Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

domingo, 15 de janeiro de 2012

Notas musicais e seus encantos

Pessoas surpreendentes estão em todos os lugares. Usando seus dons, elas são capazes de encantar grupos imensos de pessoas. A música faz isso também, com seus grandes cantores e suas geniais interpretações. Creio que não seja novidade a ninguém, que uma dessas vozes me encantou de uma maneira tão forte, que me vi obrigada a escrever um livro, criar um blog e a voltar a desenhar para estar ao lado dela no México. Chavela Vargas é uma daquelas vozes que ou você ama ou odeia, devido ao seu timbre diferente de voz que consegue com duas palavras roubar um coração para sempre. Tanto é que, desde 2008, só são permitidos seus CDs em meu rádio, porque não escuto outra música em meu quarto. Não estou fechada a novidades não, mas é questão de preferência mesmo.
Com a internet, novos talentos surgem em vídeos nas redes sociais que, rapidamente, atiçam a curiosidade de um grupo de amigos. Foi assim que conheci Adele, que tem tudo para marcar a história da música. Mais uma vez o que surpreende é a pouca idade e a voz absurdamente perfeita. Turning Tables e Rolling in the deep, são duas de suas canções que conheço e já gosto muito. Vozes assim têm poderes mágicos. Dizem muito mais do que simples palavras cantadas. Tocam o ouvido delicadamente e atingem como um raio o coração. Quando tenho contato com pessoas assim, cujo talento sobressai na multidão, vejo claramente que as pessoas podem ser muito melhores se souberem usar seus dons. Fico feliz em poder admirá-las. Como elas, todos nós sabemos fazer algo de uma maneira diferente, com mais habilidade, determinação ou facilidade que outros. Essa é a genialidade em sermos humanos. Se eu pudesse pedir algo a vocês (que têm acesso a esta coluna) pediria que jamais abandonassem seus talentos, porque todos nós temos a capacidade de inspirar outras pessoas que estão a ponto de desistir de algum sonho.  A vida se torna muito mais feliz quando temos inspiração.
Elas cantam, eu escrevo, desenho e pinto. E você, como pode inspirar alguém?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Dica de leitura: Diálogos sobre a juventude - Daisaku Ikeda

Vídeo com a dica de leitura desta semana:

Diálogos sobre a juventude - para os protagonistas do século XXI - volume3
Daisaku Ikeda
Editora Brasil Seikyo

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Fuga do deserto da águia patriótica

A águia foi impedida de voar mais alto por acreditar nas palavras confusas do deserto:
-Venha para cá! Aqui você poderá caçar a qualquer hora do dia e da noite, se assim preferir. Pode ser a dona de todas as regras que criar. Pode mandar, desmandar, mudar tudo de lugar. Só não poderá ser estampada em minha bandeira.
- Morar no deserto? Sua beleza me atrai, e muito. Suas formas, até mesmo sua criatividade, mas você não se move, nem mesmo o vento é capaz de alterar aos poucos seus contornos bem delineados. Preciso de uma companhia que voe comigo, não uma que só me veja voar.
- Aqui é seu lugar, você só precisa vir e tudo se resolverá. Mas não venha agora, porque estou me arrumando para te receber. Isso leva tempo, mas a decisão é sua.
A águia aprendeu com o deserto que ele gostaria de fugir de sua solidão, mas estava tão agarrado à ela, que não sabia mais agir. Ele não queria nem tentar.
Ela decidiu voar para longe daquela mesmice e pousou na árvore da alegria do seu coração.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Por quando tempo uma roseira fica sã sem rosas?


No centro do quadrado vermelho há um jardim repleto de hortelã, alecrim, manjericão e rosas. Perfumam o ar e enchem os olhos. Todo esse verde, branco e rosa.
A roseira central é muito antiga, foi plantada por meu avô, acredito que era a preferida dele. Justamente ela, a única sobrevivente: a roseira lilás.
Difícil definir o nome exato desse colorido com suas inúmeras nuances de rosa-branco-lilás. Se chamaria “cinza de rosas” como o vestido de Meghan? Talvez.
Não sei precisar o tempo exato que uma roseira se mantém sã, só sei que sem a dedicação dele, há quase uma década, ela nunca voltou a ter as rosas de antes. Está fininha, com um pequeno broto, bem diferente de quando a conheci.
Sabe, decididamente, não é o tempo que define a vida, é a dedicação e o amor.

(ao meu avô, Manoel Pereira de Castro 21/03/1914 - 09/01/2002)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O silêncio que brilha na noite escura

Passaram. Os dias escuros, onde vivíamos nos escondendo acabaram. Depois de tantas tardes a lutar contra nós mesmos, conseguimos entender que basta uma atitude para tudo mudar. Uma única atitude. Desta vez, não estragamos tudo como fazíamos sempre. A boca continua a falar descompassadamente e tudo continua no mesmo lugar. Só uma coisa mudou: paramos de lutar.
Estávamos muito equivocamos quando lutávamos em prol das idéias egoístas e absolutas, as melhores idéias do mundo. Nem eram idéias, somente teimosia de quem não dá o braço a torcer. Já não competimos por uma derrota. Aceitação não é o oposto de falta de coragem, mas, por que entendíamos mal essa maneira de viver a vida se é o que todos fazem? Todos, agora sim! Já fazemos parte desse “todo” em que cada um tem seu tempo certo para despertar. E por falar nisso, logo um novo dia nascerá. Aproveitemos agora a leveza desta noite de paz, onde, o brilho refletido nestas águas escuras nos lembre sempre de onde é que ele vem.

(publicado em 13/07/2011 no site do Sunny www.incomodese.com)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Garotas-seta

(Publicado no site do Sunny em 07/09/2011 www.incomodese.com)

 Estão por toda parte, principalmente aos finais de semana. Nos cruzamentos mais movimentados e no meio de grandes quarteirões. Chamando atenção para feirões de carros ou para os novos empreendimentos imobiliários que se alastram pela cidade. Debaixo do sol forte, passam horas embalando a grande seta com o nome do evento/futuro lançamento pendurada no pescoço. As garotas seta sofrem. Faça chuva, sol, ou tempestade, lá estão elas a trabalhar. Horas e horas em pé, embalando, embalando.
Essa é a publicidade que o cliente da agência de propaganda quer ver. Além dos panfletos nos semáforos, que acreditava serem proibidos, as grandes setas apontam o caminho do bom negócio. Carro novo? Siga a seta! Apartamento de 1, 2, 3, 4 dormitórios? Siga a seta! Precisa de sala para sua empresa? Ah! Adivinha? Siga a seta!
Seus problemas acabam quando descobrir o tesouro de oportunidades escondido no final do caminho de setas! Prazos, brindes, pagamentos a perder de vista. E elas continuam embalando o adereço pendurado sobre os ombros, com o tédio estampado no rosto. É difícil ganhar dinheiro nesta vida.
O mesmo não se pode dizer das empresas que alugam espaço para que ocorram eventos como os tais feirões. O contratante, no caso as agências, são tratadas como escravas dessas poderosas empresas, que oferecem seus serviços como se estivessem fazendo um favor sem ter a mínima vontade. Criam contratos surreais, onde em caso de prejuízo, mesmo que causado por um funcionário da empresa grande, quem arcará com o infortúnio será o cliente. E as agências assinam assassinando o direito de seus próprios funcionários de terem um emprego sadio. Repassam aos seus o que as grandes donas do mercado lhe fazem. Esperteza dos homens de negócio.
A pirâmide do poder de cada empresa. Todas iguais. O topo ganha dinheiro e muito, às custas do trabalho pesado de tantos gerentes de atendimento que são obrigados a se fingir de tontos para manter seus empregos. Mercado da exploração? Talvez. O fato é que quem pode mais chora menos e viaja mais. Não viaja de trem, nem faz baldeação na Sé. Vai pra Cancun esperar o dia da tão sonhada aposentadoria!
A garota da seta está lá, pensando que conta pagar com o dinheiro daquele dia trabalhado. Suando muito, desanimada, mas não pode desistir. O gerente de atendimento vai trabalhar para pagar o calote que sua empresa tomou da grande empresa que cede espaço, enquanto o ladrão de verdade está gastando o que roubou escondido em alguma cidade distante. Os chefes do gerente calculam quantos meses faltam para a tão sonhada aposentadoria. Os donos do espaço do evento? Estão brincando de distribuir setas para garotas, lucrando cada dia mais com seus contratos nada amigáveis e com o trabalho árduo de seus clientes. E funcionários, e fornecedores, e agentes de viagem, e...