Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Em paz com o sabático



Esta semana li algo bem intrigante sobre o sabático.  Sabático vem de “shabat” que é o sábado, ou dia de descanso para os judeus. Esse termo é usado para definir períodos de afastamento de uma empresa. É um período para parar e refletir, pensar, descansar, curtir, olhar as coisas sob outra perspectiva e dimensão.  Avaliar o que sou e o que eu posso ser. Criar uma nova condição para o equilíbrio mental, físico e espiritual. Coragem para perceber o novo.
Eu descobri que isso existe há apenas quatro dias, justamente nos classificados de emprego da Folha de SP.
O texto começa da seguinte maneira:

“Se ainda não aconteceu com você, talvez seja apenas uma questão de tempo. Porque em algum momento da carreira o dilema se impõe à maioria: já é hora de tirar um período sabático?”.

Na sequencia, falam com a maior naturalidade que esse período deve ser usado para agregar conhecimento e para aumentar a empregabilidade, e esse tempo varia de um mês a alguns anos. A questão é planejar e fazer um bom pé de meia para sobreviver nesse meio tempo. Super simples assim.
Ainda há exemplos e dicas, tais como, negociar com o chefe se pode ser uma licença não remunerada ou avaliar se a demissão é viável. Sugestões: aprender um idioma durante o sabático, estudar, escrever um livro, aprender algo diferente, fazer um retiro espiritual. E finalizam com:
 “O MERCADO VÊ DE FORMA POSITIVA OS PROFISSIONAIS QUE TIRAM UM SABÁTICO PLANEJADO E COM FOCO. As empresas querem pessoas com iniciativa, que gostam de aventura e de assumir riscos. O MERCADO TAMBÉM, É RECEPTIVO A PROFISSIONAIS QUE LARGAM TUDO EM BUSCA DE AUTOCONHECIMENTO”.
Agora eu pergunto: Em que mundo isso acontece?
Vivemos numa época em que um funcionário que tira férias por 30 dias, no fundo não é importante pra empresa, porque se ele pode se ausentar por “tanto tempo” é bem substituível por alguém que “realmente vista a camisa de empresa”.
Como trazer o texto do tal sabático para a realidade?
Esse tema me chamou muito a atenção porque passei por isso. Tive pequenas licenças não remuneradas para evoluir e buscar realizações. Acabei abandonando tudo em busca desse autoconhecimento (que deveria conviver diariamente conosco).
 O meu saldo do sabático é:
- Pós graduação em Gestão Estratégica do Conhecimento e Inovação;
- Espanhol fluente;
- Três livros escritos, dois publicados;
- Algumas viagens;
- Cursos de desenho e ilustração;
- Vontade de estudar mais para mudar de área;
- Desemprego.

Claro que só porque para mim isso não funcionou, não significa que é uma furada. Acredito que seja essencial na carreira das pessoas, mas daí até o mercado valorizar isso, já é demais.
Mesmo na Era do Conhecimento, as empresas visam lucro, e precisam de funcionários dedicados. Como fingir que isso não é importante?
Acredito que é importantíssimo para uma empresa incentivar alguns pontos na carreira de seus funcionários, para que estes realmente vistam a camisa, mas, e se todos os funcionários de uma grande empresa decidissem tirar um sabático? Por ano, quantos funcionários se ausentariam de suas tarefas?
A realidade é que pobre se tira férias fica endividado e, se inventa um sabático é vagabundo. Quando tem emprego é pra pagar as contas e não pra um fundo de reserva. A vida não permite isso. Assim como estudar em período integral.
Sou apenas mais um exemplo de como a vida funciona fora do jornal. Tenho sonhos, assim como todos, mas daí a realizar tudo, existe um abismo chamado realidade.

(E não custa nada perguntar né? Se alguém conhecer alguma empresa que valorize e ponha em prática esse tal de sabático, me avisem, por favor. Vai que uma dessas empresas se interessem por uma pobre sabática por imposição, sonhadora e realizadora por opção.)

Um comentário:

  1. Sabático ainda é um "animal mitológico" nas empresas, apesar de rondar por alí faz mais de 20 e poucos anos. Não se estresse, seu "saldo do sabático" conta quase toda a história.
    Abs

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