Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

domingo, 26 de julho de 2009

Coyoacán

Estava criando um blog em homenagem à maior: Chavela Vargas. E entre muitas pesquisas encontrei um site novo sobre seus 90 anos (http://www.chavelavargas.org/ ).
Entre cada entrevista e cada linha, senti a Chavela Vargas que existe em mim muito feliz.
Encontrei frases que já havia pensado e sentimentos que já senti.
"En Mexico encuentro la vida".
E pensando sobre sentimentos que se fazem presente em mim quando ouço Chavela cantar, lembrei dos arrepios que sinto quando ouço as palmas do público ( do cd live at Carnegie Hall). Sinto como se estivesse no palco.
O mesmo arrepio que senti na Cidade do México quando o trem do metrô passou pela estação Coyoacán rumo à estação Miguel Angel de Quevedo.
Quem pode imaginar ser possível uma pessoa passar por uma estação de metrô e se arrepiar?
Como disse La Vargas:
"Y otra vez el barrio de Coyoacán. Siempre Coyoacán. Coyoacán y La llorona siempre me acompañan. Todo esta escrito".
E quando finalmente andei pelas calçadas de Coyoacán? Naquele bairro me senti em casa. E lá eu viveria toda minha vida.
O silêncio ensolarado daquele Domingo. O vazio e a alegria de Coyoacán em mim, e vice-versa.
Não tenho palavras para descrever aquele reencontro e a saudade que eu sentia daquele lugar que não conhecia.
Andaria todos os dias pelo mercado, pela Casa Azul, por cada praça.
Sempre Coyoacán.
Tudo está escrito.

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