Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O tempo e o nada

Certo dia, João percebeu que tinha o que tantos desejavam. Nada em excesso, mas o suficiente para viver dignamente e feliz. Oportunidades surgiam. Umas ele aproveitava, outras deixava passar. Não tinha a ver com aquela tal zona de conforto, isso é pra quem não quer arriscar, ele não tinha era vontade de fazer outra coisa. Estava tudo bem e isso bastava. As pessoas ao redor o invejavam por sua sorte, era assim que diziam: pessoa de sorte esse "Jão", tem tudo, tudo chega fácil pra ele. Ele fazia o que tinha vontade, lutava pelo que queria e era isso, nada demais, nenhum segredo, era o básico do básico. Sabia que tinha preguiça muitas vezes, sabia que poderia ser melhor, mas não sofria por passar por essas fases.
João percebeu que o que tinha estava perfeito. E era essa perfeição básica que o fazia ter certeza de que não tinha nada que não pudesse ser substituído.

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