Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Muito além dos sentidos


Eram ligados pela visão de palavras escritas diariamente, sobre os mais diversos assuntos, num tempo onde tudo parecia ser possível. Onde idéias se transformavam em atitudes claras e a ligação de ambos aumentava. Tempos depois suas texturas foram descobertas ao mesmo tempo em que as vozes se conheciam e os aromas se reconheciam.
Já eram visão, audição, olfato e tato. Mais audição que visão.
O tempo passava rapidamente e logo descobriram o paladar. Foi então que tudo mudou. A voz se podia sentir, as palavras se transformaram em imagens nítidas de sorrisos expressivos, muitas vezes perfumados.
Muito além dos sentidos a realidade acontece permitindo que a lembrança se projete num futuro incerto e distante, consumida pouco a pouco pela falta de planos reais.
Assim é a vida de quem se deixa levar, sem conduzir passos ou pensamentos, que passam a vagar na distância entre dois mundos.
Ação é a palavra que reaviva todos os sentidos, que faz acontecer o que se quer e isso sim é o sentido da vida: agir. Projetos e sonhos não devem ser arquivados esperando a atitude das traças que a tudo devoram. Roupas, palavras, lembranças e o tempo.

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