Pablo Neruda

"Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Poema com som de azul



Sou o azul da cidade, você fumaça do pesar
Sou azul a deslizar, você ausência extrema
Sou azul da sala, você nascível laço
Somos seres azuis?

Você, ser hexagonal, sou solidão sonora
Você, santo César. Sou sacrifício azteca
Você, semente do ser. Sou a caça da savana
Somos um sonho azul impossível?

Sou azul de você
Você azul do ser exilado
Sou azul da casa azul
Você o azul da cidade
Sou o azul do zócalo
Você azul da nossa existência
Sou azul da saudade
Somos seres azuis.

Thais Petranski

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