Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

domingo, 22 de julho de 2012

O fanatismo religioso disfarçado de bom exemplo


Estive pensando em diversos temas para a coluna de hoje, mas o que não sai do meu pensamento é um tema um pouco polêmico. Tentei falar sobre outras coisas, mas não dá para deixar passar.

Hoje eu preciso falar sobre o fanatismo religioso.

Fanatismo: estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política. É extremamente frequente em paranóides, cuja apaixonada adesão a uma causa pode avizinhar-se do delírio.
Em Psicologia, os fanáticos são descritos como indivíduos dotados das seguintes características:
1. Agressividade;
2. Preconceitos vários;
3. Estreiteza mental;
4. Extrema credulidade quanto ao próprio sistema, com incredulidade total quanto a sistemas contrários;
5. Ódio;
6. Sistema subjetivo de valores;
7. Intenso individualismo;
8. Demora excessivamente prolongada em determinada situação/circunstância.


Como sou observadora por natureza, esse é um tema que estudo há tempos e hoje posso falar sobre a conclusão que cheguei sobre o tema.
Fanáticos estão em todas as partes e são classificados em duas categorias: os fervorosos e os dissimulados. Os fervorosos são facilmente identificados e são conhecidos popularmente como “chatos” que querem converter todos os que cruzam seu caminho, muitas vezes aos gritos.
Já os dissimulados são muito amigáveis, falam muito bem e chegam a passar a vida sem que muitos percebam seu fanatismo disfarçado entre suas palavras de incentivo. Os observadores notam claramente que esta categoria criada em TODAS as religiões se prolifera entre grupos cada vez maiores de pessoas que são enganadas com a falsa boa intenção em ser um exemplo de prática aos demais. Porém, todas as suas falas são para vencer a corrida da “Conversão Imediata”, onde outra vez pessoas que passam por dificuldades são usadas e transformadas em mais um número para as instituições religiosas.
Sempre afirmo: não existe a religião perfeita. Temos que analisar com qual delas nos identificamos melhor. E não adianta gritar, convidar, falar, falar e agir de maneira contrária ao que se prega. É muito fácil usar a fraqueza das pessoas e transformá-las em mais um contribuinte de sua instituição financeira, difícil mesmo é colocar em prática os ensinamentos de seus líderes religiosos. Endeusar coisas e pessoas é tão humano como criticar antes de conhecer.
O prazer de um fanático é impor sua opinião usando a religião como fachada e fazem isso sem remorso!
As outras religiões são falhas, acreditam nisso ou naquilo, mas “nós somos a verdade”, é isso que todos eles afirmam!
Pessoas sem tratamento psicológico adequado muitas vezes se tornam líderes de grupos, de seitas e afins, mas nunca se tornam os líderes da coisa mais importante de suas vidas: suas próprias vidas.
Lembre-se: eles estão em toda parte e não se envergonham em colocar todos seus “inimigos”contra a parede (em público).

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Vamos experiênciar?


Que tal fazer aquela tão sonhada viagem nas próximas férias? Mas e se a condição para fazê-la fosse não conhecer nada novo?  Pensemos então nas seguintes recomendações:
-leve a comida que está acostumado a comer diariamente;
-não tire fotos;
- não escute música local;
- e o mais importante: NÃO ABRA OS OLHOS!

Valeria a pena o passeio? Esperar no aeroporto, viajar de avião, e passar ótimos 15 dias só imaginando como o lugar é realmente. Valeria o investimento?
 Sua resposta é “não”?
 Mas então por que você deixou de experimentar a sobremesa que acabaram de te oferecer? É a preferida de muitos e você nem sequer a olhou! Isso significa que sua opinião nem poderá ser compartilhada!

Este foi só um exemplo um pouco radical, mas que representa algo que fazemos diariamente: não experênciamos.

Tá, a palavra é nova, mas de acordo com o Petranski´s Dicioary significa viver a experiência, estar aberto ao novo e reavaliar a vida através de novos conhecimentos. Complexo? Que nada! Super simples! Mas por quê ignoramos diariamente as novas possibilidades? Pode ser apenas um caminho diferente para seguir ao trabalho, onde deixamos de conhecer uma cor nova, uma construção magnífica, uma pessoa simpática, encontrar um bichinho abandonado, ou tudo que poderia mudar nossa vida à curtíssimo prazo (exemplo, pintar uma única parede com a cor da casa do vizinho). Negligenciamos nossos sentidos diversas vezes ao dia.  Passamos pelos mesmos lugares tantas vezes que deixamos de perceber as mudanças. Se piora percebemos, mas as melhorias, não as vemos. Isso é grave!
Tudo se altera diariamente, até as opiniões! A vida é feita de pequenas mudanças que podem interferir na vida de pessoas próximas. Renove seus olhos com novas visões e reveja de um outro ângulo aquela casa amarela da rua de trás. Renove seu estômago e paladar com outros sabores (já provou Milk shake de iogurte com jabuticaba e amarena? É a sobremesa dos deuses!).

Uma viagem proporciona esse tratamento de choque de maneira profunda, mas já que a disponibilidade para férias é um pouco inferior ao tamanho dos nossos sonhos, que tal experiênciar pequenas viagens aos mundos dos cinco sentidos diariamente?
Hum... é uma boa proposta! Me contem suas novas velhas descobertas!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Do estado de inferno ao estado de Buda, em apenas um miado




É muito difícil nascer como um ser humano. Milhões de vezes mais difícil, é aceitar que um ser humano não é mais importante que nenhum outro tipo de vida.
Cães, gatos, pássaros, porco, boi, peixe, ave são tão importantes quanto um ser humano.
Isso não tem a ver com religião, muito pelo contrário, muitas religiões ainda usam a "supremacia humana" para justificar suas refeições e atitudes.
Se dizer seguidor de determinada religião não faz ninguém melhor. Ainda mais quando nossos exemplos não condizem com o que pregamos.
Ser humano é uma espécie que justifica seus atos em nome de tantos disparates, tradições, costumes e manias estúpidas.
Hiperativos, mal educados, estúpidos, agressivos, violentos e ainda somos humanos, ainda possuímos o estado de buda. E usamos até mesmo o buda, o iluminado, para subir um degrau na cadeia alimentar.
Mais difícil que tudo isso, é o exemplo de um homem chamado James. Ex viciado em heroína, morador de rua, que teve sua vida salva por um gato. Logo um gato, animal que tantos seres "superiores" detestam por sua ignorãncia crônica.
Voltando ao James, ele encontrou o gato ainda filhote, todo machucado e decidiu cuidar dele. Bob, o gato, salvou a vida de James também, que largou as drogas e tem um parceiro fiel, um amigo de verdade que o acompanha.
James publicou um livro com sua história e entre uma canção e outra que canta nas ruas de Londres, autografa sua obra ao lado de seu parceiro.
James gasta cerca de R$400,00 ao mês com ração de primeira para Bob, e esse valor equivale a apenas 1/5 do que James gastava com heroína.
Vale a pena ver o vídeo dos dois. É um belo exemplo de como renascer com a ajuda de um animal.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Muito além dos sentidos


Eram ligados pela visão de palavras escritas diariamente, sobre os mais diversos assuntos, num tempo onde tudo parecia ser possível. Onde idéias se transformavam em atitudes claras e a ligação de ambos aumentava. Tempos depois suas texturas foram descobertas ao mesmo tempo em que as vozes se conheciam e os aromas se reconheciam.
Já eram visão, audição, olfato e tato. Mais audição que visão.
O tempo passava rapidamente e logo descobriram o paladar. Foi então que tudo mudou. A voz se podia sentir, as palavras se transformaram em imagens nítidas de sorrisos expressivos, muitas vezes perfumados.
Muito além dos sentidos a realidade acontece permitindo que a lembrança se projete num futuro incerto e distante, consumida pouco a pouco pela falta de planos reais.
Assim é a vida de quem se deixa levar, sem conduzir passos ou pensamentos, que passam a vagar na distância entre dois mundos.
Ação é a palavra que reaviva todos os sentidos, que faz acontecer o que se quer e isso sim é o sentido da vida: agir. Projetos e sonhos não devem ser arquivados esperando a atitude das traças que a tudo devoram. Roupas, palavras, lembranças e o tempo.

