Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Restaurante Matsuya, discriminando e explorando vegetarianos

Nunca me senti tão discriminada por ser vegetariana ao comer num restaurante como me senti no Matsuya http://www.matsuya.com.br/rodizio.html
O rodízio normal custa R$ 34,90 e o vegetariano (pasmem!) R$ 49,90, mais caro que o jantar de R$ 43,90.
É mais caro comer arroz com fruta e shimeji do que salmão????
E uma funcionária falou: - O que um vegetariano vem fazer num restaurante japonês?
Bom, se há a opção de não comer carne, assim como em todo e qualquer restaurante, como um funcionário pode falar isso?
O que fazer nesse caso???

sábado, 21 de setembro de 2013

Vivendo na música

Vontade de morar numa música, arrumando as notas, aumentando o som, varrendo os chiados, brindando com acordes.
Essa é minha vontade de hoje: viver numa música.
Nesta:

¡Ay, váyanse preparando!
¡Ay, váyanse preparando
Que el conejo ha de salir!
Búscalo aquí, búscalo allá,
Que el conejo ha de salir.

¡Ay, váyanse preparando!
¡Ay, váyanse preparando
Que el conejo va a salir!
Búscalo aquí, que búscalo allá,
Que el conejo va a salir.

Y los que están escuchando,
Y los que están escuchando
Que no lo dejen salir.
Búscalo aquí, búscalo allá,
Que no lo dejen salir.

Y los que están escuchando
Y los que están escuchando
Que no lo dejen salir
Búscalo aquí, búscalo allá,
Que no lo dejen salir.

Como que te va, te va.
Como que te viene, viene.
Como con tu lindo abrazo,
Válgalme, Dios, que este sí es dolor,
Arrulladito me tienes

Como que te vas, te vas.
Como que te vienes, vienes.
Como que tu lindo abrazo.
Búscalo aquí, búscalo allá.
Arrulladito me tienes .

A la sota y al caballo,
A la sota y al caballo,
¿A cuál le voy a apostar?
Búscalo aquí, búscalo allá
¿A cuál le voy a apostar?

Al caballo por ligero.
Al caballo por ligero.
A la sota por formal.
Búscalo aquí, que búscalo allá.
Que a la sota por formal.

Como que te viene, vienes.
Como que te vas, te vas.
Échame en tus brazos, mi alma.
Búscalo aquí, búscalo allá
Si me quieres de verdad

Como que te vas, te vas.
Como que te viene, vienes.
Como que tus lindos brazos,
Búscalo aquí, búscalo allá,
Que arrulladito me tienes.

El conejo anda de noche,
El conejo anda de noche;
Anda en busca de fortuna,
Anda en busca de fortuna,
El conejo anda de noche.

El conejo anda de noche,
El conejo anda de noche;
Anda en busca de fortuna,
Búscalo aquí, búscalo allá,
Anda en busca de fortuna-

Con la tinta del derroche,
Con la tinta del derroche
Logró pintarse en la luna,
Logró pintarse en la luna
Con la tinta del derroche.

Como que te vienes, vienes.
Como que te vas, te vas.
Échame a los brazos, mi alma.
¡Válgame, Dios!, ¡válgame Dios!
De verdad tú me quieres.

Como que te vienes, vienes.
Como que te vas, te vas.
Échame en tus brazos, mi alma.
Cielito lindo, no hay novedad
Si me quieres de verdad


Que casita tan linda :)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A porra do pai

(a imagem é do reencontro do pai com seu filho após o ataque químico na Síria e só ilustra o que acredito ser o certo)

Nestes últimos dias fiquei bem engasgada com essa história do cara do Charlie Brown. Acho perturbador uma vida acabar assim, fico imaginando o que passava a pessoa até decidir acabar com tudo, o que estava sofrendo, ouvindo e pensando.
Nossa mente pode se tornar nossa maior inimiga mesmo, mas tantas e tantas vezes temos a oportunidade de fazer algo diferente e não fazemos. Não é fácil desistir, mas esperar cansa. Ouvir tanta merda é sufocante, ser julgado, condenado e rotulado é enlouquecedor, e muitas pessoas conseguem fazer isso com maestria, sem se importar com o outro. Taxar de burro e incompetente é fácil, e fazer melhor, faz?
Somos criados para esperar tudo de uma força superior que tem o controle sobre nossos atos, aí fica fácil não levar a sério o tormento mental de alguém, já que  tal pessoa "não tinha esse ou aquele Deus no coração".
À merda todos os fanatiquinhos de plantão.
Voltando às forças terrenas, fiquei bem perturbada com a confusão mental do cara e com o saco cheio dele. Fiquei pensando na mulher grávida que ele deixou, e principalmente na filha e no bebê que ainda nem nasceu.
Poxa, a criança nem terá a chance de conhecer o pai! Me coloco no lugar, principalmente, desse bebê e fico imaginando o que ele sofrerá. É triste pensar que seu pai nem quis te conhecer, que nem quis tentar te criar. Ok, ele não tinha estrutura mental para criar filhos, mas os fez e eles existem. Como será a vida dessas crianças?
Lembro, então, dos inúmeros casos de abandono, de filhos sendo descartados como lixo orgânico, como dejetos, como se nada fossem. Mulheres também abandonam filhos, mas isso é muito mais comum com os "pais". Porras de pais apenas.
As pessoas estão produzindo filhos que têm aprendido cedo demais a sobreviver sozinhos, sem um provedor, sem um bom exemplo. Por isso estamos nessa selva.
Queria mesmo que todos pudessem pensar mais em seus filhos, em seus irmãos, em seus semelhantes. Queria que todos olhassem para si mesmos e que se esforçassem para serem melhores.Tá tudo tão vazio de pessoas que querem ser humanos.
Decididamente, essa coisa de pai me assombra mesmo.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Para que serve uma mulher sem marido?


