Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

terça-feira, 29 de setembro de 2015

A arte leva à arte

A exposição Frida Kahlo - conexões entre mulheres surrealistas no México teve início no domingo, no Instituto Tomie Ohtake e hoje decidi visitá-la, cheguei tão cedo que fui a primeira da fila, e quem pensa que fui para ver a obra de Frida está redondamente enganado. Fui para rever Remedio Varo, a minha pintora favorita.

Minha relação com o México teve início quando decidi buscar a biografia de Chavela Vargas. Como ela havia escolhido o país para viver, há muitos anos, acabei pesquisando muito sobre a cultura mexicana e acabei descobrindo a história de Frida Kahlo, entre tantas outras lindas descobertas.
Em 2009, meses depois de minha primeira estada na Cidade do México,  no mesmo Instituto Tomie Ohtake, decidi ver o único quadro de Frida Kahlo presente na exposição "Latitudes: mestres latino-americanos", que era um quadro com colagens e um vestido verde pendurado num varal. Nesse dia, conheci o quadro mais lindo de todo o universo! De uma pintora que eu nunca havia escutado falar: Remedios Varo, Lembro claramente o que senti ao ver o quadro "Papilla estelar" Fiquei completamente encantada com a luz que ele emanava e com a imagem em si: uma pessoa alimentando a lua que estava presa em uma gaiola. O brilho, a suavidade da expressão dos personagens, a delicadeza e a simetria, cada pincelada era de um encanto tão harmônico, que nunca pude esquecer tanta beleza.

E como nada acontece por acaso, meses depois, de volta ao México, visitando o Museu de Arte Moderna para ver o famoso "Las dos Fridas", eis que me deparo com uma grande exposição de Remedios Varo. Muitos quadros, desenhos maravilhosos e delicados, história e gatos e....naquele dia  ela se tornou minha pintora favorita. Todas as obras mexiam comigo, todas, sem exceção. Outra vez Frda me levou à Remedios Varo.

Desta vez, aqui no Brasil não poderia ser diferente: o ícone Frida Kahlo encabeçou a exposição com outras artistas mexicanas ou radicadas no México, e entre elas...
Remedios Varo e Leonora Carrington eram amigas e pintavam obras semelhantes, surreais e que se complementavam. Nesta exposição, seus quadros estão sempre juntos. A primeira obra de R.V. da exposição se chama "Mulher saindo do psicanalista", onde a personagem joga o espírito do pai em um bueiro, cheio de representações. Emocionante!

Adorei a oportunidade de ver os quadros de Frida que não conhecia e todas as outras lindas obras surrealistas dessas grandes artistas. Descobri que gosto mais dos desenhos de Frida do que de seus quadros.
#Somos todos #somos todas mexicanas # somos todos artistas #Viva México!


Mulher saindo do psicanalista




Detalhe para o rosto de madrepérola do flautista (acima)

























 Desenhos de Frida



 Desenho de Frida















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