terça-feira, 10 de julho de 2012

O preço que pagamos pelos valores que perdemos


Ultimamente tudo parece ter uma vida bem mais curta que há alguns anos, com exceção da vida humana, todos os bens, serviços, e valores morrem cedo.
Há trinta anos, uma máquina de lavar era pra vida toda, as de hoje são trocadas a cada cinco anos, isso com muita sorte. O mesmo passa, com as TVs (cada vez maiores e mais finas, mas que podem deixar uma família inteira na mão, sem aviso). Carros e apartamentos também. Nada dura como antigamente. Na casa dos avós, tudo durava a vida toda, e se quebrasse havia uma maneira de consertar. Mas aí, surgiu a tecnologia e o capitalismo desenfreado, que fazem as pessoas renovarem guarda-roupas a cada seis meses, com a mesma rapidez com que trocam de aparelho celular. Essa rotatividade se alastra por diversos ambientes da casa e é cada vez mais comum com pessoas.
Pessoas também têm prazo de validade. Ou melhor dizendo (e pior entendendo) se cada pessoa não utiliza um tempo estimado pela sociedade para fazer coisas como o primeiro beijo, a primeira namorada, a faculdade, casar, ter filhos e tantas outras que podem passar com uma pessoa ela é considerada defasada. Ora cedo, ora tarde demais para isso e aquilo.
Com essa rapidez, o valor humano perde espaço, assim como o respeito entre seus semelhantes. Nem citarei os de diferentes espécies (entenda como tipos de vida diversos) porque poucos se interessariam.
No último domingo vi a senhora mais velha da rua ir embora. A senhora de 95 anos, com boa saúde para tanta idade, teve que se mudar devido à impossibilidade de ficar sozinha. Teve que deixar para trás sua pequena casa bem cuidada, suas plantas e seus pertences que hoje estão na calçada esperando alguém que os leve. Setenta anos vivendo no mesmo lugar, com as mesmas coisas tiveram que ser deixadas para trás pela necessidade. Será? Não cabe a mim julgar a atitude alheia, porém, tudo que teve um valor inestimável àquela senhora acabou. Esse foi só um caso de tantos outros que conheço. Onde estão os valores humanos, o respeito e até mesmo a moral de cada ser? Agora pareço estar julgando... mas me coloco no lugar dela. Recomeçar a vida é difícil em qualquer circunstância, e aos 95 anos? Não vejo recomeço, só o fim.
Construir um mundo de paz e respeito não deveria ser démodé. Talvez esse olhar “vintage” sobre a vida retorne em alguns anos. Assim como tantas outras que voltaram, ou ficarão para sempre na memória.
Hoje, a pomba com fome não apareceu e as flores da casa da senhora não foram varridas. Não estão no montinho de folhas onde ficaram as últimas décadas. Estão espalhadas pela rua onde buscam a sua cuidadosa cuidadora.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Protetores protegidos


"Certo dia, depois de uma ressaca, milhares de estrelas-do-mar foram lançadas a uma praia deserta e iam secando e morrendo ao sol. Um garotinho ia caminhando, apanhando as estrelas uma a uma e as lançava de volta ao mar. Um velho pescador que assistia a cena disse ao garoto: - Menino, não percebe que o que você faz é inútil? São milhares de estrelas! Não faz diferença jogar uma de volta ao mar. O garoto se abaixou, pegou mais uma estrela e disse: - Pra essa aqui faz toda a diferença do mundo. E lançou-a de volta ao mar."

Um simples gesto faz toda a diferença. Seja uma estrela do mar, um cão, um gato, ou qualquer outro ser vivo, todos precisam de proteção e cuidados. Resgatar um ser do abandono total é dar-lhe uma nova oportunidade para viver melhor, para recomeçar a vida que não teve. Geralmente muito machucados, somem aos olhos apressados que não querem parar para ajudar. Poucos assumem tal responsabilidade. Protetores de animais estão em todas as partes tentando amenizar a dor e recuperar uma vida que se esvai muitas vezes jogada na rua, como se não fosse coisa alguma. Sofrem, choram, fazem o impossível para que possam ser a diferença em uma vida. Ou várias.
Tantas vezes parecem amar mais os animais do que a própria humanidade. Amam sim e isso não é segredo, nem vergonha. Muito pelo contrário: se orgulham disso! Possuem corações infinitos, onde guardam seus filhos de tantas espécies e cores. Não há distinção. Convivem com diferentes costumes e personalidades, idiomas variados e até reconhecem a linguagem dos olhos dos seres que não emitem som algum. Cada qual se expressando à sua maneira e todos são compreendidos. Mesmo as atitudes agressivas são vistas com olhos compreensivos e coração aberto para perdoar.
Tantas vezes pensamos que os resgatamos, quando são eles que nos resgatam de nossa própria solidão. Um animal não entra na vida de um humano sem motivo, aliás, eles escolhem seus donos e onde querem viver. Gostam de ensinar a simplicidade da vida e como pode ser divertido correr atrás de uma bola ou um pequeno papel. Precisam de carinho, companhia e cuidados, mas nos retribuem em dobro.
A vida de um humano nunca será tão boa enquanto não conhecer o amor de um “bichinho de estimação” e mesmo sabendo que estarão conosco por uma ou duas décadas, jamais seremos capazes de esquecer o pouco tempo em que estivemos com eles: a época em que um pequeno ser conseguia arrancar um sorriso nos dias mais tristes.