É bem possível que toda a sociedade esteja absolutamente certa a respeito das mulheres. Não é machismo não, é a pura verdade.
Olha só que confuso:

  • mulher precisa trabalhar, ser independente, ter seu dinheiro (que nunca dá pra comprar a casa que se quer, ou ser independente financeiramente de verdade);
  • regra número 1: nunca dar no primeiro encontro para não parecer fácil;
  • mas também não pode dar pra muita gente, senão fica muito "rodada";
  • tá sem namorado? Pera que vou te arrumar um amigo do primo do vizinho da minha colega do colégio;
  • Mulher precisa ter namorado;
  • se namora, precisa casar, caso contrário não namoraria;
  • casou? Ah muito bom! Agora é hora de fabricar filhos! CASO 1 Não quer ter filhos??? Então por que casou? Toda mulher precisa de filhos, você pode não querer agora, mas vai mudar de ideia. CASO 2 E aí já engravidou? Quando vai me dar um netinho?(pergunta mais impertinente). Porém, para isso também há uma regra básica: um é pouco, dois é perfeito, se for um "casalzinho" é a glória. Mas se engravidar do terceiro...aí já está na hora de parar;
  • marido traiu? A esquece isso, pensa nos seus filhos, ou quer voltar pra casa da sua mãe?(olha a praga rogada!);
  • tem trinta e não casou? Vamos analisar as possibilidades: ou é lésbica, ou louca, ou insuportável que ninguém aguenta, ou tem algum problema seríssimo;
  • não aguentou as chifradas do marido e se divorciou? Aí sim filha, está fodida pro resto da vida.
O que faz uma mulher sem marido???
Pra esmagadora maioria, uma mulher sem macho não é nada. A mulher sem macho é triste, sofre por não ter um pau pra chamar de seu, por não ter um cobertor de "orelha" (fala sério, cobrir a orelha por quê se há tanta coisa pra cobrir e descobrir?).

Tanto abominei esse tipo de pensamento e agora começo a acreditar em cada um. Antes de me xingar de machista e mal amada, olhe em volta. Observe suas amigas solteiras, suas colegas de trabalho, até mesmo aquele menina ali almoçando sozinha naquele restaurante tão legal.
Não deu uma peninha? Então, é disso que estou falando. Que essa ideia está enraizada no inconsciente coletivo do qual fazemos parte e não se pode lutar contra isso.

 Nada mais a declarar #ehfodasermulher


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Agora

Pior quando chega a noite, as mesmas ruas de antes, diferentes porque estão sem nós
Mais frias, com mais calçadas, menos folhas, mais espaço
Tudo congelado como antes dos nossos passos, que iam e vinham diversas vezes
Só os passos solitários agora, indo sempre ao mesmo local
Os olhos chegam a buscar o que já não é
Em vão.

sábado, 22 de junho de 2013

Sapatos vazios


Ecoam risadas perdidas
na grande penumbra ansiosa
Saudade por toda parte,
pisoteada pelos sapatos verdes
Só a mudez do presente vazio.
Risada larga já não vejo
Nem os olhos brilhantes estão aqui.
Estão de certa forma, mas não me miram
Desejo que não acaba
Resposta que não vem
Revendo com outros olhos, só vejo o nada
Reflexo de quem partiu.

sábado, 15 de junho de 2013

Talvez (Pablo Neruda)

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,

E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

terça-feira, 28 de maio de 2013

Vida Wendy

Wendy Clementina de Jesus
28/08/1998 - 28/05/2013


Me lembro daquele início de outubro de 1998 quando a peguei na gaiolinha do pet shop, pequenininha, mais preta do que amarela. Bonitinha aquela gatinha de nariz vermelho. Chegamos em casa e dei ração e ao me aproximar ela se mostrava bem nervosa me "ameaçando" com sua gigantesca pata de 2 cm. Personalidade marcante desde bebezinha. Gostava de bizarrices, como dormir no bidê e usar a pia, aliás, viveu muito tempo nos banheiros durante sua juventude. Foi doidinha, briguenta, teve dois filhotes no primeiro dia de 2000, fugiu por três meses de casa até voltar misteriosamente da mesma maneira que saiu. Corria pelos corredores de madrugada, e com coices abria a porta do quarto.Entrou no cio mensalmente mesmo sendo castrada por longos anos, época em que era magrinha,mas quando atingiu a melhor idade felina ficou gorda e um pouco flácida, mais ou menos no mesmo período em que começou a apresentar problemas de saúde. Ficou mais calma, mas nunca perdeu a vontade de explorar novos horizontes e topos de guarda roupas. Escolheu a cama da Tânia por anos e se mudou pra minha há alguns meses. Nos últimos 3 anos passou por várias visitas, exames e controles do veterinário. Mas a cirurgia com biópsia, que seria a única certeza da presença do linfoma, não foi feita por ser invasiva e arriscada devido a sua idade.
Cuidamos com muito amor e carinho da nossa velhota, que começou a perder a qualidade de vida no último sábado. Muito fraca, desidratada, começou a se cansar muito, não tendo mais forças nas finas pernas.
 Hoje perdemos nossa bebê Wendy.
 Esteve conosco por 14 anos e exatos 9 meses e continuará em nossas vidas para sempre.
Obrigada bebê Wendy pela companhia, pela diversão e amor, por todos os olhares dos esprimidos olhinhos amarelos, pelo apreço ao som estridente da gaita e assobios, pelos iogurtes de morango divididos e por nos escolher como donas.
Sempre amarei muito a minha Vida Wendy =^.^=.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A morte não santifica ninguém



