Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

domingo, 7 de março de 2010

Uma tarde em Coyoacán


Hoje, depois de muitos dias cinzentos, finalmente o céu se abriu em um lindo azul.
As maritacas voltaram a tagarelar, trazidas pelo vento quente desta tarde de verão.
Os domingos em Coyoacán são sempre iguais: lindos e inesquecíveis. As pessoas estão sempre vivendo seus passos por entre as ruas, calmamente. Tomam sorvetes, ficam na praça observando a vida acontecer. Coyoacán é um lugar secreto e feliz, onde os sonhos se realizam. Eu seria capaz de caminhar para sempre, me perdendo e me encontrando em cada uma destas suas ruas.
Além de tudo que é possível ver por aqui, há algo que não consigo explicar e que torna este lugar tão especial. É um brilho que não consegui perceber em nenhum outro lugar em que estive. É magia. Não tem outra explicação.
Só pode ser mágica ter uma tarde em Coyoacán estando em São Paulo e me sentindo tão perto de todo aquele mundo especial.

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