Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Interrogações e verbos


Amar, buscar, mudar. Verbos que podem devorar a consciência humana. Agir, para acalmar a aflição.
Arriscar tudo por um sentimento maior, por uma vida melhor.
Depois do sonho o que vem?
Realizar é sensacional, mas e depois? Só lembrança dos bons momentos sonhados. Por que a realidade pode parecer tão cruel?
De um mundo distante vem percorrer o centro do universo em largas passadas.
Pressa por quê?
As janelas condenam a alma machucada. Ilusão, determinação, merecimento.
Olhos vivos, pele clara.
A coragem que a maioria não tem.
Seus motivos, os motivos de outrem. Ser , estar, voltar.
Pensar, esperar. Acreditar que é possível viver em paz e com dignidade.
Pele viva, olhos claros.
Tudo vai passar.


"A verdade é que não há verdade" (Pablo Neruda)

Nenhum comentário:

Postar um comentário