Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

quarta-feira, 2 de junho de 2010



(Imagem: Cão ao luar, 1972 Rufino Tamayo (México 1899-1991)-Litografia: The Mexican Master Suites)

Ainda existem pessoas que acreditam em palavras repetidas à exaustão, em palavras que refletem o que a imaginação não proibe, que sempre são engolidas pela realidade da vida real.
Piores são os que também acreditam na perfeição do futuro, enquanto constróem palácios totalmente diferentes do projeto falado, esses sim vivem em um mundo à parte do que permite a compreensão humana.
Lamentavelmente, ainda existem os que são fiéis aos seus sentimentos e ambições. São invejados por muitos, taxados de loucos por outros que não têm a mesma coragem. E passam seus dias esperando o tempo de alegria voltar, plantam sementes que vão colher (sozinhos) no futuro. No mesmo futuro que planejaram com os arquitetos da fala.
Eles sofrem porque sabem que se manterão determinados e leais ao que acreditam cegamente, e também por saberem que as outras pessoas não pensam na distância imensa entre o hoje e o futuro próximo.
Sempre sozinhos com suas crenças, realizando seus sonhos e tentando acreditar que tudo é verdade.

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