Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Senna vive


Domingo tranquilo, oficina de biscuit no Sesc. A chuva começa bem na hora de ir pra casa, então decidimos nos abrigar em uma das salas de atividades. Exposição de foto à direita, à frente um homem acende a lareira gigante e o cheiro de madeira queimada surge bem suave. Conversas e descanso. Descubro que no próximo final de semana, quando teremos a Virada Cultural, haverá uma programação especial do México, com música, dança, artesanato, comida e afins. Nesse momento quase morro do coração, em uma mistura tóxica de saudade, alegria e felicidade: tudo junto assim. Roteiro ok, então caminhamos para o outro lado da enorme sala e descobrimos uma sala de leitura com diversas mesas, cadeiras, revistas e jornais à disposição.
Li jornal para crianças, gibi e peguei uma revista de moda famosérrima com centenas de páginas. Só anúncio, roupas, jóias, modelos em lindos mundos imaginários da criação publicitária. Um tédio total. Nem consegui chegar ao meio da revista. Volto pra estante, coloco de volta e parto em busca de algo mais produtivo e interessante.
Passei por revistas de turismo, atualidades, guias da cidade e vi uma cara conhecida que sempre desperta em mim fortes emoções: Ayrton Senna.
Não faz tanto tempo assim que escrevi sobre o documentário que um inglês fez sobre ele, mas ele pede muito mais que um único post.
Em dois dias, no feriado do dia do trabalho, o mundo completa 18 anos sem esse grande ídolo das pistas.
De 1994 até hoje. Dezoito anos.
Era uma época em que valia a pena acordar mais cedo aos domingos já que a diversão era garantida e a emoção também.
Me lembro exatamente onde estava naquele domingo, assim como grande parte das pessoas que estavam acostumadas a ouvir a tal musiquinha do Senna. Dezoito anos que fui ao velório de um dos maiores ídolos brasileiros, para mim o maior. Caraca, tô ficando velha, pensei. Mas o tempo passou tão rápido...
Abri a Revista Alfa e comecei a ler a apresentação da matéria "Senna vive". A idéia surgiu após um grupo de pessoas terem visto uma aquarela que retrata aquele domingo de 94, 1º de maio, onde Senna saia ileso do acidente. E se fosse verdade?
 A matéria foi criada através de inúmeras suposições, de amigos e jornalistas, de como seria a atual vida do nosso Ayrton Senna, que hoje teria 52 anos.
A matéria que todos adorariam ler, onde Senna fala de sua vida, suas conquistas, sua família, sua vontade em ver o sobrinho campeão e conta que aquele acidente na Tamburello poderia ter sido fatal, mas que foi graças a ele que diversas mudanças foram possíveis na F1, tornando a competição menos perigosa.
Emoção do início ao fim da leitura. Uma matéria que me encheu de alegria e tenho certeza que fará o mesmo com todos os que tenham a oportunidade de tê-la diante dos olhos.
É uma celebração à vida de Ayrton Senna. À vida que ele teve, e a que adoraríamos que ele continuasse tendo.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Carrinhos bate-bate


Ligados na rede elétrica, deslizando por aí até atingirem um obstáculo, ou outro carrinho.
Nem sempre obedecem aos comandos do condutor, como se escolha própria tivessem.
Batem, voltam, tornam a bater e seguem.
Tentam seguir em frente sempre deslizando, o que quase nunca é possível.
Mudando a rota, novos caminhos são encontrados, novas paredes também.
Seguem tentando desviar, são desafiados, provocados, obrigados a colidirem, mesmo que não queiram.
Poderiam ser desligados, mas assim a brincadeira acabaria sem novos rumos.
Diferença alguma se nem pudem sair do quadrado que os envolvem.
Dentro da caixa, ligados ao fio.
E seguem.

"Bia não sabia que monstro sorria"

Adorei ter feito parte do curso e deste lindo projeto chamado "Bia não sabia que monstro sorria"

Baixe gratuitamente!
Disponível no link http://quanta-conversa.blogspot.com.br/2012/02/download-do-livro-bia-nao-sabia-que.html?spref=fb

terça-feira, 17 de abril de 2012

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Páscoa é a morte e ressurreição de Jesus. Que tal celebrarmos a vida que ele teve???

Essa imagem (gostaria muito de saber o artista que a produziu para dar os devidos créditos e parabenizá-lo) é a primeira que vejo na vida de um Cristo sorridente e é justamente essa é a imagem que todos deveriam ter dele.
Cansei de ver imagens dele nesta época de Páscoa todo ensanguentado, agonizando e até mesmo morto. Isso é cultuar a tortura e morte.
E a vida que ele teve?
Jesus Cristo foi um homem muito especial, revolucionou as idéias de quem viveu com ele e é tão influente que até hoje inspira milhões e milhões de pessoas, mas nos lembrarmos dele sendo torturado e pregado numa cruz o tempo todo é uma maneira de chocar com sua morte ao invés de inspirar com a vida que ele teve e que foi tão especial. 
Acredito que ele tenha sido divertido muitas vezes, que riu, que chorou, que incomodou e fez o que todos os homens de sua época faziam e nem mesmo "isso" (ter vivido como homem normal) o torna menos especial para a humanidade. Vamos celebrar a VIDA que ele teve, não sua morte.
Qual o problema dele sorrir? E se ele foi casado e teve filhos, isso o torna mesmo especial e genial?
Um homem especial, que morreu aos 33 anos de uma maneira brutal.
Se tem uma coisa que aprendi com a cultura mexicana é celebrar a vida que uma pessoa teve e não seus momentos finais de agonia.
Jesus foi um ser humano e sempre será um cara fodástico, ou melhor, "O CARA". Celebremos sua vida!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