   Diversos seres em um. Estados de vida que se alternam diversas vezes ao dia. Assim somos nós.
   Lutamos por nossos ideais, ou pelo que achamos correto e assim seguimos a vida fazendo o que acreditamos. Ora felizes, ora irritados. Estados que nos dominam tantas vezes, só melhoramos se nos conscientizamos de que tudo que nos ocorre têm um porquê, tudo pode ser uma grande oportunidade para transformarmos um comportamento ruim que insistimos em ter. Assim crescemos.
   Todos deixam uma lição, e muitas pessoas se destacam entre os amigos, que são os irmãos que não tiveram e acabam forjando sua grande obra entre eles. A morte não santifica ninguém, mas oferece aprendizado a quem fica. É isso que precisamos entender.
   Alguém que não nos inspira pode ter sido muito importante para alguém, ou para um grupo imenso de pessoas. Todos têm uma missão por aqui, porém, nem sempre o convívio familiar é o local onde executaremos essa missão.
   A religião une pessoas que temos que conhecer, e se a crença de um não é igual à do outro, essa também é uma oportunidade para aprendermos a lição mais importante da vida: respeito à vida.
   Lembremos-nos disso na próxima vez que começarmos a pensar que o que o outro fez em vida foi falso, hipócrita ou errado.
   Ninguém é totalmente errado a ponto de não deixar nenhuma lição de vida.
   Todos nós temos a capacidade de inspirar grupos, por menores que sejam. Sempre podemos levar a felicidade a alguém que já não têm esperança e fazê-la multiplicar. Esse é um dos estados de vida que todos temos: o Estado de Buda.
   Desperte a alegria e felicidade absoluta perdida em seu coração e recomece a cada dia.
   Refletir sobre o que fazemos, pensamos e falamos determinará o legado que deixaremos.
   Você também não acerta o tempo todo, não cobre isso do outro, menos ainda se a pessoa em questão já morreu.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

O tempo e o nada



Certo dia, João percebeu que tinha o que tantos desejavam. Nada em excesso, mas o suficiente para viver dignamente e feliz. Oportunidades surgiam. Umas ele aproveitava, outras deixava passar. Não tinha a ver com aquela tal zona de conforto, isso é pra quem não quer arriscar, ele não tinha era vontade de fazer outra coisa. Estava tudo bem e isso bastava. As pessoas ao redor o invejavam por sua sorte, era assim que diziam: pessoa de sorte esse "Jão", tem tudo, tudo chega fácil pra ele. Ele fazia o que tinha vontade, lutava pelo que queria e era isso, nada demais, nenhum segredo, era o básico do básico. Sabia que tinha preguiça muitas vezes, sabia que poderia ser melhor, mas não sofria por passar por essas fases.

João percebeu que o que tinha estava perfeito. E era essa perfeição básica que o fazia ter certeza de que não tinha nada que não pudesse ser substituído.


domingo, 21 de abril de 2013

Vida interessante



 "Pessoas com vidas interessantes não têm fricote. Elas trocam de cidade. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor, compram passagens só de ida.
   Para os rotuladores de plantão, um bando de inconseqüentes. Ou artistas, o que dá no mesmo. Ter uma vida interessante não é prerrogativa de uma classe. É acessível a médicos, donas de casa, operadores de telemarketing, professoras, fiscais da Receita, ascensoristas. "

   Este, é um trecho do livro Doidas  e Santas de Martha Medeiros, que andou circulando pelas redes sociais recentemente. É ótimo porque é simples e diz tudo. Nos faz pensar em como não escrevemos isso antes se era exatamente o que queríamos falar? A simplicidade da escrita cutuca quem lê, a ponto de fazer questionar o quão interessante pode ser uma vida e o que se pode fazer para transformá-la.
   Minha nova queridinha. Busco mais inspiração em suas palavras justamente nesta fase "mente branca", preguiçosa e sem inspiração. Vida interessante é faser a vida de alguém interessante, mesmo que com um único parágrafo.


terça-feira, 16 de abril de 2013

Efeito Dumbledore



Estes dias, percebi a necessidade que temos em fantasiar. Talvez, seja uma lacuna que deva ser preenchida constantemente, que nos faz suportar a mesmice dos dias.
   Atos heroicos ou surreais, tudo é possível, até as ações mais mortíferas são facilmente superadas.
   E só me dei conta disso recentemente, quando finalmente comecei a  assistir a saga do bruxinho Potter. O curioso da história, para mim, é a criatividade da autora J.K.Rowling, que mesmo passando por um momento compliciado da vida decidiu colocar no papel toda as genialidade, aquela que não se apaga nem mesmo quando passamos por grandes dificuldades, e deu início a uma nova era da literatura infantil. Ganhou diversos prêmios, foi aclamado pela crítica e público e se tornou a primeira escritora milionária iniciante no mundo, não sem antes ter sua obra recusada por inúmeras editoras.
   Esse é um grande exemplo de que passar por dificuldades é tão natural quanto manter a criança interior presente por toda a vida, e é justamente essa alma criativa e sonhadora que nos faz seguir em frente, buscando superar os desafios e resolver as situações que nos fazem mal. Adulto de verdade é assim, eternamente conectado ao mundo do tudo é possível, onde transforma sua vida pouco a pouco e encanta lentamente todos que os rodeiam.


