Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

domingo, 2 de dezembro de 2012

Relógio biológico falsificado



Hora de dormir me dá fome.
Hora de acordar me dá sono.
Hora de comer tenho preguiça.
E depois da preguiça vem o sono.
Esse é o meu relógio biológico: um pouco desgovernado.
Talvez falsificado, isso sim, mas é com ele que convivo. Há noites em que o sono é certo lá pelas 23:00, mas viro pra lá e pra cá, penso nas contas, lembro de piadas e tenho crises de riso. Lá pelas 02:00 a piada perde a graça e já me cansei de tanto tentar dormir. E é justamente nessa hora em que apago.

Sonho que estou flutuando, ou que bato “os braços” para voar mais alto. Algumas vezes consigo nadar no ar! Muito relaxante!

De repente ouço as rodinhas passarem, então já sei: são seis horas, os garis estão passando. Começo então a filosofar. E questiono o por quê de rodinhas tão barulhentas. Mas eles estão trabalhando, não posso reclamar. Aí penso na hora que eles saíram de casa, no café que devem ter tomado na rua e no pão na chapa que comeram. Mas será que já comeram? Até que horas eles trabalham?

Volto a dormir, na esperança de descansar um pouquinho mais. Engano meu, porque alguns sonhos são tão complexos que me fazem acordar mais cansada. Esses dias, fui dormir com tanta fome (porque não tive coragem de ir até a cozinha tão tarde) que sonhei com um hamburger muito suculento. Mas eu estava tão ocupada no sonho que tive que guardá-lo na mochila. Quando finalmente sentei para comê-lo, veio a surpresa: ele não estava na mochila.

Nem no sonho saciei minha fome.

Mas tudo bem, adiantarei esse meu relógio paraguaio para não passar por tantas confusões. Nem acordada e muito menos “dormida”.

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