Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

sexta-feira, 11 de março de 2016

Mao Tsé Tung: Sobre amor, ausência e outras coisas

Mao, meu amor:

Nesta última semana lembrei de várias coisas que gostaria que soubesse, achei muitas fotos e quero que veja as que separei. Lembra da historia que te contei sobre como eu te "encomendei" com sua mãe?  Tá bom, eu conto outra vez.
No final de 1999, percebi que a Wendy estava esperando filhotinhos, não havia dado tempo para castrar o seu pai e o fato é que teríamos novos moradores. Comecei a imaginar quantos filhotes e como seriam. Nessa mesma época, eu vi um programa sobre o ditador chinês Mao Tsé Tung e esse nome ficou martelando em minha cabeça sem parar, dias e mais dias só repetindo Mao Tsé Tung, Mao Tsé Tung... decidi que, se um dos filhotes fosse macho, esse seria o seu nome.
Sua avó materna era uma gatinha siamesa e seu avô, o Boogie Dow, era cinza com listras, o maior gato de rua que eu vi na vida, com a cabeça enorme e olhos amarelos, achei uma foto para te mostrar:

Pensando nos seus parentes, comecei a desejar um gato cinza, macho, para chamar de Mao Tsé Tung e uma gatinha igual a sua mãe para ser uma Wendynha, falei isso pra ela e fiquei mentalizando a carinha dos bebês gato que estavam por vir.
- Wendy, eu quero um gato cinza, o Mao Tsé Tung e uma Wendynha, se for mais que dois filhotes quero um siamês também.

Mas foquei mais nos dois primeiros, e no dia 01 de janeiro de 2000, sua mãe decidiu ter os bebês na minha cama. A primeira parte do seu corpo que vi nascer foi o rabo cinza, igual a um rabo de rato e fiquei torcendo para que aquele rabinho fosse de um macho, e foi feita a minha vontade: nascia o meu Mao Tsé Tung! Meu ratinho cinza <3 p="">
Horas depois cheguei ao quarto e vi sua irmã, toda pretinha, pensei que era bem estranho nascer um gato preto de uma gata rajada que havia cruzado com um siamês, com mãe siamesa e pai cinza. Só quando a peguei no colo e vi sua barriga amarela toda listradinha, foi que percebi que era a Wendynha que eu queria e fiquei muito feliz por finalmente estar diante das minhas encomendas felinas.
Olha só que lindos bebês:






Vocês sempre foram tão lindos! Yasmin sempre bem assustada e você sempre esfomeado e bonzinho. Matheus e Wendy foram bons pais! Sabia que você mamou até os 4 meses? Um safado! Era enorme e ainda queria leite, um bebezão mesmo, até sua mãe se cansar e acabar com sua preguiça de comer ração...rsrs esses gatinhos....
Pra variar, vocês cresceram super rápido e logo estavam correndo pela casa, brincando e fazendo charminhos pra gente.








Lembro dos miadinhos finos e do bafinho de leite de vocês. O nariz bem pequeno, as orelhas grandes... difícil resistir a uma barriguinha de leite.
Vocês cresceram bem rápido não é mesmo? Só no primeiro ano dormiram juntos, depois nunca entendi o por quê de vocês se separarem, cada um em um quarto ou bem distantes, coisas de gatos...















Nesta última semana fiquei pensando nessas coisas, na vida que você teve desde antes de nascer. Na encomenda especial que fiz à Wendy e ao universo, e na alegria de ver que o Mao que eu imaginei nasceu para me alegrar, para ser meu companheirinho até o último dia.
Vou te contar alguns segredos...
Às vezes olho pra escada na esperança de te ver dormindo e ela vazia me retribui o olhar.
Seu potinho de água está no mesmo lugar, já que não tive coragem de tirá-lo e a porta continua aberta.
Agora, o segredo maior pode ser um pouco decepcionante. Esta semana eu descobri que o Danoninho que sempre dividíamos não tem gosto de nada. Não mais. É estranho o que aconteceu com eles, será que mudaram o sabor ou sou eu que não sinto mais o gosto de morango? Bom, não importa, o que valeu mesmo foram os potes compartilhados, seu nariz sujo de creme rosa e o bafinho de iogurte.
Tantos potinhos que comemos desde sempre não é mesmo?
Mao, espero que você esteja bem onde quer que esteja. Que o mundo dos gatos tenha te recebido muito bem e que tenha reencontrado sua mãe.
Eu, daqui, só sinto saudade...
Lembra daquilo que te falei pra nunca esquecer? Então, nunca se esqueça! 
<3 p="">






Um comentário:

  1. Tháta impossível não se emocionar... Mas na vida o que vale é isso mesmo, o amor que sentimos por eles e que eles sem saber nos dão em dobro <3

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