terça-feira, 9 de abril de 2013

Presa na garganta



Acordei mais cedo que de costume devido à febre e a dor de garganta. À medida que os minutos passavam, os calafrios surgiam em intervalos cada vez menores e após muito refletir, decidi que o melhor a fazer era ir ao hospital tomar uma injeção. Francamente, trocar um dia de trabalho por uma benzetacil, era uma péssima escolha, porém, necessária.
   Com muito custo, saí da cama, avisei que não teria condições de trabalhar e fui ao pronto socorro. O diagnóstico foi rápido e preciso: infecção nas amígdalas. Oh! Nem imaginava! Ainda, tive a opção de escolher entre antibióticos orais ou aquela temida injeção. Fiquei com a segunda opção, tamanha a desgraça física em que me encontrava, mesmo sabendo que ganharia uma nova dor por mais alguns dias. Tortura concluída, voltei mancando para casa.
   Corpo quebrado, bunda doendo e sono chegando, agora sim, poderia repousar o resto do dia!
   Mal cheguei em casa e o telefone começou a tocar, pensei em não atender  já que precisava falar pouco, mas tinha certeza que era coisa rápida.
   -Alô? Oi vó, tudo bem? Quê? Mas o que aconteceu? Para de chorar e me conta. Ah, meu deus... eu tô doente vó, mas venha aqui em casa ficar com a gente até se acalmar, te buscamos naquele ponto de ônibus antes da Ricardo Jafet.
   E lá fui eu arrastando a perna,  atravessando a ponte de madeira podre da avenida para encontrar minha avó aos prantos.
   - O relógio do seu avô! Que burra que fui! (e chorava). Pensei que eles precisavam de ajuda para resgatar o prêmio do bilhete da loteria. O que é que eu fui fazer? Dei o relógio de ouro do seu avô... (e chorava mais um pouco).
   Finalmente entendi o que havia acontecido. Comecei a lembrar da correntinha  que esteve presa na calça do meu falecido avô desde que me conheço por gente. A corrente que seguia bolso adentro terminando num lindo relógio de ouro que era retirado poucas vezes ao dia. Era a herança que ele havia deixado. O objeto que mais representava o Sr. Castro, estava,naquele momento, nas mãos de um desconhecido, sabe-se lá onde.
   Minha avó era a culpa encarnada, não se perdoava por ter caído no golpe do bilhete premiado, jamais se perdoaria por tal deslize.
   A notícia correu e o telefone de casa se tornou a linha das lamentações. Eu e minha irmã, já havíamos escutado a tal história umas onze vez e nos solidarizamos em cada uma delas.  E assim, meus planos de repousar o resto do dia foram por água a baixo.
   Tv ligada e lanchinho para distrair a Dona Adria, eu sentada de lado porque minha perna inteira doía, os gatos assustados, minha irmã perdida no caos da sala e uma irritação começou a surgir em meu peito. O choro foi ficando mais baixo e passamos a ouvir uma outra voz vinda da rua, a trilha sonora começou a mudar.
   - Olha aí, olha aí freguesia, são as deliciosas pamonhas! Pamonhas fresquinhas pamonhas caseiras é o puro creme do milho verde. Temos pamonhas doce, pamonhas de sal, “souvete” e bolo de milho. Venha provar minha senhora, é uma delícia!
   Era só o que faltava, o carro da pamonha estacionado na pracinha, espalhando pelo bairro o tal texto obsessivo compulsivo. Não era possível que além de toda aquela “falação” em casa a voz daquela gralha da pamonha aumentasse pouco a pouco.
   Eu não merecia aquilo! Estava doente! Que falta de respeito!
   ... temos pamonhas doce, pamonhas de sal, “souvete” e bolo de milho. QUE DIABOS É UMA PAMONHA DE SAL???  É salgada sua idiota! Essa vaca não sabe falar a palavra SOR-VE-TE???
   Meu sangue fervia, mas logo o carro seguiria seu rumo e irritaria outras pessoas, ao menos era o que pensava.
   À medida que o som se aproximava, minha avó aumentava o volume do choro, eu o da televisão e o telefone continuava a tocar, alguns minutos enlouquecedores até o som ficar ensurdecedor. O carro da pamonha parou na minha porta!
   -Olha aí, olha aí freguesia, são as deliciosas pamonhas!
   Aquilo era demais para mim!!!  Esqueci toda a dor e o repouso das cordas vocais e saltei em direção ao portão.
   - Sua filha da puta! Enfia essas pamonhas no cú!!!!
   - O que? A senhora quer pamonha???
   Ao ouvir aquela pergunta estúpida, me agarrei ao portão trancado esperando que o cadeado estourasse com a minha fúria. Naquele momento, eu parecia um gorila enlouquecido numa jaula.
   Aos berros, acabei ameaçando a motorista do carro da pamonha,  por sorte, o portão não abriu, e logo o sedan vinho começou a se movimentar para buscar uma nova freguesia.
   E lá continuei, pensando que aquele ataque de fúria conseguiu ser pior que a dor de garganta e a benzetacil  e que jamais deveria ter saído da cama aquele dia.


sábado, 6 de abril de 2013

Arte obrigatória: suja a cidade que eu reciclo



Exato dia entre o Cavalete Parade e o primeiro turno das eleições para prefeito e vereador e ainda não escolhi o destino do meu voto. Pra falar a verdade, é nojento ser obrigada a votar diante de opções tão estúpidas, mas pior que isso, é saber que esta cidade será governada por um palhaços que se candidataram. Gostaria de votar só para vereador, naquele que vê também que os animais merecem respeito. Nada do top model descabelado do bairro que determinou que seus cavaletes devem me assustar a cada manhã em que viro a esquina de casa, muito menos no jornaleiro que nos atormenta gritando no dia das crianças por horas a fio e que durante o resto da ano cobra uma mísera impressão p&B R$2,00. Exatamente, dois reais por uma folha impressa. Com pequenos exemplos tão próximos, a escolha fica mais complicada.
   E que invenção é essa de espalhar cavaletes com cara de vagabundo pelas ruas? Não basta o monte de papel jogado na calçada, no jardim de casa, no meio da rua? Papel não incomodava o bastante, precisava ter mais lixo na rua. E ainda por cima "emoldurado" com tábua de estrado.
   Fico feliz por ter participado no último sábado do Cavalete Parade, onde cada pessoa retirou das ruas um cavalete de político, pintou e o expôs na Avenida Paulista. Obras lindas, intrigantes e simples que deixaram um recadinho para os porcalhões de plantão: suja a cidade que eu reciclo.
   A arte sim, deveria ser OBRIGATÓRIA. O voto não.


