Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Lembra-te que és mortal

Hoje tive a feliz oportunidade de participar de uma palestra do filósofo Mario Sergio Cortella.
Genial em cada frase citada e grandioso em cada explicação.
Hoje, a lição mais importante que aprendi foi a citação de um costume antigo dos romanos.Algo que eu sempre pensei e disse a tantas pessoas, em outras palavras, é claro. E inúmeras vezes, fui tachada de pessimista quando afirmava que "talvez eu não estivesse aqui amanhã".

Na época do Império Romano os Generais ao voltarem das batalhas eram recebidos em Roma para serem homenageados pela população. A homenagem consistia numa aclamação pelo povo e no recebimento das mãos de um dos representantes do Senado de uma bandeja de prata com folhas da palmeira (esta era a mais alta honraria dada a um cidadão romano). É dessa tradição inclusive que vem a expressão salva de palmas , uma bandeja em metal prateado também é conhecida pela palavra salva.
O General romano entrava na cidade sozinho numa biga (os exércitos eram proibidos de entrarem na cidade, ficavam em campos de treinamento fora dos muros de Roma) e percorria um longo caminho até o Senado, durante o percurso o povo o aclamava.
Junto ao General na biga iam dois escravos, o primeiro para conduzir a biga, e o segundo ficava ao lado do General agachado. A função do segundo escravo era extremamente interessante e nos faz refletir sobre a sabedoria dos povos da antiguidade.
Um General voltando vitorioso de várias batalhas, sendo aclamado pelo povo e sentindo-se invencível poderia ser uma ameaça a democracia romana, para evitar isso a função do escravo era uma só. A cada 500 metros do percurso, o escravo levantava-se, aproximava-se do ouvido do General e dizia :
- Lembra-te que tu és mortal !
Mais 500 metros, e novamente :
- Lembra-te que tu és mortal !
Quando no sentirmos invencíveis e acima de tudo e de todos, nos lembremos que somos mortais !

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