Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Quem planta estrelismo colhe flash

Quando o assunto são ações voluntárias, é necessário que as ações sejam sustentadas pela consciência social e nunca pela satisfação do ego, segundo a análise psicanalítica da Dra. Rachele Ferrari, psicanalista, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP.
A psicanalista esclarece: "Parece que há que se ter uma especial atenção aos trabalhos dos voluntários que se propõe a uma ação cuidadora, diretamente com outro ser humano, isto porque as motivações inconscientes podem tanto indicar um genuíno interesse em CONTRIBUIR COM O OUTRO, como podem apontar para o uso do outro, para atender às suas próprias questões psíquicas mal ou insuficientemente resolvidas (uma forte carência, uma imperiosa necessidade de reconhecimento social, um afã de salvar o mundo a qualquer custo, certezas absolutas sobre o melhor modo de vida para o outro, etc). Neste último caso, está claro que a ação voluntária, teoricamente tão benevolente, não teria praticamente nada de útil para que a recebe." (Revista Terceira Civilização - outubro 2012 - nº530)

O texto acima caiu como uma luva aos meus olhos, que nos últimos meses  estão presenciando atos grotescos em nome da pobreza alheia. Pessoas que se dizem cheias de amigos ricos e famosos, que participam de um circo entre outros que se acham melhores que o resto da humanidade, por terem ou almejarem dinheiro.
Eventos "beneficentes" com custos altíssimos, onde os maiores beneficiados são os estômagos dos "famosos" que colhem os flashs que plantaram com seu estrelismo, e não com a real vontade de ajudar o próximo.
Altruísmo é uma palavra sem significado para os "bem relacionados"?
O ato solidário não está na quantidade de brinquedos doados no Natal, está  no coração puro que doa algo que se daria para o próprio filho, não é esmola.
Adianta cobrar convite de voluntários quando se é amigo do marido de uma das pessoas mais ricas do mundo? Pobreza de espírito, mediocridade, hipocrisia, futilidade, estado de fome, onde a eterna vontade de querer se sobressair mata toda a benevolência escondida no peito.
Deveria ser crime usar o nome de crianças carentes ( "menos privilegiadas" para alguns) para tentar ganhar fama. Tanto falam na vontade de Deus, mas se esquecem que são o instrumento Daquele que tanto falam.
A lei de causa e efeito é para todos. Quem planta egoismo vai colher o que mesmo?
 O mais irônico é que eu, assim como toda minha família, ajudamos, adotamos e apadrinhamos todos os anos animais abandonados. Cachorros e gatos atropelados, sem patas, mal tratados que não têm amigos famosos para lotar um evento em prol de um pouco de qualidade de vida a eles.
Fazer o bem, é fazer sem querer retorno. Muito menos retorno financeiro.



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