Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

sábado, 6 de abril de 2013

Arte obrigatória: suja a cidade que eu reciclo



Exato dia entre o Cavalete Parade e o primeiro turno das eleições para prefeito e vereador e ainda não escolhi o destino do meu voto. Pra falar a verdade, é nojento ser obrigada a votar diante de opções tão estúpidas, mas pior que isso, é saber que esta cidade será governada por um palhaços que se candidataram. Gostaria de votar só para vereador, naquele que vê também que os animais merecem respeito. Nada do top model descabelado do bairro que determinou que seus cavaletes devem me assustar a cada manhã em que viro a esquina de casa, muito menos no jornaleiro que nos atormenta gritando no dia das crianças por horas a fio e que durante o resto da ano cobra uma mísera impressão p&B R$2,00. Exatamente, dois reais por uma folha impressa. Com pequenos exemplos tão próximos, a escolha fica mais complicada.
   E que invenção é essa de espalhar cavaletes com cara de vagabundo pelas ruas? Não basta o monte de papel jogado na calçada, no jardim de casa, no meio da rua? Papel não incomodava o bastante, precisava ter mais lixo na rua. E ainda por cima "emoldurado" com tábua de estrado.
   Fico feliz por ter participado no último sábado do Cavalete Parade, onde cada pessoa retirou das ruas um cavalete de político, pintou e o expôs na Avenida Paulista. Obras lindas, intrigantes e simples que deixaram um recadinho para os porcalhões de plantão: suja a cidade que eu reciclo.
   A arte sim, deveria ser OBRIGATÓRIA. O voto não.


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