Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Sol


Desejei tuas respostas infinitamente
Dia após dia elas se minimizaram até sumirem de vez
Tentei ouvir teu silêncio, mas, nada me dizia.

Nada para mim. Nenhum plano, nenhum querer
Só a distância elevada ao cubo.

Sem tempo, sem amor
Sem atenção, sem sementes vivas.

Saudade do sol da primavera,
Da voz pausada
Do seu riso ligeiramente torto

Tudo são só palavras agora, mudas e invisíveis
Que só queriam voltar à vida para dizer
Que sua mudez ainda é o que deixei
Naquela manhã fria de novembro.

Thais Petranski

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