Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Saia amarela

É na presença tão forte do riso maroto daquela menina tão diferente,
que de um jeito único prende o perfume naqueles lindos cachos.
E que faz dançar todo o tecido à sua volta.
Na linda maneira de cantar as palavras e de contar histórias com gosto de limão.
O calor que evaporava a última gota do banho que ainda deslizava por suas finas costas.
É aquele riso lindo da menina feliz, dona daquele feliz tudo amarelo que derrete todo inverno quando cruza o mundo com sua saia rodada.

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