E não é que teve mais museu hoje???



Poéticas do Mangue – Lazar Segall e Di Cavalcanti
Museu Lazar Segall até 17 de junho de 2012

E há partidas para o Mangue
Com choros de cavaquinhos, pandeiro e reco-reco
És mulher
És mulher e nada mais. (Manuel Bandeira)


terça-feira, 3 de abril de 2012

De Chirico

E essa semana promete! Domigo fui à exposição da Marilyn, e hoje, com o Rafael, visitei o MASP!
Nossa intenção era ver apenas "Roma - A vida e os imperadores", que estará até 22/04/2012. Mas, logo na entrada, olhei a foto de uma outra exposição que me chamou atenção por suas cores vivas e desenho simples.

As esculturas e objetos romanos encheram nossos olhos. A riqueza de detalhes e grandiosidade das peças. Uma linda exposição que só ficou a desejar mais cuidado com as peças.
O museu estava lotado, escolas também levaram seus alunos e professoras para ter contato com a arte, só que a nosso ver, o contato era próximo demais, uma vez que os adolescente tocavam muitas peças em mármore. Faltou também pessoas trabalhando nas salas para impedir que as obras fossem bolinadas. Revoltante que não haja tanta atenção a esses detalhes importante que qualquer museu deve ter. Hoje, não vimos, mais do que dois seguranças entre dezenas de pessoas que visitavam Roma com os dedos.

Subimos e vimos as fotos da Coleção Pirelli, bem interessantes e decimos procurar a tal obra que tinhamos visto lá na entrada. Depois de vermos nossos quadros favoritos do acervo, entre eles, Rosa e Azul, de Renoir, Monet, Picasso e até o "xis amarelo" de Tomie Ohtake, nos deparamos com cores vivas e quase sempre quentes: Obras da Fondazione Giorgio e  Isa de Chirico.
Era aquilo que tínhamos que ver! De Chirico: o sentimento da arquitetura (até 20/05/2012).
Obras aparentemente simples, parecidas e com a alma do artista grego Giorgio de Chirico, considerado precursor do Surrealismo e que fez parte do movimento chamado "Pintura metafísica".
 Estou encantada até agora com a visão daqueles quadros que, para mim, têm algo de Frida Kahlo, com uma pitada de Remedios Varo. Os quadros são da última fase do pintor, o que poderia confirmar essa minha suspeita. Ou não.


Especulações à parte, De Chirico é algo que não se pode deixar de conhecer, principalmente para quem mora em São Paulo.

Traço inspirador, memórias contornadas e a possibilidade de compreendermos que um único assunto na vida de um artista é sinônimo de inesquecíveis obras.
Genial!
Ah, não poderia deixar de falar, no segundo andar do Masp, muito mais calmo, havia diversos seguranças. Um deles até nos orientou a não ultrapassarmos a linha cinza no chão nem mesmo com o dedo para apontar a obra. :)

domingo, 1 de abril de 2012

Quero ser Marilyn Monroe

Hoje foi o último dia da exposição de fotos "Quero ser Marilyn Monroe", na Cinemateca.
Não dava pra esperar mais e sozinha caminhei pelas ruas desde a Vila Mariana, tudo muito calmamente como um tarde de domingo pede para ser. Até passei pela praça onde semanas antes sonhei com cães voadores, mas isso é outro assunto.

Adorei o lugar e as fotos. As frases e mistérios também.
O curioso, é que nunca vi graça nenhuma em Marilyn. E de um tempo pra cá ela virou uma outra inspiração. Foi justamente quando a saudade dos meus ex longos cabelos até a cintura voltaram e decidi me acalmar convivendo com meus cabelos curtos de uma maneira bonita. Busquei inúmeras fotos de penteados e cortes, mas nada me agradava, quando de repente, eis que surge ela: a mulher mais sexy de todos os tempos, com seus cabelos curtos e ondulados, com o olhar pequeno e bem delineado. Aí sim entendi que para marcar presença ninguém precisa de cabelos longos e lisos. Abaixo à progressiva e chapinhas! Viva o ondulado!
Com certeza ela será o tema de mais posts por aqui, e aos poucos divulgo as fotos que tirei na Cinemateca.

Sim, quero ser Marilyn Monroe.
E quem não quer?