terça-feira, 26 de março de 2013

Sementes



Ali o vento passa, levando a poeira do luto,
Passa e arrasta pequenas sementes que poderiam se fixar na terra úmida
Já não sabemos do futuro, nem do agora, mas as raízes não crescerão, a menos que sejam cuidadosamente cultivadas.
Longe da ventania, a cidade segue sua rotina agitada
E afasta qualquer possibilidade de laço
Multidão vazia, peito aberto.
Só o vento dança entre nós
Empurrando os dias e levando as noites
Pra longe daqui.

domingo, 17 de março de 2013

Palavras mudas



Presas na garganta, ou perdidas no espaço, as palavras mudas se tornam presentes quando mais precisamos ouvi-las. Difícil entender a força que as impede de soar e ressoar. Incompreensível podemos dizer. O que pode ser mais grave que o silêncio absoluto? A inércia absoluta? A mentira criada ou a verdade não dita?
   Nada. Nada é pior que o silêncio.
   Mesmo quando as mais variadas oportunidades são dadas, a palavra insiste em calar-se. Imóvel, paralisa o tempo, as esperanças e todo o encanto de se poder discutir qualquer assunto. Imaturas e covardes palavras não ditas, que apagam momentos e dias de verão, que matam as flores e sufocam os pensamentos.
   Palavras medrosas e covardes que permanecem no vácuo cinzento, presas  às correntes da miséria egoísta das verdades não ditas.
   Comunicação covarde.



sexta-feira, 8 de março de 2013

12 de setembro, uma data importante para o Budismo Nitiren e para mim



Em 1271, a perseguição de Tatsunokuti  culminaria com a decapitação do buda original Nitiren Daishonin, após ser incriminado falsamente.
   Quando seu algoz estava preparado para o golpe fatal, surgiram no céu luzes tão grandes como a lua cheia e rápidas como flechas que partiram a espada que decapitaria Nitiren Daishonin.

   Centenas de anos depois, num mesmo 12 de setembro, mais precisamente em 2011, recebi meu Gohonzon. Já faz um ano que sou budista oficialmente e neste período pude comprovar diversas formas de encarar um mesmo problema. É um desafio ser a única pessoa responsável por minha vitória ou derrota, porém, também é tranquilizador saber que nada e ninguém pode interferir na minha revolução humana, se assim eu desejar.
   Revolução humana é mudar e agir de maneira diferente, nem que seja  um pouquinho por vez. Transformar-se pouco a pouco e atingir um nível de consciência antes nem imaginado.
   Como budista, aprendi a fazer a minha parte e comecei a entender que ninguém muda se não quer. Nem doença, nem alegria são capazer de transformar a vida de alguém se essa pessoa não estiver aberta ao novo. E estamos mudando todos os dias. A partir do momento em que percebemos as pequenas mudanças, notamos que tudo sempre esteve em nossas próprias mãos. Que a lei mística e o Nam Myoho Rengue Kyo estejam cada dia mais presentes nesta caminhada.
Obrigada a todas as pessoas que começaram a fazer parte da minha vida neste último ano e por serem exemplo a tantas pessoas que assim como eu, buscam fazer a diferença no mundo.

   Budismo, gestão do conhecimento, teoria U, tudo tão parecido e essencial em minha vida.


segunda-feira, 4 de março de 2013

A vida pode ser mais bela depois de duas doses de tequila


Publicada em 05/09/2012

Dia mais complicado e louco foi o que hoje, tudo junto acontecendo no mesmo instante. Mas ainda é dia 05.
Um mês que “trancendió a Chavela Vargas”. Um mês.
Dia louco, mês estranho, 2012 marcante e eu aqui esperando respostas.
Fazendo mais perguntas, selecionando tudo cada vez mais. Gosto de frases cortadas e palavras cheias. Verdadeiras. Palavras ditas e feitas. E de pessoas que honrem o que dizem.
No meio da confusão deste dia, até que consegui reverter (um pouco) a pressão falando de tequila com o Creck Picadinho e no auge da minha sabedoria aconselhei com um desabafo: “Todos os problemas são resolvidos com duas doses de tequila”. Ele até que concordou! Naquele momento, determinei o que faria quando chegasse em casa.
Acabando tarde e precisando transcender (de alguma maneira que um mortal comum consiga realizar). Sexo? Drogas? Rock n`roll (ou rancheira)??? Não! TEQUILA!!!
Aqui estou, escrevendo com duas doses de tequila na cabeça que desceram leves, leves, mesmo com o amargo do limão. Tudo fica tão lindo e engraçado quando se tem uma garrafa cheia em casa. O segredo da beleza é o nº 2. Só duas doses. Três já iniciam outros problemas. E agora este dia 5 parece tão alegre e calmo, que posso ouvir qualquer tipo de resposta sem me abater.
E por falar em respostas, alguém tem alguma pergunta?
(ai, cocei os olhos com os dedos de limão e sal). Joooder. Viva México cabrones!

