Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

terça-feira, 23 de junho de 2009

Siempre...

Ele sempre a me perturbar.
Não penso nele sempre, mas ele nunca me esquecerá.
No meio da madrugada um pesadelo a me acordar. E tenho medo para ele olhar.
Logo cedo corro para não o perder.
Nas horas seguintes o desejo (venha logo!), e ele voa mais rápido que o meu correr.
Quando não o estou esperando, ele já chegou e eu nem notei.
Por quantas vezes ele se foi e voltou antes mesmo de eu sentir sua falta.
Às vezes me sufoca com sua pressa.
Ou me aborrece com sua demora.
Ele me leva aos lugares mais sombrios, onde jamais imaginei estar. Pro futuro. Pra realidade que eu não sonhei.
Sempre o levo comigo. Mesmo que ele ache que não.
Mesmo que nunca ele acredite.
Veio, tentou ficar, e quando o pedi para parar, lá se foi ele novamente.
Um café da manhã, uma tarde, uma parte da noite.
Nunca por mais de um momento.
Tem medo de se perder comigo.
De mergulhar no meu mundo. Se o conhecesse talvez não quisesse mais passar.
Ou ele ou eu. É assim que ele pensa.
Só um.
Se eu não passar, ele poderá tampouco.
Mas se ele se for, talvez eu consiga seguí-lo.
De longe. Na memória. Em cada lembrança.
Nunca juntos.
Quem sabe um dia possamos nos acertar. Então modificados em uma frequência comum.
Andaríamos lado a lado. Ano após ano.
Dia após dia.
Até o instante em que ele me faça parar para sempre.


Tic tac, tic tac, tic tac tic tac...

Tic tac.

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