Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O silêncio que brilha na noite escura

Passaram. Os dias escuros, onde vivíamos nos escondendo acabaram. Depois de tantas tardes a lutar contra nós mesmos, conseguimos entender que basta uma atitude para tudo mudar. Uma única atitude. Desta vez, não estragamos tudo como fazíamos sempre. A boca continua a falar descompassadamente e tudo continua no mesmo lugar. Só uma coisa mudou: paramos de lutar.
Estávamos muito equivocamos quando lutávamos em prol das idéias egoístas e absolutas, as melhores idéias do mundo. Nem eram idéias, somente teimosia de quem não dá o braço a torcer. Já não competimos por uma derrota. Aceitação não é o oposto de falta de coragem, mas, por que entendíamos mal essa maneira de viver a vida se é o que todos fazem? Todos, agora sim! Já fazemos parte desse “todo” em que cada um tem seu tempo certo para despertar. E por falar nisso, logo um novo dia nascerá. Aproveitemos agora a leveza desta noite de paz, onde, o brilho refletido nestas águas escuras nos lembre sempre de onde é que ele vem.

(publicado em 13/07/2011 no site do Sunny www.incomodese.com)

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