Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Terra



Museu no quarto das cores perdidas
Entre rostos congelados e sorridentes
Quadros pendurados, pintados, empoeirados.

Cores encontradas no fundo da lembrança
Derramadas entre o pano e o concreto
Pedaço de rocha colorido se mantém:
Enumerado, imóvel e vermelho.

Cópias quase perfeitas da terra distante
Que se espalhou pelo corpo árido
Semente rara que quer voar.

E voando acaba perdida na casa amarela ou azul
Longe daqui, de lá. Em lugar nenhum.
Acaba presa na terra de sempre
Desejando a liberdade de trocar de cor.

Thais Petranski

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