Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A porra do pai

(a imagem é do reencontro do pai com seu filho após o ataque químico na Síria e só ilustra o que acredito ser o certo)

Nestes últimos dias fiquei bem engasgada com essa história do cara do Charlie Brown. Acho perturbador uma vida acabar assim, fico imaginando o que passava a pessoa até decidir acabar com tudo, o que estava sofrendo, ouvindo e pensando.
Nossa mente pode se tornar nossa maior inimiga mesmo, mas tantas e tantas vezes temos a oportunidade de fazer algo diferente e não fazemos. Não é fácil desistir, mas esperar cansa. Ouvir tanta merda é sufocante, ser julgado, condenado e rotulado é enlouquecedor, e muitas pessoas conseguem fazer isso com maestria, sem se importar com o outro. Taxar de burro e incompetente é fácil, e fazer melhor, faz?
Somos criados para esperar tudo de uma força superior que tem o controle sobre nossos atos, aí fica fácil não levar a sério o tormento mental de alguém, já que  tal pessoa "não tinha esse ou aquele Deus no coração".
À merda todos os fanatiquinhos de plantão.
Voltando às forças terrenas, fiquei bem perturbada com a confusão mental do cara e com o saco cheio dele. Fiquei pensando na mulher grávida que ele deixou, e principalmente na filha e no bebê que ainda nem nasceu.
Poxa, a criança nem terá a chance de conhecer o pai! Me coloco no lugar, principalmente, desse bebê e fico imaginando o que ele sofrerá. É triste pensar que seu pai nem quis te conhecer, que nem quis tentar te criar. Ok, ele não tinha estrutura mental para criar filhos, mas os fez e eles existem. Como será a vida dessas crianças?
Lembro, então, dos inúmeros casos de abandono, de filhos sendo descartados como lixo orgânico, como dejetos, como se nada fossem. Mulheres também abandonam filhos, mas isso é muito mais comum com os "pais". Porras de pais apenas.
As pessoas estão produzindo filhos que têm aprendido cedo demais a sobreviver sozinhos, sem um provedor, sem um bom exemplo. Por isso estamos nessa selva.
Queria mesmo que todos pudessem pensar mais em seus filhos, em seus irmãos, em seus semelhantes. Queria que todos olhassem para si mesmos e que se esforçassem para serem melhores.Tá tudo tão vazio de pessoas que querem ser humanos.
Decididamente, essa coisa de pai me assombra mesmo.

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