Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Você sabe quem sou eu?

E aconteceu novamente, um cachorro sem coleira veio atrás do meu. Outra vez.
Quando algo acontece tantas vezes é um sinal, e infelizmente, terei que privar o meu cachorro de seus passeios. Se algum acidente ocorrer com esses cães que andam sem guias com seus donos, eu não quero estar presente. Já avisei diversos donos que "confiam nos seus cães" que é perigoso para o cachorro deles, já que se eles decidirem brigar é quase impossível separar um cão sem coleira, mas todos debocharam. Então paciência.

O caso de hoje foi especialmente marcante pelo machismo CLARO envolvido.

Estava passeando com o meu cachorro quando um pincher marrom saiu de dentro de uma loja e foi atrás dele. Puxei a coleira do meu pra cima o mais rápido que pude e assustei o pincher, pisando forte no chão e falando pra ele ir embora e falei que não era possível que aquele cachorro estivesse sem coleira outra vez. O dono, um camarada bem conhecido no bairro justamente por andar sempre com esse cachorro solto pelas ruas, se levantou da cadeira e me mandou tomar no cú. Simples assim:
- Vai tomar no cú, sua louca e vai embora com esse cachorro.
Voltei e falei:
- Vai tomar no cú você, seu irresponsável.
Nisso ele veio pra cima de mim apontando o dedo na minha cara e falando um monte de merda, que eu era louca, que ele confiava no cachorro dele, etc etc. Do mesmo jeito que ele veio pra cima apontando eu fui pra cima e também apontei o dedo na cara dele, porque esbravejar com uma mulher magrela é muito fácil. Eu não tenho medo de homem, nem de apanhar de homem, mas caso isso aconteça um dia eu não ficarei quieta. Não sou de me calar com absurdos, quem me conhece sabe muito bem.
O cara ficou surpreso por eu "peitá-lo" de igual pra igual e o que fez? Pegou o telefone e ligou pra polícia, dizendo que tinha uma louca gritando com ele.
Ele ainda fez a pergunta que mais desprezo nesse mundo:
- Você sabe quem eu sou?
Disse que sim, que era uma babaca irresponsável que não protegia seu próprio cão e que eu fazia questão de esperar a polícia chegar.
E lá fiquei eu, embaixo de chuva, com o saco de cocô na mão, esperando por 15 ou 20 minutos a polícia, que não apareceu.
Ainda tentei explicar pra ele que era perigoso pro cachorro dele estar sem coleira, porque no caso de um cão 8 vezes maior atacá-lo, ele poderia ter alguma chance, mas não deu certo. Ele foi debochado, me chamou de louca de novo, perguntou com ironia se eu era protetora, e falou que nem me conhecia pra eu falar com ele e negou que tivesse gritado aos 4 ventos para eu tomar no cú. Mais essa, estou ouvindo vozes agora? Fala sério!

Estou cansada de "homens" que se acham importantes por terem dinheiro ou por conhecer políticos corruptos, cansada de acreditar nas coisas nas quais acredito, simplesmente pelo fato de eu só quebrar a minha cara com minhas crenças.
Por que eu voltei quando ele me xingou? Porque não tenho sangue de barata e acho um absurdo colocar um animal em risco por uma frescura de não colocar a coleira.
Se eu fosse homem ele enfiaria o dedo na minha cara? Certamente que não, porque homens desse tipo só são "machos" quando se estranham com mulheres.

Obs: em outras ocasiões tive que parar com o meu cachorro e pedir para que ele segurasse seu cão, ou esperei ele ir andando para evitar uma briga entre os animais.

Obs2: meu cachorro é calmo, mas uma vez um cachorro pequeno veio SOLTO e latindo em sua direção e ele, para se defender pegou o cachorro pelo pescoço. Mas esse caso está em outra postagem.

Segue um vídeo em homenagem a todos os machões de merda, amigos de políticos, aos que se acham muito ricos e aos que se acham superiores que as mulheres,

Se eu sei quem é você? Sei, um babaca arrogante e machista de merda.
Aponte o dedo pra um homem pra ver o que acontece e não para uma "louca" magrela.





quinta-feira, 8 de outubro de 2015

- Solta seu cão e deixa eles brigarem então, é isso que você quer?


Faço minha parte como cidadã desta imensa cidade de São Paulo, ao menos acredito fazer. Reciclo todo o meu lixo (plásticos, papéis, vidro, alumínio), tenho uma composteira para os resíduos orgânicos como cascas de frutas, folhas secas, sementes etc, tento ganhar meu dinheiro honestamente como artesã, pago meus impostos corretamente, resgato animais que cruzam meu caminho, até mesmo minhocas perdidas na calçada, estudo para conquistar algo melhor em meu futuro, procuro fazer tudo que gosto e acho correto sem prejudicar ninguém, tenho minha casa cercada para que meus gatos não fujam e não importunem ninguém, passeio com meus cães na guia. Pode parecer irrelevante passear com os cães na coleira, mas é essencial.
Estou notando que, ultimamente, diversas pessoas estão abrindo mão da coleira ao passear com seus animais. Caminham com a guia na mão, mas solta da coleira, seja a de pescoço ou peitoral, deixando que eles caminhem  livremente pelas calçadas.
Essa atitude é muito irresponsável por deixar não apenas seu cão exposto, mas também os demais cães que estão passeando e até também as pessoas na rua.
Nos últimos dois dias discuti com dois cidadãos que passeavam sem conduzir o cão. O primeiro, um cara de uns cinquenta anos que, infelizmente, sempre encontro metros atrás do pequeno cão preto. Já havia falado que era perigoso ele andar com o cachorro solto e ele me ignorou, mas desta última vez o cachorro dele se aproximou demais do meu e quase se pegaram. Esperei o senhor passar e falei que ele era um imbecil por continuar a passear com o animal solto. Sim, um babaca e imbecil.
Hoje, um rapaz de uns vinte e poucos anos passeava bem atrás de seu cão caramelo e idoso. Segurei o meu próximo a mim e esperei o tranquilo rapaz chegar. Falei que poderia acontecer um acidente com um cão fora da guia, e ele achou graça, e disse que confiava no cão dele. Ainda tentei argumentar, dizendo que são "cães" e podem brigar e o meu estando na guia não tenho como segurar o dele. E pra minha surpresa ele disse:

- Solta seu cão e deixa eles brigarem então, é isso que você quer?

Falei que era um irresponsável, aos berros, é claro, mas o que fazer num caso desses? Como argumentar com a ignorância?

Já tive outras experiências ruins com donos de cães que deixam a porta aberta, ou que acham que o animal precisa ser livre. Uma vez uma vizinha deixou o portão aberto e o pequeno shitsu simplesmente pulou no meu cachorro, um vira lata alto, e como não poderia deixar de ser, meu cão grudou no pescoço dele e quase o matou. O pai da digníssima vizinha foi à minha porta me xingar de tudo que é nome e outros parentes dela fizeram um escândalo dizendo que eu deveria sair com meu cão na focinheira. Sim, o meu vira-lata com focinheira. Em momento algum eles se acharam responsáveis por deixarem o portão aberto. Foi um acidente, mas todos me culparam. Foi muito difícil digerir esse história, muito.
Uma outra vez, um senhor com um boxer idoso na coleira, e um labrador também idoso e solto veio atacar o meu cachorro, e também tive que "dar um toque" no senhor que também dizia confiar no seu cão.

Será que estou tão errada assim por querer evitar acidentes com os animais? Será que muitos donos realmente não se importam com o próximo e com o cão do próximo? Será que a educação humana está tao ruim assim que não se tem nem exemplos dentro de casa?
Como agir numa situação dessas? Como argumentar com a ignorância?
Me ajudem!

terça-feira, 29 de setembro de 2015

A arte leva à arte

A exposição Frida Kahlo - conexões entre mulheres surrealistas no México teve início no domingo, no Instituto Tomie Ohtake e hoje decidi visitá-la, cheguei tão cedo que fui a primeira da fila, e quem pensa que fui para ver a obra de Frida está redondamente enganado. Fui para rever Remedio Varo, a minha pintora favorita.

Minha relação com o México teve início quando decidi buscar a biografia de Chavela Vargas. Como ela havia escolhido o país para viver, há muitos anos, acabei pesquisando muito sobre a cultura mexicana e acabei descobrindo a história de Frida Kahlo, entre tantas outras lindas descobertas.
Em 2009, meses depois de minha primeira estada na Cidade do México,  no mesmo Instituto Tomie Ohtake, decidi ver o único quadro de Frida Kahlo presente na exposição "Latitudes: mestres latino-americanos", que era um quadro com colagens e um vestido verde pendurado num varal. Nesse dia, conheci o quadro mais lindo de todo o universo! De uma pintora que eu nunca havia escutado falar: Remedios Varo, Lembro claramente o que senti ao ver o quadro "Papilla estelar" Fiquei completamente encantada com a luz que ele emanava e com a imagem em si: uma pessoa alimentando a lua que estava presa em uma gaiola. O brilho, a suavidade da expressão dos personagens, a delicadeza e a simetria, cada pincelada era de um encanto tão harmônico, que nunca pude esquecer tanta beleza.

E como nada acontece por acaso, meses depois, de volta ao México, visitando o Museu de Arte Moderna para ver o famoso "Las dos Fridas", eis que me deparo com uma grande exposição de Remedios Varo. Muitos quadros, desenhos maravilhosos e delicados, história e gatos e....naquele dia  ela se tornou minha pintora favorita. Todas as obras mexiam comigo, todas, sem exceção. Outra vez Frda me levou à Remedios Varo.

Desta vez, aqui no Brasil não poderia ser diferente: o ícone Frida Kahlo encabeçou a exposição com outras artistas mexicanas ou radicadas no México, e entre elas...
Remedios Varo e Leonora Carrington eram amigas e pintavam obras semelhantes, surreais e que se complementavam. Nesta exposição, seus quadros estão sempre juntos. A primeira obra de R.V. da exposição se chama "Mulher saindo do psicanalista", onde a personagem joga o espírito do pai em um bueiro, cheio de representações. Emocionante!

Adorei a oportunidade de ver os quadros de Frida que não conhecia e todas as outras lindas obras surrealistas dessas grandes artistas. Descobri que gosto mais dos desenhos de Frida do que de seus quadros.
#Somos todos #somos todas mexicanas # somos todos artistas #Viva México!


Mulher saindo do psicanalista




Detalhe para o rosto de madrepérola do flautista (acima)

























 Desenhos de Frida



 Desenho de Frida