Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Palavras e o sonho

Entre dias repetidamente iguais surge o sonho.
Talvez inspirado na semente de Cempazutchil que germina protegida do mundo, e que cresce em outro país há tantos quilômetros de distância da sua origem.
Surge devagar a saudade e a súbita vontade de voltar para onde se está o coração.
Dois dias de coração apertado buscando o lugar exato. Encontrei anjos no caminho e algumas sereias.
E eles estão me guiando. E chegaremos no dia certo.
Quando se quer com todo o coração, o universo inteiro conspira a seu favor.
Sonhemos então!

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