Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

sexta-feira, 4 de março de 2016

Dias como hoje

Dias como hoje só servem para mostrar que por mais que saibamos que este dia chegará nunca estaremos preparados.
Mesmo após 15 meses de tratamento, de exames, litros e litros de soro, medicações e miados de uma fome que nunca passava.
Dias como hoje colocam um ponto final no sofrimento físico, mas acabam trazendo o sofrimento do coração de quem fica.
A vida é assim e isso não torna o processo mais fácil.
Dias como hoje não deveriam existir.




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