Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Feliz Dia dos Mortos!



Esta é uma semana especial. Seja pela festa de Halloween, pelo feriado ou início do penúltimo mês de 2012. Para mim e para um país da América do Norte, a semana é especial pela celebração do dia de Finados.
Festejar a vida que as pessoas queridas que passaram por nossa vida tiveram e não suas mortes. Com certeza, é o dia que mais representa a cultura mexicana e seus encantos. Alguns passam a noite ou o dia todo no cemitério, lavando as lápides, decorando, cantando, outros reúnem a família para um almoço ou jantar especial com o típico Pan de Muerto*.
É um dia dedicado à lembrança.
Aqui, mantenho viva a magia que conheci no México criando meu próprio altar, com direito a bandeirinhas, caveirinhas, cempazutchil (que aqui tem outro nome, mas é a mesma flor laranja de mil pétalas), velas, fotos e oferendas.  Além de homenagear meus avós, a Duqueza, minha primeira gata, este ano, incluí alguém muito especial em minha vida que transcendeu há quase três meses e foi a responsável por esse meu amor ao México: Chavela Vargas. Graças a sua maneira única de cantar, me apaixonei pelo país em que ela decidiu viver e tive o privilégio de conhecer a alma mexicana.
Sim, é a época do ano em que mais sinto falta de lá. Uma saudade monstruosa se faz presente e aproveito para visualizar lugares em que estive, sorrisos que vi, vozes que ouvi e perfumes que insistem em aparecer misteriosamente trazidos por uma leve brisa.
Espero que um dia todos possam sentir o dia de finados desta maneira, com alegria de relembrar os dias que passaram com pessoas especiais.

¡Ojala que si!
Feliz Dia dos Mortos!

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