Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo." - Pablo Neruda

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ar


O medo é o não saber, o não definir.
A ignorância e a indiferença.
Medo surge do apego, do amor, do nada.
Vazio.

Sem cor, sem som, sem face.
Sem calor, sem sangue.
Sem vida.
Nada.

Sem alma, voa com o vento apenas.
Flutua sem rumo, perdida no espaço.
O tempo vai e vai e vai.
Para sempre.
Nunca.

Descrença, ilusão, dor.
Desespero por não saber.
Desconhecer.
Os sonhos desaparecem.

Depois que tudo acaba, que diferença faz?

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