Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Descarte e viva

Início de ano é sempre bom fazer um balanço do ano anterior para focar melhor nos planos e conquistas do ano novo. Fazer uma arrumação nos armários é uma boa para tirar o que não se usa, o que já não é útil e que pode servir para outras pessoas. Hoje mesmo, separei dezenas de roupas e objetos e fiz um cadastro em um aplicativo de trocas/vendas. De um tempo pra cá, diminuí muito o consumo em geral, não apenas pela falta de grana, mas, principalmente, por perceber que o consumo excessivo é banal demais pra mim e não faz mais sentido. Não preciso abarrotar meus armários para me sentir bem, mesmo que eles continuem um pouco longe do que eu entenda por "apenas o básico". Sei que estou no caminho certo há um bom tempo e me sinto muito bem fazendo esses "rapas".
Um exemplo prático dessa minha teoria: tenho duas toalhas e três trocas de lençol, não preciso mais do que isso. Tenho dois pijamas bem quentes e três para o verão e dois para meia estação. Parece pouco, mas não é, já que são 7 peças. Camisolas não tenho porque não gosto...coisa minha...
Todo o resto de vestimentas acho que tenho de mais e é esse número que tento diminuir sempre. Quando entra uma peça nova, precisa sair 2, pelo menos! Nesta última semana entraram 3 peças novas e estão saindo 25. É esse meu objetivo, ter cada ver menos coisas.
Atualmente, prefiro ganhar coisas que acabem de presente. Coisas que acabam, a meu ver, são produtos de higiene: xampu, condicionador, sabonete, creme, óleo de banho, etc; acabam e ainda têm embalagens recicláveis!
Ter menos roupas significa mais espaço livre, mais ar circulando, mais liberdade. Sempre penso que no caso de um incêndio ou algo parecido, não seriam as roupas que eu salvaria, então há elementos mais importante do que elas, no caso, animais e plantas (humanos acabam se salvando de alguma maneira, outros tipos de vida não).
Descartei sentimentos ruins também, pessoas interesseiras e mentirosas, pessoas nocivas e falsas, e é justamente aqui que eu queria chegar.
Neste balanço de ano novo me deparei com minha vida profissional, que atualmente é o artesanato. Crio peças e vendo com uma certa dificuldade, o retorno não é como eu gostaria. Preciso de mais retorno financeiro e não sei como fazer esse número crescer. Ainda pensando em profissão, fiz uma análise dos meus empregos com carteira assinada e todos têm algo em comum: eu tinha um cargo x , desempenhava muito mais do que era esperado para a função e mesmo após mostrar minha capacidade, meu salário era absurdamente menor do que os puxa-saco dos chefes. Pessoas amigas dos caciques já entravam ganhando 5 vezes o meu salário. Meu dissídio era de 100,00 e o deles era mais de 1000,00. Era cobrada, desafiada, desrespeitada porque não sei lamber o saco de chefe, e vejo que isso só fez mal a mim. Vi coisas horrorosas: acusações, assédio moral, mentiras, enganação, falsidade, manipulação, teatro, e os atores sempre se davam bem, prejudicando o próximo, mas sempre se davam bem. Ganhavam muito, conseguiam comprar e ajudar familiares e continuam com suas vidas confortáveis. Eu continuei com meus princípios mas sem recursos para ser uma pessoa independente financeiramente. E eu acho muito triste ler uma vez ou outra sobre "meritocracia", já que só presenciei o mérito de quem soube enganar os outros muito bem. Há pessoas que lutam, que se dedicam, que tentam, de tomam porrada, que querem sumir muitas vezes, que querem desistir e essa tal meritocracia não chega. Nunca achei que a vida fosse justa não, mas daí a beneficiar tanto pessoas inescrupulosas já é demais. É uma observação que fiz nestes dias e não fiquei feliz. Constatei isso apenas olhando pra trás para poder dar uma base pro meu futuro. Viver da maneira como vivi até agora não me deu nada além de sonhos frustados, livros engavetados, diploma mofado e inúmeras tentativas de realizar algo realmente bom para mim. Tentei tudo o que achei amar verdadeiramente e só tive decepções. Pra quê tanta criatividade se ela não pode pagar minhas contas e sonhos? Minha criatividade e desejo de realizar só me trouxeram decepções, porque ninguém realiza nada sozinho. Para se publicar um livro é preciso de alguém te dando um SIM. Para ter um aumento é preciso que alguém diga: - Sim, vamos rever seu salário!; para que se tenha um emprego bom, é preciso que alguém diga um SIM, para passar em um concurso e ser convocado, é preciso estudar muito e que alguém decida que apenas 7 vagas não serão suficientes (sou inteligente, mas não tanto para estar entre os 7 melhores. Isso não é pessimismo, é apenas a realidade); para vender muito artesanato é preciso dizer sim para anúncios e esperar várias SIM EU QUERO ENCOMENDAR....
A conclusão que chego é que preciso de mais SIM em minha vida. Seja para aceitar ou dar uma oportunidade para o meu sucesso profissional. Estarei atenta às oportunidades que criarei e as que simplesmente aparecerão.
Que este ano seja muito produtivo e realmente transformador para a minha vida. E que se eu tiver que aprender a ser sonsa e puxa saco, que eu aprenda de uma vez por todas, porque do jeito que estou já não posso ficar.

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