Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Agora

Pior quando chega a noite, as mesmas ruas de antes, diferentes porque estão sem nós
Mais frias, com mais calçadas, menos folhas, mais espaço
Tudo congelado como antes dos nossos passos, que iam e vinham diversas vezes
Só os passos solitários agora, indo sempre ao mesmo local
Os olhos chegam a buscar o que já não é
Em vão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário