Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Assim mesmo


Entre o sonho e a ilusão existe uma distância quase imperceptível, que muitas vezes não delimita a ingenuidade.
Se sabemos a diferença entre um sonho que tivemos durante a noite e um pensamento, como não conseguimos diferenciar planos de ilusão? Acredito que sabemos sim, mas nossa eterna procura por magia nos cega, a tal ponto de nos enganarmos dia após dia.
A realidade pode não ser tão ruim como parece se a olharmos de um novo ângulo. Sonhos não são garantia de felicidade, eles servem apenas para nos dar um foco a seguir. São orientadores.
Mas sempre queremos mais e mais, e ao invés de seguir para o objetivo, paramos no meio do caminho quando achamos que o sonho está bom demais. Desistimos do plano original e assim nos frustramos.
Porque somos covardes e queremos acreditar no que nos convém.
As prioridades reais já foram tragadas pela ilusão e nos colocaram em risco, sem que tenhamos percebido. O desespero para que ocorra uma surpresa boa, é a burrice dos sonhadores. Viver num conto de fadas só é possível para a imaginação infantil e quando não queremos crescer, nos tornamos adultos medíocres e irresposáveis. Não somos mais ingênuos ou enganados. Somos burros teimosos querendo lutar contra a realidade que nos consome a cada segundo.
Temos medo que assumir a verdade da nossa existência. Escondemos os detalhes para não expor o que todos já sabem. A mediocridade humana em suaves gestos.
E assim a vida passa e nos fazemos de otários, fingindo acreditar na bondade das pessoas. Na bondade sublime que não vê interesse. E depois ainda sentimos pena de nós mesmos. As mesmas criaturas estúpidas de sempre, que preferimos viver em um mundo paralelo onde existe uma fagulha de esperança que possa miraculosamente trazer a mudança para nossa estúpida existência.
Afogar a verdade não nos faz melhor que nada. Só assumimos nossa incapacidade perante a vida, nada mais.
Eternamente covardes.

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