Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"On writing" de Henry Miller

Eu não ousava pensar em nada exceto "os fatos".
Para chegar além dos fatos eu teria que ser um artista, e alguém não se torna um artista da noite para o dia .
Primeiro você tem que ser esmagado, ter seus pontos de vista conflitantes aniquilados.
Você tem que ser varrido como ser humano de forma a nascer novamente como indivíduo.
Você tem que ser carbonizado e mineralizado de forma a ultrapassar o último denominador do ser.
Você tem que ir além da piedade de forma a sentir das próprias raízes do ser.
Ninguém pode fazer um novo céu e terra com "fatos".
Não existem - "fatos"- existe somente o fato que o homem, cada homem em cada canto do mundo, está no seu caminho para ordenação.
Alguns homens escolhem a rota longa e alguns tomam a rota curta .
Cada homem está trabalhando o destino dele de sua própria maneira e ninguém pode ajudar exceto sendo gentil, generoso e paciente.

Henry Miller
do livro "On writing"

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