Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

domingo, 23 de maio de 2010

E aí?


Depois de alguns momentos de alegria, a realidade sempre volta para assombrar.O dinheiro de sempre, as coisas de sempre, o estresse de sempre.
Eu quero muito mais.
Quero poder caminhar com minhas próprias pernas quero minha liberdade silenciosa. Minha casa, minhas coisas. Coisas reais, possíveis.
O intangível é pouco para mim, não paga minha contas, não me satisfaz.
Sempre correndo contra a realidade que sonham para mim, quero a minha própria vida. Com minhas conquistas, com um mínimo de reconhecimento.
Lutar pelo que quero é o que faço há tempos, quero só descobrir o por quê? Para que?
Quero conquistar, e não mais lutar. Já estou quebrada demais para isso e um dia todos nós cansamos. E eu cansei.

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