Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Desmoronar da água


Quando a tempestade vem;
Tudo se mistura com a areia.
E o castelo já não permanece inabalável;
A água passa com tanta intensidade;
Nada mais é como era há alguns minutos.
Quando tudo desmorona
Só os restos, o lixo e a destruição ficam.
Os passos largos, o desespero.
A morte ri do medo.
Não há mais apego, nem sonho, nem nada.
A realidade é o pesadelo que não quer lembrar.
Vida e morte em uma tênue linha.
Do caos surge o ideal, assim que tudo desmorona.
A linha torta, o lápis quebrado, a folha amassada.
Tinta misturada com tempestade de areia.
E as folhas são todas levadas para onde não deveriam estar;
Se perdem, se acabam, somem.
Mãos que não sabem mais, mente cansada.
As palavras não sustentam mais nada, porque quando tudo desmorona o sonho se esvaiu, assim como água.
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