Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

quinta-feira, 2 de julho de 2009

E por falar em cerejeira...

Sempre gostei de música e dança. Há alguns anos tive a felicidade de estar presente em um espetáculo da coreógrafa e intérprete Ivonice Satie chamado "Tomiko".
Sozinha no palco, somente uma luz fraca vermelha iluminava Ivonice, que maravilhosamente representou a semente de uma cereja, seu crescimento e transformação em árvore, sua morte e seu renascimento. A representação mais intensa, linda e marcante que presenciei.

Tomiko (à Minha Mãe), foi uma linda homenagem que Ivonice fez à sua mãe, utilizando a árvore símbolo do Japão: a cerejeira.


"A flor da cerejeira tem a vida breve, mas a árvore chega a ser centenária. Ao enfrentar o inverno rigoroso, a cerejeira quase morre e renasce. Pra mim, assim é a minha mãe, uma mulher pronta para renascer", explica a intérprete. Para a sua criação, Ivonice convidou Eduardo Agni que compôs um roteiro musical condutor do espetáculo, além de criar um "cenário sonoro". Walter Rodrigues assina o figurino.
Há quase um ano ela se foi, mas jamais esquecerei aquela magnífica apresentação.

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