inúmeros recursos para evoluir, para desenvolver talentos, fazer grandes descobertas, mas que optou por banalizar até a facilidade que a tecnologia oferece.
A grande rede é usada para unir mentes perversas, psicopatas, pedófilas, preconceituosas. É mais fácil ter acesso a imagens criminosas do que denunciá-las. Conseguimos fazer denúncias para sites de comunicação, enquanto o das autoridades responsáveis pede para ligar pro disque denúncia. Não era uma denúncia anônima mesmo assim não consegui fazê-la. Campanhas contra a pedofilia nas redes sociais, na TV, e quando me deparei com um conteúdo criminoso desses, não consegui enviar para quem deveria caçar tais elementos que disponibilizam e replicam imagens desse tipo. Consegui alertar o Google e o UOL, nada mais.
É assim que seremos chamados: os cegos por opção, que preferem arrancar os próprios olhos a tentar melhorar o lugar onde vivem. Vivemos. No mundo do não envolvimento, onde tudo foi banalizado há tempos. Amor é babaquice, sexo é self-service e valores são só os monetários.
Até mesmo o humor do país, que é a bola da vez, faz piada estúpida com conteúdo criminoso ou tem gente que acha que ...”comer mãe e filho” é algo engraçado? Peraí, que lugar é esse?
Existe limite para tudo sim. E abominar certas frases e cenas não é censura, é ter o mínimo de discernimento. Longe de mim ser moralista, mas quem abre espaço para seres abomináveis, incita sim a violência.
Talvez eu faça parte de uma espécie rara, que ainda acredita no poder do bem, e que pretende ser lembrada por ter feito algo útil e proveitoso para a humanidade. Mesmo tendo vivido na época da cegueira opcional.

Um comentário:

  1. Aos trancos e barrancos aprenderemos algo. Ou como naquele ditado espanhol:"A sangre entra la letra!".

    ResponderExcluir