Thais Petranski


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Que o faça



"Se você quer me atingir, que o faça. Se quer me difamar, que o faça também. Mesmo que eu vá preso por causa de minhas convicções, irei com toda a honra, mas ainda assim cumprirei minha missão!"
   Esta frase faz parte do poema Nona Onda, de Daisaku Ikeda, inspirado no quadro de mesmo nome do pintor Aivazovsky. Um pequeno barco no meio do oceano. Águas agitadas colocando em risco todos os que a desafiam. Assim é a vida: uma sucessão de riscos que somos obrigados a superar em meio a agitação dos dias. Mesmo que  a luz do sol sugira algum conforto, a força do imprevisto surge desafiando os corajosos e os conformados. A força é igual para todos, a única diferença é o que pensamos sobre tais acontecimentos. Reação da mente para mudar a realidade que vemos agora. Persistência. O contato com a filosofia budista ajuda muito e acaba criando uma consciência antes ignorada pelos castigos  oriundos das más ações. Causa e efeito. Saber que alguém precisa de ajuda e tentar ajudar. De uma maneira, de outra e assim continuar. Aceitando ou não a ajuda, ainda assim cumprirei minha missão. Ou dever. Ou opção. Visão. Vontade. Teimosia. Seja lá o nome que se queira dar.

Thais Petranski


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Falar de cores



Senta aqui perto
Vamos falar de cores
Fecha esse livro e vem conversar
Abra um sorriso imenso
Levante os óculos e nem veja mais nada
Tarde de sol não é pra trabalhar
Nem pra estudar
Vem cá e vamos falar de bobeiras
De música, de comida ou do planeta que ela veio
E você de que planeta é?
Leia este livro daqui a pouquinho
Vamos falar do tempo
Do ontem e inventar histórias
Abra os olhos, com ou sem lente
E conte uma bobagem qualquer
E fique rouca de tanto rir
Não liga não é só brincadeira
Em alguns minutos voltarei pra minha casquinha
E é divertido lembrar do riso.
Senta aqui perto e vem falar de cores.

Thais Petranski

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Ser de luz, assim é Chavela Vargas. Esteja onde estiver.

Publicada em 08/08/2012



Hoje,  oito de agosto de 2012, é a primeira quarta feira sem a presença física de Chavela Vargas. Oficialmente, este é o primeiro texto que escrevo desde o último domingo.
O que posso dizer é que ela é um exemplo de força e determinação. Fez tudo o que sempre quis até o fim de sua vida. Quem é que depois de 90 anos ainda tem ânimo para gravar 2 cds, subir ao palco e ainda encarar uma viagem do México à Espanha?
Chavela Vargas entrou em minha vida em uma noite de sábado, quando fui golpeada por sua incrível voz. Após os momentos iniciais ao impacto, minha visão mudou e passei a ver caminhos que antes não existiam.
Interessei-me por tudo o que rodeava aquela tal cantora cujo documentário era dedicado. México, mariachis, a comemoração do dia dos mortos, Frida Kahlo e tantas outras coisas que hoje fazem parte de mim. Na verdade, encontrei o que faltava.
Tive algumas oportunidades de estar ao seu lado, em sua casa em Tepoztlán. A primeira vez, a esperei sair de sua vida simples, sem posses e solitária para que estivesse em seu jardim. Nesse dia, senti o campo de energia que emanava daquela senhora, tão forte que não consegui  aproximar-me mais. Não é exagero meu, todos os que puderam estar perto dela confirmam isso.
Para ela decidi escrever uma carta, que virou um livro chamado: Siga o seu coração: busque Chavela Vargas! e a presenteei com minha inspiração, um ciclo de perfeita harmonia.
Meu maior presente, foi vê-la lendo minhas palavras.
Nunca havia pensando em escrever um livro e para ela escrevi logo dois! Sim, há a versão ilustrada do livro em questão.
Me declarei a ela diversas vezes e levarei seu nome aonde quer que eu esteja. E isso ela já sabia.
Como ela mesma disse, ela não morreu, transcendeu e foi o que aconteceu.
Domingo senti sua partida, confirmada poucas horas depois e percebo que sempre existirá essa forte ligação. Mesmo não estando fisicamente presente, aqui ela está. Aqui, no México, na Espanha e em todos os lugares onde houver um coração que precise de conforto, a última Xamana continuará curando os males de amor. Lindas homenagens foram feitas e daqui de longe observei tudo muito emocionada. Ela merece todo o reconhecimento do universo! Sim, ela está em um nível acima dos humanos comuns, como eu e você.
Chavela Vargas: uma mulher absurdamente forte, decidida, simples e iluminada que eu tive a imensa honra em conhecer.
Viva sempre Chavela Vargas!
Te amo!

Thais Petranski


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Porque lá deixei minha alma estacionada

Publicada em julho de 2012


Deus lhe empresta a vida, mas ainda tem vários planos. “Já tenho vontade de descansar eternamente, a única coisa que me resta é voltar a Madrid, porque lá deixei minha alma estacionada. Tenho que voltar a buscá-la e com certeza voltarei. Não sei quando exatamente, mas tenho que reencontrar-me com meus velhos amigos!.
Há alguns dias, Chavela Vargas voltou da Espanha, realizou outro sonho, o de estar com seus amigos na terra que tanto ama.
Ontem, soube que ela voltou a ser hospitalizada. Não está bem e os médicos dizem que “a senhora Vargas está demonstrando a todo momento a força e a capacidade de lutar que a caracteriza”. Segue lúcida.
Hoje foi um longo dia para mim, meus pensamentos todos estão com ela agora, rezei por sua felicidade e me sinto estranha.
Creio que ela esteja falando com a morte agora, cantando para ela e é só sua a decisão de ficar conosco ou ir.
Tudo podemos esperar de Chavela, só aguardamos sua decisão final.
Te amo muitíssimo.
Viva Chavela Vargas! Queira o que queira.

Thais Petranski


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Coberta lilás



Sobre a mesa, copos caídos, toalha manchada.
Coberta de pano lilás sobre a cama.
Pano amassado, pés descalços descançam
Sobre a mesa, depois dos copos e do pano manchado
Cobertos de tecido sobre a cama fria
Bordada pele clara liberta do salto
Sentindo o chão frio em relevo
Depois a mesa, a cama e o copo vazio.

Thais Petranski

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Reviva México. Viva México!



