Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O grito mudo


-Eu não posso... esse era o grito de guerra.

Parou de gritar para dar o último sorriso que vi e o último beijo que me deu. Foi sábado, por volta das 13:30.
Porém a batalha cansava apenas o corpo físico. A mente gritava para acordar o corpo que já não reagia.
Ontem,a presença ausente daqueles olhos, já anunciava o que estava por vir, assim como aquele sangue parado que hoje corre com morfina e muito sono.
Até o último minuto de consciência, a vontade de viver era absoluta e nem mesmo a dor física a fazia titubear.
Agora o silêncio traduz a paz da mente de quem gostaria de ficar aqui para sempre.
O coração bate, o pulmão inspira normalmente, mas ela não está aqui.

Você não pode e eu também não. Não agora.

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