Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

terça-feira, 26 de maio de 2009

Reconhecimento


Todas as horas de estudo, de dedicação a um projeto, todo tempo e dinheiro investidos somem instantâneamente quando mais alguem percebe o esforço.

O momento em que o chão some e o corpo flutua. Os pensamentos fazem o fundo musical para a fala. A frase tão esperada para ser ouvida é dita.
A expectativa, o segundo em que a concretização do sonho acontece. O reconhecimento.

Tudo bem, sei que eu mesma tenho que insistir em meus objetivos e lutar por eles, mas muitas ações não dependem apenas da minha vontade, na verdade uma reação é aguardada.
Viver em sociedade me faz perceber que sou uma pequena parte de um "todo" muito maior, onde cada ser é de fundamental importâcia e tem um papel único nesta imensa rede social.
Eu sozinha, existo para mim. Mas para que eu exista para as pessoas preciso me mostrar, me expor sem medo de errar. Tentar.
Jamais desisto sem tentar. Uma, duas, quantas vezes forem necessárias até se esgotarem as possibilidades.
Não que minha vontade seja mais importante que tudo nessa rede, mas é ela que me faz levantar da cama dia após dia.

Meu objetivo hoje é ser uma pessoa melhor. Em todos os sentidos.
Mais calma, e com a mente aberta para a visão do outro.

Mais consciente.
Nunca deixarei de ser esta Chavelinha que habita este corpo (alvo e sardento). Minha essência será sempre a mesma. Só quero conseguir olhar a vida com uma visão maior do que tenho hoje e poder agir de acordo com esse novo olhar.
Eu reconheço a mim, mas poder ser reconhecida pelo outro é uma consequência dos meus atos.

E para concluir:

"Quanto mais o frágil eu-sujeito se apresenta, mais se apresenta a compaixão. Abre-se espaço para acomodar ou proteger o outro. Em estado de descentramento, o "outro" parece mais próximo. Solidariedade, compaixão, zelo, amor - todas as maneiras de se estar junto - surgem quando o "eu" se desloca. Para mim, esse é o grande presente do universo. Uma vez que não somos sólidos, privados e centralizados, quanto mais formos o que somos, podemos existir ambos: você e eu. Não apenas eu, mas o nós em nós". Francisco Varela

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