País lindo, governo podre
podridão no poder, extorquindo e comprando votos por 500 pesos
Peso do crime, disfarçado de político honesto e jovem
Jovem marginal com passado dúvidoso e presente ilegal.
Ilegal é a paz do povo, que não pode sorrir com tanto crime organizado pelo governo
Governos corrupto que escandaliza diariamente roubando tudo o que vê.
Vejo a ditadura de Gadafi na figura jovem de Pieña Nieto comprador de votos
Votos manipulados grosseiramente, recontados pela ignorância pobre
Pobre México, gigante adormecido, ou águia agonizante?

Futuro incerto, gerações condenadas à escravidão eterna
eternizando a fraqueza das pessoas de bem
bem como, exterminando  a grandiosidade cultural
Cultura para quê, se o que rege o mundo é o dinheiro?
Dinheiro não compra paz, nem futuro, nem saúde.
Saúde mexicanos!
Brindem a força conjunta, façam algo diferente para que isso acabe
Acabem com o desânimo do comodismo, recontem os votos e estejam nas ruas
O México é do povo, e não do povo que toma o poder.
Viva México!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mim



Parti do Brasil, cria vazia com título de imperatriz
Escolhida no maldito potencial felino
Ora vadia atriz, ora negativa filha.

Poderia partir sorrindo, permitindo a vida sim
Vi na língua sentido e no ouvido equilíbrio redigido
Cretina lista discursiva da teoria perdida da brisa.

Poderia partir do Brasil feliz e gentil
Pra um país sem rinite ou gosto de anis
No íntimo de um primaveril domingo de Frida.

Poderia e parti do Brasil descobrindo a vida
Quis o sim à míngua na sílaba perdida
E vi o exercício festivo de Thais.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Agora



É impressionante como tudo acontece no tempo certo, e esse tempo raramente é o nosso tempo. Não o que queremos, mas quando estamos preparados. E é justamente isso, essa espera para colher os frutos que nos faz avançar cada vez mais.
Seguir sempre em frente e ter consciência de que a recompensa virá. Recompensa não, resultado.
Todos merecem o melhor. Difícil é ter foco e paciência para esperar, mas é justamente assim que aprendemos o que é realmente a vida. Pode parecer papo de vó, mas é a pura verdade.
O importante é plantar bons frutos e nunca esquecer de que a época certa para começar é agora.
Mudar a estratégia hoje para receber os benefícios amanhã.
Assim que é.
:)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Sol


Desejei tuas respostas infinitamente
Dia após dia elas se minimizaram até sumirem de vez
Tentei ouvir teu silêncio, mas, nada me dizia.

Nada para mim. Nenhum plano, nenhum querer
Só a distância elevada ao cubo.

Sem tempo, sem amor
Sem atenção, sem sementes vivas.

Saudade do sol da primavera,
Da voz pausada
Do seu riso ligeiramente torto

Tudo são só palavras agora, mudas e invisíveis
Que só queriam voltar à vida para dizer
Que sua mudez ainda é o que deixei
Naquela manhã fria de novembro.

Thais Petranski

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Terra



Museu no quarto das cores perdidas
Entre rostos congelados e sorridentes
Quadros pendurados, pintados, empoeirados.

Cores encontradas no fundo da lembrança
Derramadas entre o pano e o concreto
Pedaço de rocha colorido se mantém:
Enumerado, imóvel e vermelho.

Cópias quase perfeitas da terra distante
Que se espalhou pelo corpo árido
Semente rara que quer voar.

E voando acaba perdida na casa amarela ou azul
Longe daqui, de lá. Em lugar nenhum.
Acaba presa na terra de sempre
Desejando a liberdade de trocar de cor.

Thais Petranski

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Água



Primeiro poema do curso. O primeiro de vários. Espero que gostem, mesmo estando um pouco discursivo e racional. :)

Ela traz a vida em seu deslizar
Mantendo a natureza sempre ao seu redor
Presente em tudo e todos
Do início ao fim.

 Em excesso ou poluída, mata.
O mesmo ocorre quando escassa
Tempestade, maré alta, avalanche,
Vapor, deserto, sede.

Belas são suas formas enquanto praias
Intrigantes quando estalactites
Encantadora quando cai em flocos
E ameaçadoras enquanto “icebergs”

Onipresente, é a deusa da vida.
Água que tudo leva, lava e traz.

Aqui na terra da garoa
Falta-me seu estado “água de frutas”
A doce maneira mexicana de refrescas a vida
Com muito gelo e pedaços de frutas
Essa água sim tem cheiro, cor e forma de vida feliz.

Delícia do verão



Depois de um mês de chuva, garoa, céu nublado e afins, eis que surge o tempo do verdadeiro verão! Céu azulzinho, calor infernal, suor escorrendo o dia todo, uma nojeira, mas...é verão!

Dias escaldantes sem coragem de colocar o pé na rua. Roupa social? É uniforme de guerra, mas são só mais 2 meses desta linda estação. Aproveite as lindas noites sem vento para abrir bem as janelas em busca de uma mísera brisa que seja para sentir a alegria de respirar. Cheiro de dama da noite entorpecendo todos que cruzam o jardim, nutrindo a alma de vida perfumada.  Tome vários banhos ao dia e vá dormir pensando na praia do fim de semana, na piscina com a galera e quando estiver pegando no sono...zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeemmmmmmmmmmmmm.

