Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Sanhaço azul: um grande desafio

Ha uma semana, encontrei um filhote de passarinho caído na calçada. Eu o levaria imediatamente ao Viveiro Manequinho Lopes, no parque do Ibirapuera, onde o DEPAVE Fauna, recolhe e cuida de animais silvestres para posterior soltura, mas nesse mesmo dia, 29/12/14, o parque não abriu devido à queda de 25 árvores.
Cuidei do pequeno sanhaço azul, dando papinha Psitacídeos da Nutrópica a cada hora e meia e mamão, manga, banana ou melão. Ele foi crescendo solto e a cada novo dia, o encontrar vivo foi uma vitória (geralmente morrem durante a noite).
Registrei diversos momento do pequeno bebê, ainda cinzento: crescimento das plumas do pescoço, crescimento do rabo, mudança no formato do bico, ensaios de canto, voos, e desespero em pedir comida.
Minha intenção era soltá-lo no parque da Aclimação quando estivesse maior e comendo sozinho.
Ontem, notei que ele estava ficando manso demais e bem domesticado, quando ele voou em direção ao meu braço levantando. Era um sinal de que me reconhecia e que poderia ficar sempre dependente.
Pássaros precisa voar, precisam de liberdade.
Hoje, entrei em contato com o DEPAVE, e falei com uma bióloga, que falou da reabilitação que fazem, enquanto aguardam o empenamento do pássaro, e, concluindo essa fase, promovem a soltura do animal. Decidi levá-lo, claro que com um pouco de tristeza por não poder vê-lo mais, mas com a certeza de que ele teria uma grande oportunidade de voltar à liberdade.
Fiz um grande trabalho com ele, que me deixou imensamente feliz, e sei que foi a melhor decisão pra aquele pedacinho de fauna voador.
Boa sorte bebê sanhaço azul!

As fotos estão na ordem cronológica, as três primeiras foram feitas logo após o resgate, onde é nítida a fraqueza dele. As seguintes, mostram sua evolução.


















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