Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

sexta-feira, 19 de março de 2010

Austregésilo Carrano Bueno


O livro "Cantos dos Malditos" conta a história real de um garoto de 17 anos que é internado em um manicômio após seu pai encontrar maconha no bolso do filho.
Ele passou cerca de três anos internado, tomando remédios fortíssimos e eletrochoques. Uma infinidade deles.
Isso aconteceu na década de 70 e a história de Austregésilo Carrano Bueno.
O conheci em 94. Conversávamos longamente e tomávamos umas cervejas. Faz tanto tempo.
Ontem passei em frente ao Bar Opção. E como sempre, lembrei da voz dizendo:
- Pôoa gata!
Ele era engraçado, calmo e sempre tinha muito o que contar.
Fiquei muito feliz quando, tempos mais tarde, o filme "Bicho de sete cabeças" foi lançado. Ele foi imortalizado e sua luta contra os manicômios jamais será silenciada.
Saudade.

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