Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

sábado, 22 de junho de 2013

Sapatos vazios


Ecoam risadas perdidas
na grande penumbra ansiosa
Saudade por toda parte,
pisoteada pelos sapatos verdes
Só a mudez do presente vazio.
Risada larga já não vejo
Nem os olhos brilhantes estão aqui.
Estão de certa forma, mas não me miram
Desejo que não acaba
Resposta que não vem
Revendo com outros olhos, só vejo o nada
Reflexo de quem partiu.

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