Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O terror da doença

Depois de anos de crescimento e desenvolvimento uma praga assola a magnitude da cerejeira. Silencioso e devastador. Chega devagar, sem deixar rastros e uma vez instalado muda para sempre a estrutura e vida da árvore.
Uma ferida que chora sangue e que nunca se fecha, é capaz de resistir ao frio intenso ou à queimadas. Seu DNA é alterado e pode ser a causa de sua morte. Lenta e dolorosa.
Dia após dia, sua vida é consumida pela dor e pela doença. As cicatrizes não ficam apenas em sua extensão, mas também em sua essência.
Os galhos já não são os mesmo. As flores não desabrocham. E os frutos podem nunca mais surgir. Depois de tanto tempo para atingir sua estrutura adulta e grandiosa, que encanta quem a vê, é intrigante saber que um ser microscópico pode acabar com sua magnitude de maneira devastadora.

A praga de "Tengusubyoo" é causada por uma espécie de fungo, que se multiplica através da umidade e chuva. Os galhos contaminados não produzem flores. É recomendado remover as partes infectadas das árvores.

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