A alegria vira fúria quando toda a delícia do calor nos presenteia com pernilongos. Ahhh, os pernilongos. Sempre fazendo barulho nos nossos ouvidos para que não fiquem sós numa noite tão agradável. É bobagem acender a luz, uma vez que são invisíveis. Ao contrário dos vaga-lumes que se fazem bem visíveis quando voam, os pernilongos têm o poder secreto da invisibilidade. Quando vamos em sua direção ele some misteriosamente, para aparecer somente quando nosso sono chegar. Adoro insetos, os bonitinhos como joaninhas, os feios como o bicho graveto e as mosquinhas de banheiro, mas não me venha com pernilongos! Eles são demais para mim! Vivem aos meus pés, deixando suas imensas picadas vermelhas tatuadas. Não picam braços, nem costas, nem nada além de meus pés. Ainda não entendi essa preferência, mas não faz diferença. Detesto pernilongos. Não sei que tanta fome têm esses mini vampiros que sempre querem mais sangue. O pior é que acabamos com um e aparece uns dez no lugar. Talvez seja a família inteira com sede de vingança, porque estes sim, picam com ódio, fazem mais barulho e mais estrago. Os sprays ajudam mas ficar 24 horas respirando SBP é inviável. Contra eles só mesmo um predador natural. Sapo gosta de mosca, será que come pernilongo também? Farei uma criação de sapinhos e se eles derem conta desses meus inimigos... eu disse criação de sapos? Aqueles bichinhos gosmentos que fazem barulho durante a noite??? Pensando bem, melhor fazer um estoque de repelente mesmo.

Texto de Thais Petranski e ilustração de Maurício Rett

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O amor é outra coisa...(para chorar de rir)


"- O amor não é estar disposto a esperar por alguém, mesmo sem saber ao certo quanto tempo vai demorar. Isso é fila do SUS. Amor é outra coisa.
- O amor não é ferida que dói e não se sente. O nome disso é insensibilidade congênita. Amor é outra coisa.
- O amor não é fogo que arde sem se ver. O nome disso é combustão de metanol. O amor é outra coisa.
- O amor não te liberta quando já não há mais outra saída. O nome disso é Gilmar Mendes. O amor é outra coisa.
- O amor não faz você ouvir a voz do coração. O nome disso é ecocardiograma. O amor é outra coisa.
- O amor não te deixa amarrado a uma pessoa. O nome disso é macumba. O amor é outra coisa.
- O amor não deixa suas pernas bambas, nem sua mão úmida e fria. O nome disso é uísque "on-the-rocks". O amor é outra coisa.
- O amor não libera a criança que existe dentro de você. O nome disso é cesariana. O amor é outra coisa.
- O amor não te leva a lugares inesperados. O nome disso é sequestro relâmpago. O amor é outra coisa.
- O amor não abre a cabeça das pessoas. O nome disso é traumatismo craniano. O amor é outra coisa.
- O amor não faz seu mundo girar sem parar. O nome disso é labirintite. O amor é outra coisa.
- O amor não faz você se sentir sempre acompanhado. O nome disso é encosto. O amor é outra coisa.
- O amor não te leva por caminhos tortuosos e te assusta de vez em quando. O nome disso é trem fantasma. O amor é outra coisa.
- O amor não é algo que faz o seu coração continuar batendo. O nome disso é marca-passo. O amor é outra coisa.
- O amor não te faz arder em chamas. O nome disso é combustão instantânea. Amor é outra coisa.
- O amor não te deixa molinho e manhoso. O nome disso é Rivotril. O amor é outra coisa.
- O amor não te deixa temporariamente cego. O nome disso é spray de pimenta. O amor é outra coisa.
- O amor não te deixa sem chão, o nome disse é cratera. O amor é outra coisa.
- O amor não te deixa quente e te leva pra cama. O nome disso é dengue. O amor é outra coisa.
- O amor não retribui suas declarações. O nome disso é restituição de imposto de renda. O amor é outra coisa.
- O amor não leva teu café da manhã na cama e ainda dá na boquinha. O nome disso é enfermeira. O amor é outra coisa.
- O amor não te faz olhar pro céu e ver tudo colorido. O nome disso é queima de fogos de artifício. O amor é outra coisa.
- O amor não te faz ficar simpático e amoroso de repente. O nome disso é Natal. O amor é outra coisa.
- O amor não te liberta. O nome disso é Alvará de Soltura. Amor é outra coisa.
- O amor não te deixa à mercê da vontade alheia. O nome disso é Boa Noite Cinderela. O amor é outra coisa.
- O amor não te faz ver o mundo cor-de-rosa. O nome disso é baitolice. O amor é outra coisa.
- O amor não é aquela coisa brega, mas que te remexe todo. O nome disso é Banda Calypso. O amor é outra coisa.
- O amor não te dá a chance de mudar o que está diante de você. O nome disso é controle remoto. O amor é outra coisa.
- O amor não tira suas defesas. O nome disso é HIV. O amor é outra coisa.
- O amor não te pega desprevenido e te impulsiona para frente. O nome disso é topada. O amor é outra coisa.
- O amor não faz o coração bater mais rápido. O nome disso é arritmia. O amor é outra coisa.
- O amor não faz você dar suspiros. O nome disso é dia de Cosme e Damião. O amor é outra coisa.
- O amor não te faz ver tudo com outros olhos. O nome disso é transplante. O amor é outra coisa.
- O amor não faz brotar uma nova pessoa dentro de você. O nome disso é gravidez. O amor é outra coisa.
- O amor não te deixa completamente feliz. O nome disso é Prozac. Amor é outra coisa.
- O amor não te deixa saltitante. O nome disso é Pogobol. O amor é outra coisa.
- O amor não te faz acreditar em falsas promessas. O nome disso é campanha eleitoral. O amor é outra coisa.
- O amor não te faz esquecer de tudo. O nome disso é amnésia. Amor é outra coisa.
- O amor não te faz perder a articulação das palavras de repente. O nome disso é AVC. O amor é outra coisa.
- O amor nao te faz sentir borboletas no estomago, o nome disso é fome. O amor é outra coisa.
- O amor não te deixa completamente imóvel. O nome disso é trânsito de São Paulo. O amor é outra coisa."