Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

terça-feira, 26 de outubro de 2010

¿?


O sonho concluído e a falta de força para sonhar outra vez. É estranho como o vazio surge em meio à realização.
Cansaço? Tédio? Depressão?
Já não tenho vontade de ir, é verdade. Só sei que tenho que terminar o que comecei. Tenho que entregar o livro, nada mais.
Talvez o México seja exclusivamente dos mexicanos, e estou sem ânimo para sair da minha cama.
Vou. Mas algo me diz que é a última vez.
Que seja então uma despedida. De toda arte, de toda música, de toda magia.
Não se vive apenas de ilusão, nem é saudável estar dividida entre dois mundos.
Quero estar inteira. De corpo e alma em um lugar apenas. Quero me acostumar com a nova Thais, que está abrindo mão da coragem para se tornar apenas mais uma pessoa "normal".
Existem outras possibilidades. Outros continentes. Outras cidades.

O México é o mesmo. Eu não sou.
O que quero agora?
.
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Muito mais.
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Estar no meu lugar. Porque deve haver um lugar só meu.

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